Formação

O paradoxo da Verdade

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O que mais nos incomoda de Deus é que quebre nossos esquemas mentais. Sempre foi assim e deste modo acontece hoje. Como pode ser um rei do universo se morre em uma cruz, em meio de burla e insultos e no mais espantoso dos ridículos? A quem pode impressionar um rei como Jesus? Não é improcedente ler um evangelho como o este domingo para solenizar a festa de Jesus Cristo, Rei do universo?

Evidentemente há uma tremenda ironia no letreiro que põem no alto da cruz onde morre Jesus: o famoso INRI (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus). Uma tremenda ironia porque em repetidas ocasiões com o passar do Antigo Testamento, para anunciar a futura salvação, apregoa-se para então a aparição de um rei justo, que traria para o Israel a paz, a prosperidade e a reconciliação. pinta-se, esse tempo messiânico, com as características de um tempo ideal: um povo em paz e o Senhor governando-o com justiça.

O mais próximo a esse rei justo na lembrança dos filhos do Israel era o rei Davi e sua época. Por isso o Messias é um novo Davi, e os anúncios do Messias, entendidos à medida da ilusões humanas, criavam em grande parte dos judeus umas esperanças políticas desmesuradas. Tudo em Jesus, a primeira vista, surpreendia e escandalizava, ao apresentar-se como aquele em quem se realizam as profecias messiânicas. Como é possível? Um galileu de porte humilde, rodeado de gente humilde, e que, se faltava algo, atribui-se o poder de perdoar os pecados e se proclama Senhor do sábado. Uma arrogância sem limites. Por isso pregaram sobre a cruz, com tom de mofa, o letreiro do que fala o evangelho desta solenidade.

O que acontece é que, por um desses paradoxos que parecem agradar a Deus, o letreiro resultou ser mais verdade do que pensavam quem o pôs. O que acontece é que Deus a quem derrotou na cruz de Cristo não foi nem aos assírios nem aos romanos, mas sim à maldade e ao pecado dos homens. Disto não caimos ainda na conta, tampouco em nosso tempo. Ah! Esta vitória foi possível porque Deus deu a razão a Jesus contra quem o condenou, ao ressuscitá-lo dentre os mortos. Não  entendemos o paradoxo sem essa ressurreição, e Deus continuará quebrando nossos esquemas. Algo parecido dever ter acontecido com aquele ladrão que insultava a Jesus; o bom ladrão, embora não se imagina como será esse reinado de Jesus,  lhe pede: "lembra-te de mim quando chegar a seu reino".


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