Formação

O perdão, a Eucaristia e o Sagrado Coração de Jesus

Você sente dificuldade de perdoar? Pois então, saiba que hoje, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, é o dia propício para alcançar a graça do perdão.

Foto: Unsplash

Uma das funções do coração é gerar no homem o desejo de viver, por meio da autopreservação, que é o sentimento que nos permite amar a nossa própria vida e, assim, resguardá-la dos perigos. De outro modo, o excesso desse sentimento é algo extremamente nocivo, pois faz com que o homem busque a autoconservação de um modo tão exagerado, que coloca o seu bem-estar acima de qualquer coisa. O que falta, nesse caso, é exatamente a justa medida da autopreservação.

Para quem alimenta essa conservação de si mesmo de forma exacerbada, os relacionamentos se tornam quase impossíveis, pois serão baseados não na doação mútua, mas em uma desequilibrada e egoísta reivindicação por uma constante atenção unilateral. O perdão, para quem age desse modo, torna-se algo extremamente difícil, haja vista que, uma vez ferido, não saberá superar tal ofensa em nome da caridade e da comunhão, porque nunca quer dar nada, antes, deseja sempre receber tudo.

Por outro lado, Bento XVI, em seu livro Guardare ao Crocifisso (ainda sem tradução para o português), ensina que Jesus transformou completamente o conceito da autopreservação. O papa emérito nos ensina que:

“O coração transpassado de Jesus realmente transformou tal definição. Este coração não é autoconservação, mas é autodoação. Este salva o mundo abrindo-se. Tal transformação operada pelo coração aberto é o conteúdo do mistério pascal. O coração salva, sim, mas salva entregando-se. Neste coração de Jesus é, assim, colocado diante de nós o centro do Cristianismo. Neste é dita toda a novidade realmente revolucionária que acontece no novo pacto. Este coração invoca o nosso coração, nos convida a sair da inútil tentativa da autoconservação e encontrar no amar juntos, no dom de nós mesmos a Ele, a plenitude do amor que é eternidade e que somente assim conserva o mundo” (p. 61).

Os rios da Misericórdia Divina

Desse modo, ao celebrarmos o Sagrado Coração de Jesus, devemos ter em mente algumas coisas: Esta é uma devoção intrinsecamente ligada ao mistério pascal de Cristo, pois foi na cruz que o Divino Coração se deixou traspassar por nossos pecados. Ao ser atingido pela lança da iniquidade humana, tal Coração não reagiu de outra forma, a não ser derramando-se generosamente em sangue e água, misericórdia e graça, perdão e reconciliação.

Uma vez recebida, esta Divina Misericórdia não pode ser retida em nenhum outro coração, ao contrário, necessita continuar a fluir como rio vivo e caudaloso, que sacia a sede de redenção de todo ser humano. Reter o perdão devido, portanto, é como construir barragens, impedindo que os rios da Misericórdia Divina continuem a correr por este mundo sedento de compaixão.

Na Ressurreição, as marcas da Paixão permaneceram no corpo de Cristo: antes, eram chagas dolorosas; após, tornaram-se marcas gloriosas, evidências de Sua entrega de Amor, pela salvação da humanidade. Esse Coração, por sua vez, permanece aberto, permitindo que a incredulidade humana toque-o e realize sua experiência de fé (cf. Jo 20, 19ss).

O lado traspassado de Cristo também é passagem aberta para o céu: antes, fechado aos homens por suas iniquidades, todavia, novamente escancarado pelo sacrifício pascal do Filho, que saldou a dívida impagável da humanidade para com Deus.

Portanto, o Sagrado Coração representa o perdão e a reconciliação em sua máxima potência, e convida a todos que desejam adentrar na bem-aventurança eterna, a tomarem parte dessa nova vida reconciliada e redimida, onde não há espaço para os males e as rupturas causadas pela falta de perdão.

Um fonte inesgotável

Ascendido aos céus, o Senhor nos deixou o Sacramento da Eucaristia, que é, por excelência, a fonte inesgotável do Amor e da Misericórdia Divina. Na Comunhão Eucarística, desta feita, continuamos a mergulhar no Sagrado Coração, no qual somos perenemente refeitos, restaurados e capacitados a amar e perdoar a todo e qualquer mal que nos acontece.

Por fim, transcrevemos um trecho do livro Como perdoar, que nos auxiliará a descobrir a relação direta entre o perdão, a Eucaristia e o Sagrado Coração de Jesus:

“Há mais de mil e duzentos anos, na cidade de Lanciano/Itália, se deu o maior e mais impressionante milagre eucarístico de toda a história da Igreja: durante a celebração da Santa Missa, após a consagração, o vinho transformou-se em sangue, e a hóstia, em carne, especificamente em um pedaço do miocárdio (músculo do coração humano) e que até hoje permanecem incorruptos, como sinais visíveis da transubstanciação, pela qual se dá a presença verdadeira, real e substancial de Jesus Cristo nas espécies eucarísticas do pão e vinho. 

Não acidentalmente, neste milagre a hóstia é transformada em um pedaço exatamente do coração, para demonstrar que na Eucaristia podemos, por excelência, fazer esta experiência com o Sagrado Coração de Jesus que é todo misericórdia, todo abertura, todo acolhimento e reconciliação, a fim de que Nele sejamos reconstruídos para o perdão”. (p. 92)

Como Perdoar

O livro Como Perdoar faz parte da coleção COMO que traz de forma breve, porém profunda, diversos temas (evangelização, redes sociais, educação dos filhos, etc.). A leitura das 120 páginas de Como Perdoar é catequética, oracional e emocionante. A obra é uma opção para quem tem dificuldade em perdoar ou pedir perdão, mas deseja mudar essa situação. Ela oferece, em um de seus capítulos, oito passos práticos para uma vida reconciliada. 

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