Em 22 de Outubro de 1797, André-Jacques Garnerin foi o primeiro homem no mundo a saltar de pára-quedas. Em 22 de Outubro de 1978, um homem chamado Karol Josef Wojtyla, saltou também. Saltou para uma grande aventura. Neste dia, Wojtyla deixava seu antigo nome de lado e assumia o Nome de João Paulo II, o 264º Papa da Igreja católica. O que esses dois homens têm em comum? Fizeram na vida aquilo que achavam ser certo. E não tiveram medo de correr riscos e enfrentar desafios.
São João Paulo II, foi uma pessoa de origem humilde. Serviu no serviço militar obrigatório, foi operário, sofreu com a ocupação da Alemanha Nazista ao seu país natal – a Polônia – , também perdeu seus pais e irmãos muito cedo. Gostava de atuar, de escalar montanhas, de escrever. Um homem amante dos esportes, amante dos livros, amante da vida, que amava profundamente seus amigos e que gostava de dar risada. Pessoa normal como eu e você. Um homem que encontrou um sentido em sua vida, algo que era muito maior que ele próprio.
Para aqueles que dizem que: a religião é o ópio do povo¹. São João Paulo II disse com sua vida, que o verdadeiro vício, a verdadeira alienação é uma vida voltada somente para si. Por isso, esse mesmo Papa no dia de sua posse bradou com a plena força de seus pulmões: Não tenhais medo! Abri antes, ou melhor, escancarai as portas a Cristo! Ao Seu poder salvador. Abri para Cristo entrar e porque você também precisa sair e anunciá-lo, e ele deu o exemplo!
Em sua homilia 22 de outubro de 1978, o Santo Padre nos conta uma história: Segundo uma antiga tradição, durante a perseguição de Nero, Pedro teria tido vontade de deixar Roma. Mas o Senhor interveio: veio ao seu encontro. Pedro, dirigindo-se ao Senhor perguntou: “Quo vadis, Domine?” (Aonde vais, Senhor?). E o Senhor imediatamente lhe respondeu: “Vou para Roma, para ser crucificado pela segunda vez”. Pedro voltou então para Roma e aí permaneceu até à sua crucifixão.
Em sua máxima, a banda Engenheiros do Hawaii diz que “o Pop não poupa ninguém!”. São João Paulo II tomando o caminho inverso, não poupou a si mesmo. Levou um tiro à queima roupa, mas teria levado outros se fosse preciso e teria perdoado mais uma vez o atirador. E caso alguém perguntasse: Aonde vais, Senhor? Aonde vais mais uma vez João Paulo II? Ele – que visitou por volta de 129 países em seu pontificado – com certeza diria: Vou pra Roma, para ser crucificado mais uma vez. Para ser baleado mais uma vez… Vou a Europa ou a África, as Américas ou a onde for preciso, para permitir a Cristo falar ao homem. Pois Somente Ele tem palavras de vida; sim, de vida eterna.²
Hoje a Igreja celebra a vida, as obras e a alegria desse grande homem, desse grande Santo, Karol Josef Wojtyla, São João Paulo II. O Papa das famílias como gostaria ser lembrado. Um Papa que aprendeu com Maria que às vezes um celeiro pode abrigar o criador do universo, e que a humildade é a melhor forma de se chegar ao coração do outro. São João Paulo II foi um desbravador, não só dos caminhos e das montanhas desta terra, de um chão que aguarda aqueles que caem, mas, sobretudo, de um céu que acolhe aqueles que querem se redimir. Foi desbravador dos caminhos do amor, que nos aponta e nos conduz a eternidade.
São João Paulo II, Rogai por nós.
Marcos Nunes
[¹] Karl Marx,”Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie” publicado em 1844.
[²] Da homilia do santo João Paulo II, papa, no início do seu pontificado.
[³] Idem.

Incrível homem de Deus! Incrível também essa matéria. Existe amor e encorajamento em cada palavra.