Eles conseguiram desviar atenção do planeta durante a Copa do Mundo, inspirar orações, comover e mover corações e governos para uma mega operação de resgate, que, como por milagre, palavra usada por muitos oficiais da marinha tailandesa, médicos e mergulhadores, terminou com sucesso e alívio para todos, a não ser pela perda de um mergulhador reformado que tendo se oferecido para ajudar nas operações, não resistiu quando foi distribuir tanques de oxigênio ao longo do percurso e acabou ele próprio sem o suficiente para completar sua missão. O líder da operação disse que “seu sacrifício não seria em vão”. E não o foi. Nenhum sacrifício é em vão.
Sacrifício é uma das palavras que brilham como estrelas, no céu desse episódio inaudito: o dos dois mergulhadores britânicos voluntários que acharam as crianças e seu treinador – já falaremos dele – sacrifício dos também mergulhadores e militares especializados neste tipo de resgate, enviados da China, Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, dos três oficiais que se ofereceram para ficar com os jovens dentro da caverna dando-lhes apoio, assistência médica e psicológica.
Sacrifício do próprio treinador que só comia da sua ração diária quando os garotos estavam saciados, isto antes, mas também depois de terem sido encontrados. Um dos oficiais da marinha tailandesa que permaneceu com eles até o final da operação disse que sua dedicação aos garotos era total e que “ele os amava mais que a si mesmo”.
Jovem treinador
Tocando agora a imagem do jovem treinador de apenas 25 anos, paternidade é o que resplandece diante dos nossos olhos: Ekapol Chantawong ou Ek, como é chamado pelos familiares e também pelos garotos, foi um menino que perdeu seus pais aos 10 anos e foi criado por parentes de forma humilde. Sem cidadania Tailandesa, ou seja, um apátrida, ele trabalhava como treinador assistente do time de futebol Javalis Selvagens e era conhecido pela dedicação que tinha em muitas vezes ir buscar e deixar os meninos em casa, quando seus pais não podiam fazê-lo. Oficiais relataram que sua liderança e tranquilidade em conduzir os garotos foi fundamental. Profissionais da área médica se surpreenderam pela saúde emocional dos garotos após nove dias presos na caverna, antes de serem encontrados. Um dos meninos, em um dos bilhetes que trocou com a família disse: “Não se preocupem, estou feliz!”.
Ek mantinha os meninos sempre com esperança e com um objetivo comum: Ele e os adolescentes, antes de serem encontrados, cavaram um buraco em vista de saírem dali. Além disso, continuou formando-os na disciplina, sempre para o bem, para não se centralizarem em si ou naquela adversidade, e dois exemplos disto foi o gesto de guardar os fragmentos de alimento sempre em sacolas plásticas, a fim de não sujar o ambiente, e ao saírem da caverna, quando resgatados, os garotos não levaram nada do lugar, conforme seu treinador os havia orientado.
Paternidade gera fraternidade
Assumir aquelas crianças como seus filhos fez com que elas se sentissem seguras e em unidade umas com as outras, comprovando a máxima de que a paternidade gera fraternidade. Além disso, Ekapol nos recorda do nosso papel de pais, professores, pastores, irmãos mais velhos: sermos referência de valores e porto seguro para as novas gerações.
A outra estrela que brilhou neste céu tão cinzento e literalmente ameaçador foi a Providência Divina. Ela quem deu nosso Ekapol como a companhia adequada para aquelas crianças neste momento crítico, ela que fez com que Adul Samor, o único jovem cristão, soubesse falar inglês pra se comunicar com os dois mergulhadores que os encontraram. Foi Mão de Deus, assim também chamamos a Divina Providência, que a despeito das fortes chuvas que abateram o lugar, não deixou que o nível da água subisse dentro da caverna, o que tornaria praticamente impossível a saída daqueles meninos completamente sem familiaridade com equipamentos de mergulho e sem força para fazer o percurso que duraria o dobro do tempo, segundo membros do governo.
Foi a Providência quem preservou a integridade física e mental de todos – admirados, os médicos constataram que eles só haviam perdido 2 kg quando foram encontrados e também ficaram perplexos com o otimismo que expressavam durante todo o processo de salvamento. É inegável o protagonismo de Deus nesse roteiro de dar inveja a Hollywood.
A caridade que uniu nações
Se resumíssemos tudo teríamos um nome pra dar a essa constelação: Caridade. Esta, que desinstalou pessoas simples, chefes de estado, forças armadas e inúmeros profissionais. A caridade que uniu nações em preces pela vida de jovens que nunca conheceremos pessoalmente e que nos fez lembrar do valor da vida humana e que nenhum esforço é demais para salvá-la. Caridade da parte de Deus para com os homens, que sustentou a força da natureza, mostrando que Ele está no controle absoluto de tudo (a caverna inundou poucas horas depois de Ek, o último a sair, ter sido resgatado, pois as chuvas se intensificaram ainda mais fortemente).
Esta Caridade nos recorda de onde viemos, para que fomos criados, e que nossa realização está em, concretamente dar a vida pelo outro, oferecer todos os dons, talentos e tempo para dar vida aos que estão presos nas cavernas dos conflitos, do medo, da dúvida, da falta de amor. Esta Caridade nos faz perceber que ora estamos presos, ora ajudamos a tirar outros de suas cavernas, que as nossas vidas estão entrelaçadas e sempre aprenderemos uns com os outros, independente do lado em que estamos. Caridade que nos faz dormir tranquilos por termos a consciência que demos tudo o que tínhamos.
O Amor! Ele é a constelação da nossa vida, por ele nos orientamos e somos iluminados. Por ele chegaremos à nossa pátria!
Shalom!
