Na autobiografia de Santo Antônio Maria Claret ele escreve: “O Espírito Santo me diz: Preguiçoso, aprende da formiga a ser prudente.”
E completa: “Eu aprenderei, não somente da formiga, mas também do galo, do burro e do cachorro.”
O Santo vai além e se inspira nestes outros animais, para assim, criar para si propósitos de vida. Se observarmos, muito temos o que aprender com cada um destes bichinhos. Confira!
O Galo

Quis dedit gallo intelligentiam? Quem deu inteligência ao galo?
Gallus cantavit: O galo cantou.
- O galo me chama, e eu, como Pedro, devo lembrar meus pecados para chorá-los.
- O galo canta em diversas horas do dia e da noite. Eu devo louvar a Deus em todas as horas do dia e da noite. Devo também exortar a todos para que façam o mesmo.
- O galo vigia sua família dia e noite. Eu devo cuidar noite e dia das almas que o Senhor me confiou.
- O galo, ao menor ruído ou ameaça de perigo, dá alarme. Eu devo fazer o mesmo; exortar as almas ao menor perigo de pecar.
- O galo defende seu terreiro quando o gavião ou outro animal ou ave de rapina vem para atacar. Eu devo defender as almas que o Senhor me confiou, contra os gaviões dos vícios, erros e pecados.
- O galo é muito generoso; basta que encontre algo que sirva de alimento, chama as galinhas para comer, privando-se do mesmo. Eu devo abster-me de comodidades e conveniências e ser mais caridoso e generoso com os pobres e necessitados.
- O galo, antes de cantar, agita as asas. Eu, antes da pregação, devo agitar e bater as asas do estudo e da oração.
- O galo é muito fecundo. Eu devo sê-lo espiritualmente, a tal ponto que possa dizer com o Apóstolo: Per evangelium ego vos genui: Eu vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho.
O Burrinho

Ut jumentum factus sum apud, et ego semper tecum: Como burro fui diante de ti; e eu estive sempre contigo.
- O burro é o animal mais humilde por natureza. Seu próprio nome denota desprezo. Sua habitação é o lugar mais humilde: debaixo da casa. Sua comida é pobre, e pobres são todos os seus arreios. Também eu devo ser pobre na moradia, na roupa e na comida, a fim de procurar humilhações e até mesmo o desprezo dos homens, para alcançar a virtude da humildade, uma vez que pela natureza corrompida, sou soberbo e orgulhoso.
- O burro é um animal muito paciente. Carrega pessoas e carga, sofre pancadas sem queixar-se. Também eu devo ser paciente no cumprimento de minhas obrigações, sofrer com resignação e mansidão as aflições, trabalhos, perseguições e calúnias.
- A santíssima Virgem Maria valeu-se do burro quando foi para Belém dar à luz seu filho Jesus e ao fugir para o Egito na perseguição de Herodes. Eu também me ofereço a Maria santíssima para praticar com prazer e alegria a devoção para com ela e pregar suas excelências em suas alegrias e dores. Meditarei dia e noite sobre estes santos e adoráveis mistérios.
- Jesus montou num burro ao entrar triunfalmente em Jerusalém. Também eu me ofereço alegremente a Jesus a fim de que se valha de mim para entrar nas almas convertidas e nos povoados, triunfando dos inimigos: mundo, demônio e carne. Que fique bem claro: as honras e os louvores que me forem tributados não serão para mim, que sou o burrinho, mas para Jesus, cuja dignidade levo, ainda que indigno.
O cachorro

Canis muti qui non valuerunt latrare: Cachorros mudos, que não podem latir.
- É um animal tão fiel e tão constante companheiro de seu dono, que nem a miséria, nem a pobreza, nem os trabalhos nem coisa alguma é capaz de separá-lo de seu dono. O mesmo devo fazer eu. Hei de ser tão fiel, tão constante no serviço e amor a Deus, que possa dizer com o apóstolo Paulo: Nem a morte, nem a vida, nem outra coisa qualquer possa separar-me dele (Rm 8,37-39).
- O cachorro é mais leal que um filho, mais obediente que um criado, mais dócil que uma criança. Não só faz voluntariamente o que seu dono manda, mas olha a fisionomia do seu senhor para conhecer a sua intenção e vontade, a fim de cumpri-las sem esperar que o mande, e o faz com a maior prontidão e alegria e ainda se faz participante dos afetos do dono. De tal maneira que é amigo dos amigos do amo e inimigo dos seus inimigos. Devo praticar todas estas belas qualidades no serviço de Deus, meu querido Senhor. Sim, com satisfação farei tudo o que ele me mandar. Procurarei descobrir sua vontade para cumpri-la, sem esperar que me mande. Cumprirei, com prontidão e alegria, tudo o que ele dispuser por seus representantes que são os meus superiores. Serei amigos dos amigos de Deus e tratarei os inimigos de Deus como ele me indicar, ladrando contra suas maldades para que desistam delas.
- O cachorro vigia durante o dia e à noite dobra sua vigilância. É guarda da pessoa do amo e de todas as coisas que lhe pertencem. Late e avança sobre aqueles que conhece e que vão, ou pressente que possam prejudicar seu amo e seus interesses. Devo procurar vigiar continuamente e clamar contra os vícios, culpas e pecados e contra os inimigos da alma.
- O maior prazer do cachorro é estar e andar na presença de seu dono. Procurarei andar sempre com prazer e alegria na presença de Deus, meu querido Amo, e assim não pecarei nunca e serei perfeito, segundo aquela palavra: Ambula coram me, et esto perfectus: Anda em minha presença e sê perfeito.
