Em muitas comunidades do Ocidente, observa-se com frequência que nossas Igrejas estão mais cheias na sexta-feira santa do que na vigília Pascal e até mesmo no Domingo da Ressurreição. É maravilhoso, é profundo mergulharmos no mistério, no espírito litúrgico de cada dia da Semana Santa. Mas, parece que muitas vezes não chegamos no Domingo! Ficamos presos na dor da sexta-feira ou no vazio do sábado.
A Páscoa não termina na Sexta-feira Santa
Veja, vivemos 40 dias de Quaresma em preparação para a Páscoa. Vivemos o tríduo pascal para entrarmos na Páscoa. Temos, então, 50 dias pascais; pela importância dessa festa. Contudo, quantos de nós paramos de celebrar na sexta-feira santa. Ou não adentramos no mistério do tempo da Páscoa. Não é apenas um dia. É um tempo! Tempo pascal!
Este é o dia que o Senhor fez para nós. Ele pagou na sexta para que pudéssemos viver o domingo! Para isso Ele nasceu, viveu entre nós, desposou nossa humanidade. Para vivermos o Domingo, o Oitavo dia inaugurado por Ele, o dia da nova criação, da recriação, o dia do homem novo, lavado pelo sangue de Cristo.
Então, eu te pergunto: Em que dia da Semana Santa você está? Ou você ainda está na quaresma? Não experimentou da alegria pascal, não sabe que tipo de alegria estou falando.
A promessa da salvação começa no Gênesis
Olha que beleza, podemos pensar que tudo começou com o germe de uma promessa. Vamos ao Gênesis 3, 15, após o pecado original:
“Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre a tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.”
Acompanhe o raciocínio, Deus para cumprir essa promessa forma um povo, como vimos no primeiro artigo dessa série.
Em Gálatas 4, 4-5, o Apóstolo diz:
“Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos.”
O mistério da encarnação e da redenção estão ligados. O Filho de Deus se encarnou para nos salvar. A festa do Natal, do nascimento e a festa da Páscoa, a morte e a ressurreição é um mistério, o da nossa salvação. Porque Cristo ressuscitou não é vã a nossa fé. Ele ressuscitou e não somos escravos do pecado, das mortes, da tristeza, não! Porque Cristo ressuscitou, nossa fé não é somente para esta vida! Vale a pena ler I Cor 15, 14-22.
Deixo aqui com você esse belo poema. Boa meditação!
Por Daniela Alves
A visitadora
Poema espanhol de Antonio Murciano
Era Belém
E era noite de Natal
A porta mal fez barulho quando ela entrou
Era uma mulher seca, maltrapilha e escura
Vinha suja de barro
do pó dos caminhos
Iluminou-a a lua e não tinha sombra
Tremeu Maria ao vê-la
A mula não, nem o boi, mastigando indiferente
palha e feno
Tinha os cabelos longos cor cinza
Cor de muito tempo, tom de vento antigo
E em seus olhos se abria o primeiro olhar
E cada passo era tão longo quanto um século
Tremeu Maria ao vê-la aproximar-se do berço
Em suas mãos de terra – Oh, Deus – que levaria?
Dobrou-se sobre o menino, chorou infinitamente
E lhe ofereceu a coisa que levava escondida
A Virgem assombrada, viu-a por fim levantar-se
Agora uma mulher bela, esbelta e luminosa
O menino a olhava, também a mula
O boi olhava.
Indiferente, mastigava.
Era em Belém e era noite de Natal
A porta mal fez barulho quando saia
Maria ao vê-la, reconheceu-a, gritou e chamou: Mãe!
Eva olhou a Virgem e disse: Bendita!
Que clamor e que alvoroço entre a gruta e a estrela
Fora ainda era pura, dura a neve e fria
Dentro, enfim, Deus dormindo sorria
Tendo em suas mãos a maçã mordida.