Diante do corpo franzino do Papa Emérito Bento XVI, abatido pela vida longeva e, sobretudo, pelos dias já transcorridos após a sua morte, o que vinha à minha mente e ao meu coração enquanto rezava era: “O que essas pessoas vieram fazer aqui? O que essa multidão veio fazer aqui? Porque nós, elas e eu, estamos aqui?” A resposta era só uma: Céu.
As pessoas que ali estavam pareciam mais fazer uma peregrinação do que um cortejo de honra ao finado Papa; pareciam mais trazer intenções do que pedidos pela sua alma; tinham mais semblante de esperança que de perda. Elas e eu estávamos ali porque acreditamos no céu, e isso de dois modos: na sua existência e na posse que agora Bento XVI tem dele.
Leia também| Pronunciamento de Moysés Azevedo por ocasião da Páscoa do Papa Emérito Bento XVI
A imagem eloquente que grita em mim é a de uma senhora que vi ao longe passar diante do corpo do Santo Padre Emérito e, com um olhar de quem vê alguém que ama, beijar sua própria mão e “enviar” aquele beijo em direção ao Papa. Era isso que nós vínhamos fazer ali. Aquele beijo era para ele, como eu também mandei. Mas aquele beijo, tenho certeza, era também endereçado ao Esposo, carregado de pedidos de intercessão, pelas nossas famílias, pelos sacerdotes, pela Igreja, pelos jovens, pela Comunidade…
Quando na missa de exéquias o seu caixão era já lacrado, pensei em toda uma geração toda que era sepultada com o Papa Emérito que tinha já seus 95 anos. Teólogos, Padres do Concílio Vaticano II, Santos… Isso logo gerou o sentimento de dever, de no hoje assumir o compromisso de continuar aquilo que grandes homens como ele nos deixaram.
Obrigado, Santo Padre. Dizemos, juntos com nosso querido Papa Francisco: “Bento, fiel amigo do Esposo, que a tua alegria seja perfeita escutando definitivamente e para sempre a sua voz!”
Padre Diego Soares,
postulante Comunidade Aliança
Missão Roma
