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Emmir Nogueira: O que nos falta?

Foi com essa coroa que se deu a coroação oficial da imagem por ordem de Pio X. Seu sucessor, Pio XI, a decretou como Padroeira Maior do Brasil em 1930.

Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Aparecida

Se há uma coisa que dá dó é ver a pouca devoção do povo do Norte e Nordeste do Brasil por Nossa Senhora da Conceição Aparecida! Entre várias explicações, uma se ressalta: o desconhecimento. É mais fácil encontrarmos alguém que nos narre detalhes das aparições de Nossa Senhora na Europa do que a singela história do Vale do Paraíba, bem ali, em São Paulo. E, no entanto, ai de nós, ai do Brasil se não fosse essa Senhora milagrosamente aparecida!

Pouca gente sabe, mas nos meados do século XVII, D. João VI, antes mesmo de conhecer o Brasil já o consagrara a Nossa Senhora da Conceição. Dessa forma, quando a Imaculada foi encontrada pelos pescadores nas águas do Rio Paraíba, colheram a resposta do céu a essa consagração. É bonito ver que a consagração precede o encontro da imagem. É, aliás, o único caso desse tipo de que se tem notícia: o céu confirmando de modo visível, iconográfico, uma consagração. Foi Deus dizendo: “Sim, aceito a consagração deste país!” Talvez por isso D. Aloísio Lorscheider fizesse tanta questão de que se chamasse a imagem milagrosa com seu nome completo: “Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida”.

A história da imagem da padroeira do Brasil foi assim: 1717, o governador recém-eleito da província de São Paulo passaria por povoado próximo ao rio. Era dia de abstinência e as autoridades municipais, aflitas por comemorar e alimentar toda a comitiva, pediram a todos os pescadores que se esmerassem na busca de peixes. Já no rio, os pobres homens se entreolhavam e meneavam a cabeça, desolados. Muitas canoas, muitos pescadores, mas… nada de peixe!

Ao puxar a rede, vazia de peixes, um deles percebeu que havia “pescado” o corpo de uma imagem. Era de terracota cinza-azulada. Tinha um anjo e a luz sob os pés, mãos postas, um cordão à cintura, mas não tinha cabeça. Os três pescadores dessa canoa remaram, então, alguns metros e, jogando novamente a rede, “pescaram” nada além de uma cabeça que se encaixou perfeitamente no corpo da imagem. Era a Imaculada Conceição. A partir desse momento, os peixes passaram a pulular ao redor das várias canoas no que foi considerado por todos uma pesca milagrosa, aos gritos de “Milagre, milagre da santa!”

Levada para a casa de um dos pescadores, logo “a santa” – somente depois souberam que se tratava de Nossa Senhora da Conceição – começou a ser venerada da forma simples da gente da terra, com terços e novenas. Os milagres se sucediam e da pequena capela tosca construída para abrigá-la passou-se para uma igreja que, não contendo mais o povo, deu lugar a uma outra maior, que logo ficaria também pequena.

Por essa igreja passaram pessoas ilustres da nossa história. D. Pedro I, preocupado com a tensa situação política do nosso país, no dia 22 de agosto de 1822 orou aos pés da santa pedindo-lhe luzes que solucionassem a tensão. Quinze dias depois proclamaria a independência do Brasil em local não muito distante.

Anos depois, passaria por ali ninguém mais ninguém menos que a Princesa Isabel e seu marido, o Conde D’Eu, que suplicaram àquela que era conhecida como “Aparecida” a graça de ter filhos. Na ocasião, ofertou a Nossa Senhora um manto com 22 diamantes. Um para cada província do Brasil e um para a capital. Cinco anos depois, o casal voltaria com seus três filhos, frutos da graça pedida. A oferta, dessa vez, foi uma coroa de ouro puro cravejada com 44 diamantes.

Foi com essa coroa que se deu a coroação oficial da imagem por ordem de Pio X. Seu sucessor, Pio XI, a decretou como Padroeira Maior do Brasil em 1930. Em 1931 deu-se a celebração oficial dessa maternidade e proteção celestes no Rio de Janeiro, com mais de um milhão de pessoas.

Milagres de Nossa Senhora da Conceição Aparecida? Temo-los aos montes! O que nos falta, certamente, é ultrapassar a ignorância sobre nossa Padroeira e crescer no amor por ela nesses difíceis tempos do século XXI em que nosso país, como a maioria da humanidade, precisa do milagre de ser purificado, imaculado de tantas manchas causadas pelo afastamento da vivência evangélica por parte de seus filhos, suas leis, seus planos.

Será que hoje, ainda mais que em 1717, a Virgem Aparecida não estaria disposta a atender às preces dos que aqui nascem já consagrados a ela, já sob sua proteção? Experimentemos, também nós, no Norte e Nordeste, invocá-la com fé, sem preconceitos e com a simplicidade dos pescadores, e testemunhemos as maravilhas que Deus faz através da sua amada Mãe.


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