A simples pronúncia da palavra “crise” já gera desconforto e faz o coração de alguns tremer. Há os que dizem logo: “Não quero falar sobre isso!” Atualmente, as crises têm sido temas de palestras nos ramos de administração, economia, política, medicina, educação, etc. Até mesmo os líderes da Igreja se reúnem para refletirem sobre essa gigante interrogação.
O que realmente significa estar em crise?
Uma crise, entre outras coisas, se caracteriza por ser um momento em que nos sentimos em perigo, vulneráveis, sem direção. Momentos de crise são marcados por dúvidas, medos, sentimento de frustração, sensação de impotência, desordem e desinstalação. Esses momentos são dolorosos, porém são também decisivos.
Gostaria, com essa pequena explicação, de convidar você a se deter comigo, de modo atento e perseverante, na reflexão que faremos agora. Desejo que esse nosso esforço possa lançar luzes à sua caminhada com Deus, orientando seu coração diante de eventuais conflitos que você ou algum conhecido possa estar vivendo.
O que fazer no momento de crise?
Um fato curioso, que sempre notei ao estudar a história da Igreja, é que grandes santos e grandes intuições de fé sempre estiveram associados às grandes interrogações existenciais da Igreja e da sociedade de cada tempo. Quer alguns exemplos?
Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e as grandes dúvidas de fé e de heresias da época; a pobreza e a abnegação de São Francisco e Santa Clara de Assis diante do sofrimento dos pobres, dos leprosos e da opulência e da ânsia de poder da sociedade de então. Como não mencionar, também, a maturidade e profundidade espiritual de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz diante da frieza espiritual da época.
Depois, vemos ainda as dolorosas divisões da Igreja, pelo movimento protestante liderado por Lutero e companhia limitada. Deus, então, inspira corações como o de São Pedro Anísio. Depois, não poderia deixar de evidenciar o profetismo da vida de Santa Teresinha do Menino Jesus, frente à ânsia de grandeza e intelectualismo francês e de tantas outras nações.
Nas últimas décadas, por exemplo, vemos surgir, por um lado, o secularismo, o materialismo e a indiferença à fé e, por outro, nunca se criaram tantos seguimentos de misticismos, misturando intuições de tantas seitas e religiões com os princípios de fé cristã e da psicologia. No setor político, vemos uma separação radical entre as leis públicas e os valores morais do Evangelho, e que, muitas vezes, jogam no lixo até os princípios éticos mais básicos da filosofia clássica.
Nunca se criaram recursos tão avançados de comunicação, de interação social, porém nunca a solidão, a confusão e o isolamento estiveram tão presentes na vida das pessoas.
Um resposta de Deus
Hoje vemos ainda nos noticiários sofrimentos de todo tipo, na forma de atentados terroristas, pobreza, depressão, ansiedade, etc. A paz é, assim, muitas vezes confundida simplesmente como bem estar emocional, social, político, econômico e militar. Numa atitude desesperada, muitos mergulham nas drogas e em todos os tipos de vícios, em busca dessa paz e desse consolo. Tudo isso pode gerar em nós uma grande crise de fé.
O belo é perceber que Deus não abandona a Sua Igreja. Ele sempre coloca em ação Seu socorro, fazendo surgir movimentos tais como os Focolares, a Renovação Carismática, o Neo-catecumenato e muitos outros. Além desses, o Espirito Santo fez surgir novos carismas como a Canção Nova, que evangeliza pelos meios de comunicação, e a Comunidade Shalom que tem como primazia a evangelização dos jovens.
Crise de fé? Oba, que maravilha!
Uma vez, me pediram para dar uma pregação sobre maturidade humana. Eu fiquei então pensando o que iria dizer, por onde começar, que ideias desenvolver? No momento de oração, veio na minha cabeça uma frase: “Crise de fé? Oba, que maravilha!”
Na hora, me soou um pouco confusa e estranha, mas à medida que fui rezando, fui entendendo que, por trás de uma forte crise no âmbito da fé e da moral, escondem-se também grandiosas oportunidades de crescermos e aprofundarmos nossa relação com Deus, purificando nossas motivações e valores e, consequentemente, nos tornando mais maduros.
Gostaria que esse artigo expulsasse do seu coração todo o medo das crises. Se você vive alguma crise de fé, mas também moral ou existencial, busque um grupo de oração ou algum movimento entre tantos da Igreja. Procure um orientador espiritual, sacerdote ou mesmo um leigo que possa lhe ajudar.
Desejo que Deus possa lhe dar santas oportunidades para que não perca nenhuma ocasião onde possa crescer no seu amor a Ele, tornando-se melhor, mais maduro, mais íntimo e, consequentemente, mais santo. Deus abençoe você sempre. Shalom!
Por Rodrigo Santos
