Ilustrando a passagem de Mateus de forma breve, temos a figura de um homem que reúne seus servos e lhes confia seus bens, pois precisava fazer uma viagem. A um dos servos ele deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu. O talento, no sentido literal, era um tipo de moeda da época. Mas o significado que Jesus busca empregar é outro. Poderíamos comparar o homem com o próprio Deus, que colocando-nos no mundo, nos deu todos os bens para administrarmos, a começar pela própria vida: o maior bem de todos.
O fato é que dificilmente nos damos conta disso. Nas dificuldades do dia a dia, em meio às necessidades que o mundo nos impõe, nós temos a tendência de achar que Deus nos deve algo. Que Ele poderia nos dar mais, e que nada nunca é suficiente. Quando, na verdade, somos nós os devedores. Nós Lhe devemos tudo. Tudo que temos foi Deus que misericordiosamente nos concedeu para que possamos, como narra a parábola, multiplicá-los segundo nossas capacidades. E fica a grande pergunta: o que temos feito com esses talentos que o Senhor nos confiou?
O que temos feito com nossos dons? O que temos feito com nosso corpo? O que temos feito com as pessoas que Deus colocou em nossas vidas? O que temos feito com nosso emprego? O que temos feito com nossos estudos?
Será que, como os servos bons e fiéis, temos trabalhado para multiplicar esses talentos? Ou estaríamos como o último servo, escondendo-os por medo?
Multiplicar os talentos nada mais é do que fazê-los dar frutos. Fazer com que, como filhos, nós honremos nossos pais. Que, como pais, nós eduquemos nossos filhos para a santidade. Que, como trabalhadores, nós possamos ser testemunho para nossos colegas. Que, como vocacionados à santidade, usemos nosso corpo e nossos dons para a glória de Deus. Multiplicar os talentos é, enfim, viver a plenitude da nossa vida, corresponder ao chamado do Senhor com toda nossa vontade.
De fato, não é fácil. É uma luta diária, constante. Mas, como a própria parábola diz, o Senhor nos confiou os talentos segundo a nossa capacidade. Se Ele colocou esses tesouros em nossas vidas, é porque sabia que tínhamos condições de fazê-los frutificar. No mais, precisamos ter sempre nossos corações fixos no fato de que o senhor voltará de viagem e nos predirá as contas sobre seus bens. Ninguém escapará deste encontro. Quando Ele chegar, o que você terá para apresentar ao Senhor?
Que a partir de hoje nós possamos revisar nossa vida e impulsionar nossas forças para sermos melhores ao menos em uma coisa. E, assim, melhorar a cada dia. Pela graça de Deus, multiplicar os talentos que Ele nos confiou, para que ao fim da vida possamos ouvir: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.”
Shalom Recife
Gostei demais dessa reflexao; uma verdadeira exortação.