
Estava (e ainda estou) desempregado, eu me perguntava como iria fazer, afinal, o voluntário tinha que dar uma contribuição de R$300 além de arcar com as passagens de ida e volta e a alimentação. Antes de a JMJ chegar, foram meses de muita oração e espera. Havia um prazo para o pagamento dessa contribuição, era até maio. Sem ainda conseguir o dinheiro, coloquei tudo nas mãos do Senhor, e pedi que a vontade Dele acontecesse. Sentia-me muito confiante, mas o prazo havia terminado e eu não havia conseguido o dinheiro, fiquei um pouco triste, mas segui em frente. Foi então que Deus começou a me surpreender. No dia 15 de junho, recebi um novo e-mail da organização da JMJ, estendendo o prazo até o dia 25 do mesmo mês. Foi uma mistura de alegria, esperança e, principalmente, confiança no melhor. Ao passar o meu aniversário, dia 23 de junho, eu havia conseguido somente metade da contribuição. Com as esperanças prestes a acabar, mais uma vez entreguei os meus caminhos a Deus, e pedi a intercessão da Virgem Maria. Assim, na noite do dia 24 de junho, consegui o restante da contribuição e a passagem de ida para o Rio. Que alegria! No dia 25, fui ao banco e paguei minha contribuição e comprei a passagem de ida, estava “explodindo” de tanta alegria e muito agradecido a Deus. Não restava a dúvida de que a vontade de Deus era que eu fosse voluntariar naquele imenso encontro da juventude mundial com o Papa e com Jesus.
Foram dias de ansiedade até a partida para a JMJ. Durante esses dias, eu continuei tentando conseguir a passagem de volta, sem sucesso. E, finalmente, chegou o dia tão esperado. Fui com total confiança na providência divina, porque só estava com a passagem de ida, loucura para muitos, mas a confiança era maior que tudo. Na manhã de 15 de julho, eu chegava ao Rio de Janeiro, cheio de alegria, ansiedade e na certeza de que Deus agiria muito em todos nós. Era lindo ver tantos voluntários chegando tão alegres, pessoas de tantas partes do mundo. Eu sem saber inglês, ou espanhol, constatava a força que o sorriso tem, o amor é a língua universal!
Uma das experiências que tive foi a de ser sal e luz no mundo através de gestos simples, como sorrir. Estava entrando em um ônibus quando sorri para o motorista e disse “Bom dia!”. Fiquei surpreso com a reação dele. Ele ficou muito feliz, sorriu e me agradeceu pelo que fiz, e pediu que eu repetisse. Percebi que, muitas vezes, todos andam tão apressados que nunca dão importância a atos simples. No mesmo dia, ao ir ao museu, eu e outros peregrinos encontramos uma senhora. Ela observou nossas mochilas, chegou bem perto de nós e perguntou se éramos os meninos da Jornada. Dissemos que sim, ela chorou, abraçou-nos mais de uma vez a cada e um, e disse que Deus estava para fazer uma grande obra a partir da JMJ.
As experiências com Deus foram muito intensas. Para mim, sem sombra de dúvida, o momento mais marcante foi o dia em que o Papa desembarcou no Rio. Lembro direitinho daquele dia, eu estava no cordão de isolamento ao lado de um mexicano e de um peruano, a expectativa era enorme. A hora em que o Papa Francisco passou perto de mim foi o momento mais que emocionante. Imaginem o Papa ali pertinho, diante da minha história e de tudo o que passei para chegar até ali… Naquele momento, pude entender uma parte de uma música que nós, aqui de Ipatinga, tanto cantamos em encontros: “Onde estaria eu, se não fosse o Teu amor Senhor?”
Em um dos dias da JMJ, fui ao Halleluya na Lapa com um amigo voluntário. Ao chegar lá, perdi-me dele e, como sou muito medroso, tentei procurar os amigos que estavam alojados na mesma comunidade que eu. Chovia muito e a Lapa estava lotada. Eu falei assim: “Meu Deus, e agora? Estou sozinho”. Então, Deus me surpreendeu. Um grupo de cearenses, que estava à minha frente, perguntou: “Ei amigo, tudo bem? Está sozinho?”
Quer uma manifestação maior de Deus do que esta? Ficamos conversando e como lá estava cheio, perdi-me deles. Novamente meus medos falaram mais alto, e eu disse: “Poxa, tô sozinho de novo!” De novo, Deus se manifestou. Chegaram perto de mim um equatoriano e um peruano, ao sorrir, perguntaram-me: “bien amigo?” Quanta alegria, ao me sentir cuidado por Deus, Ele jamais nos deixa sozinhos! Na mesma noite, depois de perder o ônibus, um casal, que morava na comunidade onde estava hospedado, ofereceu carona no taxi com eles. Falei para eles que estava sem dinheiro, eles disseram que não havia nenhum problema, eles estavam oferecendo e pagariam o taxi. Era a prova de que a bondade ainda existe.
A JMJ acontecia e eu andava tranquilo mesmo sem ter certeza quanto à passagem de volta para Minas. No dia 27 de julho, olhei minha conta poupança e, para minha surpresa, o abono salarial do PIS havia entrado. No dia 28, fui comprar minha passagem e depois fui correndo ao encontro dos voluntários com o Papa. Mais uma vez, outra experiência fantástica, cada palavra que o Papa falava vinha ao encontro e impactava o meu coração. Uma fala dele que ficou marcada foi: “Tenham a coragem de ‘ir contra a corrente’. E tenham também a coragem de ser felizes!”, com toda essa cultura de morte que vemos por aí. Naquela noite, havia no nosso alojamento o clima de saudades de todos os amigos feitos ali, que o Senhor já havia preparado há muito tempo para todos nós. Estávamos do lado de fora tocando violão, quando um irmão de rua chegou, pediu que cantássemos a música “Brilhará”, do Adoração e Vida. Cantamos e ele fez uma grande pregação, dizia para que não olhássemos a pessoa que está ali, e sim que ouvíssemos o que Deus queria que ele falasse para nós. Foi a voz do próprio Deus nos enviando, naquela noite.
Assim terminou o tempo de voluntariar na JMJ. Voltei pra casa, pra minha realidade, cheio de esperança e alegria, e o melhor: confiando ainda mais no Senhor.
José Gualberto da Silva Júnior
