Formação

O Reino de Cristo

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Cardeal Geraldo Majella Agnelo


Oano eclesiástico chega ao fim e celebra Cristo Rei do Universo. Domingopróximo começa um novo ano. Cada ano é como uma órbita completada emtorno do sol. Para o homem de fé em Cristo, o Filho de Deus veio aomundo para demonstrar à humanidade como é o projeto de Deus a seralcançado pela liberdade do homem: a felicidade eterna.

Oano da Igreja é diverso do astronômico ou civil e do ano escolástico,para contagem do tempo. È a história da salvação revivida anualmente.Tem como pontos culminantes as festas de Natal e Páscoa, e termina coma festa de hoje. A solenidade de Cristo Rei do universo nos dizrespeito, como seus cidadãos de pleno direito.

Oprofeta Daniel 7,13-14, apresenta a visão de alguém semelhante a umFilho de homem, isto é Cristo Jesus, Deus e homem. Jesus se apresentoua Deus que lhe deu poder, glória e reino, e todos os povos o servem. Aíestá a imagem de Jesus ressuscitado, que voltou ao Pai e por Ele foireconhecido rei. Em outro texto profético, o Apocalipse, Jesus échamado “Príncipe dos reis da terra”: príncipe, isto é o principal, omais importante. E ele mesmo se apresenta: Eu sou o Alfa e o Omega, aprimeira e a última letra do alfabeto grego. Esta nova imagem diz queJesus é o princípio e o fim, o fim para o qual cada existência éorientada e encaminhada.

Durantesua vida terrena, Jesus mesmo proclamou-se rei. Diante do Procuradorromano da Judéia, Pôncio Pilatos, à pergunta “Tu és rei?” como se fosseuma culpa, os chefes hebreus lhe tinham entregue Jesus afirmando queele tinha intenção de proclamar-se rei. E o procurador romano tinha,entre seus deveres, tutelar a soberania do imperador romano Tibério.Devia pois combater a auto proclamação de rei dos judeus, considerá-loindivíduo perigoso, condená-lo, eliminá-lo. Jesus ao invés dedefender-se, aceitou o jogo: “Tu o dizes, eu sou rei”.

Queraça de rei era Jesus? Se olharmos os poderosos deste mundo, com quantasegurança e solenidade se movem, falam, decidem o destino dos homens edo mundo. Tudo depende deles. E deles se aproveitam também. Um famosoprotagonista da Revolução Francesa, Louis Saint-Just, terminado naguilhotina, admitia: “Não se pode reinar e ser inocente”.

Jesus,porém, tinha idéias bem diferentes. Explicava a seus discípulos: “Osreis das nações as dominam, e os grandes exercem sobre elas o poder. OFilho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar avida”. A única vez que Jesus foi coberto de vestes reais, foi durante ointerrogatório de Pilatos. Puseram-lhe sobre os ombros um manto realcom a coroa de espinhos, e como cetro na mão uma cana de bambu.

Masos homens e mulheres que aceitaram a realeza de Jesus, fizeram-lhe umtrono em seus corações. Paulo apóstolo dirá que Jesus é escândalo paraos judeus, loucura para os pagãos. O mesmo Paulo escreveu: “Deus oexaltou e lhe deu o nome que está acima de qualquer outro nome: porqueao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e debaixodela, e toda língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glóriade Deus”.

Éevidente portanto e singular o modo de ser rei de Jesus, e singulartambém o seu reino. A Pilatos agradou a resposta de Jesus: “O meu reinonão é deste mundo”. Não é um concorrente perigoso. Jesus rei nãoguerreia com exércitos a posse do mundo. O seu reino compromete aspessoas concretas no seu coração. Projeta-se no futuro: nestaexistência e na outra.

Seolharmos bem, o reino de Jesus é resposta de Deus às inquietudes doespírito humano insatisfeito, inquieto com a idéia da morte, do fim detudo. O reino é resposta explícita de Deus à necessidade irreprimíveldo coração humano, sedento de infinito. O reino de Jesus não seencontra nos mapas do mundo, mas na geografia do espírito. Este reinosingular requer de seus cidadãos, os cristãos, coisas não habituais eimprevisíveis. Manda aos seus uma conquista toda espiritual, todainterior, dominar-se, vencer as forças do egoísmo, do instinto daviolência. Vitória sobre o pecado, sobre o mal. “Reino de verdade e devida, de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz”.


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