Formação

O relacionamento dos pais com a escola

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Maria Auristela B. Alves
Comunidade Shalom

A segmentação da pessoa humana e da sociedade levou a uma cisão entre as pessoas e as instituições. Assim, aquilo que antes era complementação e reciprocidade foi tomando distância. A escola, que antes era responsável basicamente pela transmissão dos conhecimentos sistematizados ao longo da história humana foi tomando o papel que cabe à família: transmitir a ética, os valores, cuidar da saúde, prover alimentação…

A educação é responsabilidade, em primeiro lugar, da família. É evidente que a escola, ao transmitir os conhecimentos sistematizados, o faz segundo o conjunto de valores que elegeu para si. Isso faz com que sua filosofia e ética sejam transmitidas também. Não é verdade que se aprende mais pelo exemplo do que pelas palavras?

Portanto, não é qualquer escola que serve para qualquer criança, adolescente ou jovem. Hoje, devido ao imenso corre-corre em busca da sobrevivência, muitos pais escolhem a escola onde matricular seus filhos de acordo com o quesito tempo: aquela que é mais próxima de casa ou da empresa… Mas essa escolha deve ser levada muito a sério e há mais aspectos a observar que o tempo que se gasta para lá chegar.

Há pais que são católicos e matriculam os filhos numa escola protestante. Não se trata de uma “briga religiosa”, mas de doutrinas e visões de mundo que são diferentes. Outros que não são católicos, matriculam seus filhos em escolas confessionais e não querem participar do que a escola oferece. Outros que, sendo profissionais da educação, dizem que seguem uma linha de trabalho mas seus filhos estudam em escolas que seguem outra linha. Que contradição!

Pode parecer banal, mas o choque de conceitos é sério. Imagine uma criança que em casa é educada para a cultura do perdão e na escola as contendas são resolvidas segundo o revide (bateu, levou). Como fica a cabeça dela? Que valor vai consolidar?

É por isso que, antes de matricular os filhos, os pais devem visitar a escola, conversar com diretores, coordenadores, professores, funcionários, alunos; ver um pouco da atividade destes em sala e no recreio a fim de identificarem a concepção teórica de educação e como isso se dá na prática. Só então, certos de que compartilham os mesmos valores, deverão efetuar a matrícula dos filhos nessa instituição.

Depois da matrícula não acaba o papel dos pais. Eles devem acompanhar a vida escolar dos filhos, interessando-se para saber o que aprenderam, o que aconteceu de novidade a cada dia, comparecendo às reuniões e às festas, ajudando nas tarefas de casa, conversando com os professores quando houver qualquer dúvida ou necessidade, enfim, sentindo-se co-responsáveis pela vida estudantil de seus filhos.

Nos últimos anos tem havido no Brasil campanhas no sentido de levar a família para dentro da escola. Isso é fundamental! Como eu disse antes, a educação é responsabilidade, em primeiro lugar, dos pais. É curioso como alguns pais entregam o filho à professora como se lhe dessem o papel também da maternidade, permitindo, inclusive, bater nele como forma de corrigi-lo. Ainda acontece isso! E, porque os pais não levam os filhos para o oculista, dentista ou pediatra, a escola tem desempenhado este papel que não lhe compete: tira a criança da sala de aula e a leva para o posto de saúde para que receba esses cuidados.

É preciso que cada pai e cada mãe tenha claro o seu papel e o papel da escola. Esta não existe para substituir, mas para ajudar, acrescentar, enriquecer o da família. Assim, de braços dados, como parceiros, colaboradores e não opositores ou substitutos, a educação se dará da forma como deve ser. Quem ganhará com isso será a sociedade inteira, esta e a que virá.


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