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O risco de uma vida fake

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Sentir-se amado por Deus é o que o Cristão tem de mais diferente. É isso que ele deve transbordar. Um exercício sadio é perguntar-se: o que quero receber com essa foto que estou postando? Ou melhor: o que eu quero dar?

Nem tudo, no ambiente virtual, é oportunidade para os evangelizadores. Conectar-se algumas vezes será arriscado. Por isso, seguindo o nosso caminho, vamos falar de um risco do ambiente virtual: uma vida fake.

facebook_lupaJá pensou que aquele seu “amigo” virtual pode não ser ele? Aquelas fotos não são ele, foram postadas, mas não são originalmente dele. O João pode ser o Rafael ou até a Cristina. (O_o) Isso pode acontecer na web porque algumas pessoas nós conhecemos lá e somente lá é que nos relacionamos com elas. Nunca as vimos offline. Quando a pessoa usa um nome que não é seu, chamamos de um perfil fake (falso).

Algumas pessoas criam perfis fake, seja com fotos e informações de celebridades seja com um nome fictício, para sentirem-se mais aceitas pelas outras. Há uma carência afetiva enorme por trás de tudo isso.

Por outro lado, temos ainda aqueles perfis verdadeiros que pagam para empresas a fim de que mostrem o que não são. Algumas empresas trabalham com venda de curtidas para o Facebook, por exemplo. Um pacote de 5 mil curtidas pode custar cerca de R$ 700,00. E aí, sua foto ou seu perfil “bombam” na rede. “Agora sou um sucesso!”, pensam alguns. Ainda há a opção de “comprar” sua BMW fake e fazer as montagens para que todo mundo pense que você é rico. Acredita?

Com tudo isso, não tenho intenção de demonizar as redes sociais. Desses usuários, não tenho medo, mas compaixão. No Facebook, por exemplo, menos de 10% dos perfis são fakes. E mais: não precisamos ir para a internet para viver uma vida fake…

Eu sou um fake?

E você, é um fake? Claro que não!, responderiam alguns. Não estou perguntado se a foto do seu perfil não é você, mas se realmente você expressa o que realmente você é ou tenta parecer outra pessoa… Quando vemos os exemplos acima, ficamos assustados ou, até, surpresos. Como pode uma coisa dessas? Mas precisamos olhar para nós primeiro. Como estamos nos relacionando nas redes sociais?

O cristão precisa transparecer o que acredita. Quem se sente amado por Deus, não precisa choramingar pela quantidade de amigos ou curtidas do Facebook. No relacionamento com Deus, somos imersos no coração dele e lá experimentamos da alegria que nenhuma foto com 5 mil curtidas pode dar. É isso que nos garante uma vida autêntica, pois, diante Dele, somos o que somos, não temos como esconder, nem mudar a foto, nem contratar um serviço que eleve nosso conceito com Deus. É na verdade que Deus me ama! Já dizia Santa Teresinha: “Eu sou o que Deus pensa de mim”. E o pobrezinho de Assis, que dizia: “O homem vale o que é diante de Deus e nada mais”.

Sentir-se amado por Deus é o que o Cristão tem de mais diferente. É isso que ele deve transbordar. Um exercício sadio é perguntar-se: o que quero receber com essa foto que estou postando? Ou melhor: o que eu quero dar?

Sinceramente, não entendo as motivações do coração em alguns tipos de foto que postamos, alguns comentários etc. Eles parecem não ter diferença nenhuma dos perfis fake: desejo de afirmar-se, de ser elogiado, de crescer na opinião das pessoas ou de despertar desejo, mesmo que eu não queira corresponder. No fundo: sentir-se amado por alguém.

Nas redes sociais, o mandato evangélico não muda. Não há um novo Evangelho para ser utilizado na web. É o mesmo de sempre. Por isso, nossa missão neste novo continente é ser “sal e luz”. Não somos chamados a fazer igual ao que todo mundo faz, somos chamados a ser diferentes e, para isso, precisamos sê-lo fora do ambiente também.

Alguns poderiam pensar que estou convidando a tornar o perfil um museu-sacro, com fotos de Jesus e Maria e um monte de mensagens bíblicas. Não adianta só frases bíblicas no seu perfil. Não adianta só foto de Jesus e da Virgem Maria. Isso é bom também, mas o convite que estou fazendo é: expressar o que você vive. Quando saímos com nossos amigos, só falamos de Deus? Não! Falamos também de outras coisas da vida, Deus está nas entrelinhas, porque Ele está em tudo! Essas coisas expressam a opção que eu fiz. É isso que deve ser o forte nas nossas redes sociais.

Quando vejo um jovem cristão que reza, que sai com os amigos, que faz esportes, que namora castamente etc., me fala muito mais do que simplesmente aquele que põe um versículo do Evangelho, ou, do contrário, aquele que põe uma foto tão sem pudor que me dá vergonha de ver.

Franco M. Galdino
Missionário da Comunidade Católica Shalom

(artigo originalmente publicado na Revista Shalom Maná)


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