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O sacerdote na Expedição Ribeirinhos no Marajó: uma presença fundamental

Além de atendimento médico gratuito e a promoção de atividades querigmáticas para as crianças, Expedição leva os sacramentos aos ribeirinhos.

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Padre Matheus Braga confessando em comunidade ribeirinha do Marajó. Imagem: Comunicação Expedição Shalom

Desde o dia 23 de fevereiro, a Expedição Renascer Chaves-Ribeirinhos começou as atividades da primeira etapa da sua ação voluntária, visita às comunidades ribeirinhas do município de Chaves. A segunda começa a partir do dia 26, quando retornam à sede de Chaves (região urbana) para servir no Renascer, retiro de carnaval da Comunidade Shalom.

Ao longo dos últimos dias, o grupo de voluntários visitou três comunidades ribeirinhas que pertencem à região do Rio Ubussutuba (afluente do Rio Amazonas), são elas: comunidades São Benedito, Nossa Senhora de Nazaré e Santa Teresinha.

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Nessas localidades, a Expedição ofereceu serviços médicos gratuitos, realizou momentos de evangelização e dinâmicas para as crianças, mas entre as diversas atividades desenvolvidas, uma em especial recebeu destaque: a atividade ministerial do Padre Matheus Braga, sacerdote da Comunidade Vida Shalom.

Acontece que a maioria das cinquenta e quatro comunidades ribeirinhas do município recebe os sacramentos apenas uma vez no ano pelos dois sacerdotes da Paróquia Santo Antônio da Prelazia do Marajó-PA.

Ver o rosto do Pai nos pequeninos

Antes de chegar em solo marajoara, Pe. Matheus partilhou com o comshalom.org que suas expectativas eram de ter uma experiência de cura semelhante à da passagem de Marcos 8, 22-26. A cura, a que ele se refere em sua vida, é a de enxergar Jesus mais nitidamente. 

“Tal cura se realizará através dos pequenos (cfr. Mt 11, 25)”, acredita ele. 

Vou me unir e fazer comunhão com esses pequeninos de Deus, aqueles que Jesus pode revelar o rosto do Pai com certa naturalidade“, afirma o sacerdote.

Pe. Matheus Braga ao lado de família ribeirinha. Imagem: Expedição Shalom

Dispenseiro de Deus 

 “Me alegro de fazer comunhão com esses, de ‘ser Jesus’ para eles também. Sei que eles passam um bom tempo sem receber a Eucaristia e os outros sacramentos. Se eles têm o desejo de recebê-los, eu penso também na alegria de Deus de poder dar esses dons a eles. Minha alegria será a de ser ponte entre Deus Pai e os seus filhos. Como diz Santo Agostinho em um de seus escritos: eu trabalho na dispensa de Deus. O dono dos alimentos (que são os sacramentos) é o próprio Deus, eu apenas os comunico aos seus filhos.” revelou o sacerdote, antes de viajar.

Uma presença fundamental

Dilma França, responsável pela missão de Chaves, define o que significa ter um padre participando da expedição: “É uma grande graça, é um grande presente de Deus, porque o nosso objetivo é evangelizar e o maior dom que nós podemos dar para os nossos irmãos é levar o próprio Jesus“.

Além da celebração eucarística, Pe. Matheus também está ministrando outros sacramentos, como reconciliação, unção dos enfermos.

Sem a presença do sacerdote, não faz sentido a gente realizar uma expedição, porque a gente vai levar apenas atendimento médico, os remédios, brincar com as crianças, mas o essencial que é a presença de Jesus, a gente só pode realmente oferecer se nós tivermos o sacerdote conosco, então a presença do padre Matheus Braga conosco é algo assim, fundamental”.

A missionária que mora há mais de dez anos na região esclarece que a necessidade da presença de um presbítero durante a atividade expedicionária é fundamental, pois são mais de cinquenta comunidades ribeirinhas do município de Chaves–PA que os sacerdotes da Paróquia Santo Antônio têm que visitar anualmente. 

Para eles – comunidades ribeirinhas – ter a presença do Padre é algo indescritível, porque eles esperam o ano todo”, destaca Dilma.

Desafios da evangelização 

Em entrevista ao comshalom.org, o vigário paroquial de Chaves, Padre Abimael Oliveira, destaca três desafios que sofrem para visitar mais de uma vez no ano cada comunidade: a extensão do município/Paróquia; quantidade de comunidades; dificuldade geográfica para locomoção. Esta última, ele esclarece, ocorre devido às mudanças climáticas das localidades. Para a maioria das comunidades, é preciso esperar a chegada do inverno, para evitar viagens fluviais com maresia (ventania forte). Enquanto para outras só é possível viajar durante o verão, por terra.

Padre Abimael Oliveira, vigário paroquial de Chaves-PA, é o 14º sacerdote marajoara. Imagem: Expedição Shalom

Diante desses desafios e da necessidade de evangelização na região, para o vigário, a Expedição atua como instrumento de renovação da fé do povo.

Uma vez que, por conta das dificuldades de locomoção e da quantidade de comunidades, as visitas pastorais acontecem em um curto período, impossibilitando a atenção devida que eles merecem – sem contar a falta de missionários. Muitas vezes, o Padre vai sozinho sem ninguém para ajudá-lo. Então, ter missionários que visitem as casas, rezem com eles e os escutem faz toda diferença”, afirma Pe. Abimael.

 

Serviço:

Expedição Renascer Chaves-Ribeirinhos

Data: 20 de fevereiro a 6 de março
Local: Comunidades ribeirinhas e Espaço de Paz
Acompanhe a Expedição por meio do Instagram: @shalomchaves


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