Formação

O Segredo da espera no tempo do Advento

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E aí, o que você espera?

Advento é tempo de espera, mas esperar o quê? A manifestação do Salvador! Seja celebrar e fazer o memorial da sua primeira vinda, seja a expectativa da sua segunda vinda no tempo e na História para o julgamento dos vivos e dos mortos.

Espera é uma palavra um pouco fora de moda. No entanto, se nós conhecêssemos melhor os mistérios nela escondidos, reconheceríamos a sua elegância.

Nós esperamos, como ensina o Papa Francisco, o Deus-que-vem. Porque o nosso Deus é assim, está sempre vindo, sempre nos surpreendendo com a sua chegada. E ela é certa como a aurora, certa como a chuva na primavera. Ao mesmo tempo é imprevisível tal qual a carta querida, que chega quando menos pensamos. 

A espera cristã é exatamente assim. Você sabe que o remetente enviou a carta, sabe que ela vai chegar, mas não sabe o dia nem a hora. Por isso devemos estar sempre preparados. A nossa vigilância é apaixonada, como aquela jovem que a cada cinco minutos volta à janela para saber se o seu amado já chegou.

Como aprender a esperar?

Como tudo na vida, precisamos aprender a esperar. E nós aprendemos com as coisas mais simples da vida. Esperar o pão crescer, para depois esperar assar; esperar um ônibus, esperar uma dor passar, esperar alguém que come mais devagar terminar.

Quando diante dessas esperas nós nos inquietamos, nos agitamos ou tentamos escapar, é sinal de que ainda não estamos prontos para esperas maiores.

Um exemplo mais que atual

Nesse ano de 2020, tivemos forçadamente que entrar em nossas casas e esperar uma pandemia passar, e ainda estamos esperando.

Percebemos que nem tudo está nas nossas mãos, na verdade as coisas mais importantes não estão. Nós as recebemos de graça depois de um tempo de espera.

Um exemplo é a vida, não escolhemos nascer, nem podemos evitar a morte. Outro exemplo é o amor, não está ao nosso alcance que a pessoa que amamos nos corresponda igualmente. Podemos amá-la, decidir-nos por ela, mas se seremos amados ou não da mesma forma, depende do outro e não podemos fazer nada. Outros exemplos são: uma mãe que espera um filho, a espera de uma resposta vocacional.

Viver na esperança com o que temos agora

Talvez seja exatamente isso o que mais nos incomoda na espera. A sensação de não poder fazer nada para diminuí-la.

É apenas uma sensação. Porque existe uma coisa que podemos fazer em nossa espera: curti-la. Exatamente como ela é. Saboreá-la, transformar  o movimento acelerado e inquieto dos pés em sapateado.

A grande virada está no jeito de aproveitar

Já pensou se quem espera por um emprego saísse para procurá-lo, curtindo o momento de poder mostrar ao mundo o que ele sabe fazer de melhor, e até como ele é capaz de inovar e aprender rápido coisas novas? Se visse isso mais como uma oportunidade de conhecer pessoas e desbravar as coisas ao invés de ver como uma ameaça às suas seguranças?

Imagine se quem espera por um grande amor começasse a tornar grande o seu amar, alargasse o seu olhar para acolher todo o amor que recebe e transbordasse em gentileza para com os idosos, alegria para com as crianças, compreensão para com os adultos e segurança para os jovens? Tornar-se-ia uma pessoa tão amável que, de improviso, enquanto ajuda alguém, encontraria quem tanto esperou.

Agora, pensemos um instante. Nós esperamos um Deus-que-vem certamente. Como esperá-lo? Não apavorados, tímidos ou acabrunhados. Mas curtindo a espera como filhos que fazem da própria vida uma “festa surpresa” para quando o pai chegar.

Eis o advento. Eis a nossa chance de aprender a fazer desta vida uma espera deliciosa, embora muitas vezes dolorosa, de uma vida eterna com o nosso Deus-que-vem.

 

Lívia Pereira Pinto

Missionária da Comunidade de Vida Shalom


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