
O retiro recomeça. É o segundo dia.
Cedo as portas já estão abertas. Os corações ainda nem tanto.
Como um amigo recém reconciliado, quem chega ainda faz cerimônia.
Com aquele olhar meio bobo de reencontro.
Meio sem jeito, a distância parece ser uma boa estratégia.
Prefere ficar quieto. Mas já percebe que não é o mesmo de ontem.
As danças já são familiares. Reconhece rostos na multidão. Arrisca um abraço.
Acaba agitação, assim como ontem, Ele está por vir – pensa consigo.
Chega o momento. E o coração sabe. Como se desde sempre O aguardasse..
O olhar é de longe. O sorriso discreto.
Mas se entreolham. Ele fita-o. Como aquele jovem tão rico, tão pobre.
Sem saber ao certo como puxar assunto, o silêncio se faz diálogo.
E quem diria, a falta de palavras não é problema.
Na melodia da lágrima que, lentamente cai, o verbo é amar
Percebe não ser sentimentalismo. Se faz carne.
Mistério escrito, experimentado. Vivo, ressuscitado.
Adorado e adorador. Dois distantes. Dois amigos. Sem cerimônias.
Chegam a se despedir fisicamente, mas não há separação.
Não. Não é impossível. Para Ele, não. Sabem disso.
O retiro continua. Palestras, cursos, novos amigos.
Nada é como ontem.
E se pergunta se depois será.
Quem prova está renascendo. Recomeça.
E ainda não acabou.
Quarta continua. Nunca termina.
Por Felipe Ramos