A vida sempre segue seu rumo e a gente também. Feliz, ou nem tanto,vamos de sol a sol, fazendo tudo o que temos que fazer. Como padre lido diariamente com as misérias humanas e as minhas também.
Mas o retiro me ajudou a reavaliar minha trajetória e perceber que haviam coisas faltando. Não fui pra lá por me sentir fraco ou porque minha vida estivesse ruim. Na verdade foi um dos melhores anos de meu ministério, porém, esse encontro me fez ver que muitas vezes no muito fazer eu vivi pouco a intimidade com Deus.
Rezava, mas não dava abertura a Deus e não sofria. Não sei se me entendem, mas a verdade é essa: vivia um sacerdócio cômodo, sem dor e sem lágrimas. Achava que isso era bom, mas esse era meu engano. As pregações e orações me fizeram ver como é medíocre um padre que se acomoda com a segurança do ministério e não é capaz de chorar as lágrimas de Jesus pelo seu rebanho.
Na hora isso me feriu e feriu meu orgulho, entretanto, durante o Batismo no Espírito Santo, Deus mostrou que um dos maiores dons que Ele me deu, foi o de sentir a dor do meu povo, o Seu povo. Me mostrou que esse é caminho que devo percorrer para santidade. Sofrer a dor e me doar como Cristo. Não são apenas as obras bonitas e as pregações eloquentes, mas o sacrifício de oração.
Jesus venceu e me sinto livre como a muito tempo não me sentia. Nosso Senhor, em meio as dores e renúncias que me pediu, pôs um sorriso no meu rosto.
Muito obrigado ao Shalom por mais uma vez me ajudar a ser um padre melhor.
Pe. Gustavo Cinne