
Na parte gramatical a sua descrição: “SENTIDO: adj. 1. Pesaroso, triste. Magoado, ressentido. 3. Em princípio de putrefação. sm 4. Fisiol. Faculdade pela qual se percebem , pela sensação de órgãos específicos, sensações de origem interna ou externas. Há cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e gustação. 5. Senso. 6. Propósito, objetivo. 7. V. Acepção. 8. Atenção. 9. Direção, rumo.
Como vemos, há uma lista de significados. A pergunta é: “Como relacionar isso tudo com a vida do jovem de hoje?”
A nossa palavra chave ecoa para muitos um sentido pesaroso, triste, magoado, ressentido, gerando uma grande perturbação, pois o futuro vai se tornando algo escuro, no qual o medo é o rei. As dores de suas perdas, das incompreensões sofridas, parecem não dar rumo à felicidade futura, mas à dor futura. Entramos, então, no significado forte da palavra sentido, o jovem entra no estado de putrefação. Um estado assumido pela retenção de sua vida em si mesmo. O jovem mantém a verdade de que o sentido da sua vida está na vivência dos prazeres, pois o amanhã é uma incógnita. Assim, ele beira à paralisação, e o essencial se perde. Nunca olham para dentro de si, a sensação exterior é muito mais prazerosa do que a interior. Todavia, eles sempre voltam a querer respostas para o impulso que está vivo no coração: o desejo de felicidade.
A palavra “sentido” não é somente um estado de percepção, sensação ou estado emocional, mas é ter um propósito, um objetivo, ir na direção certa. Na verdade, é ir ao encontro de sua humanidade. E o mais profundo da “humanidade do homem” é Deus. Por isso, hoje para o jovem encontrar o sentido de sua vida, o sentido de um rumo certo, fora de um estado de putrefação, é necessário que ele volte todos os seus sentidos (escutar, falar, sentir, cheirar, amar) para conhecer a verdade do ser mais profundo. Muitas pessoas dizem que os jovens não se interessam por isso. Não há dúvida de que a superficialidade da vida deles os incomoda, por isso é excitante saber o que realmente é a vida.
Por que tudo isso? Há algum tempo, em uma evangelização, um rapaz de 13 anos, que estava quase nesse estado de paralisação, confessou para mim o quanto gostaria de descobrir o sentido de sua vida. Diante desse anseio, fiquei meditando, questionando-me acerca dos labirintos sombrios e vazios em que os jovens vão se perdendo, embora desejem apenas uma direção certa. O sentido deles hoje está confundido pelo excesso de informações que os cercam. Esse garoto me fez perceber quanto o sentido é algo tão precioso para o homem, e como para enfrentar os desafios deste tempo é necessário deixar que o sentido seja o cheiro da felicidade impelida dentro desses corações.
Flávia Barreto