No Dia Mundial dos Pobres, Francisco celebrou a missa na Basílica de São Pedro com a participação de milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. Na homilia, exortou os fiéis a romperem a “surdez interior” que impede de ouvir o grito de sofrimento dos mais frágeis. E convidou a refletir sobre o que fazer diante da III Guerra Mundial.
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A crise, explicou ainda Francisco, é abertura, enquanto o mau espírito trabalha para que a crise se torne conflito. “Não podemos ficar – como aqueles de quem fala o Evangelho – a admirar as belas pedras do templo, sem reconhecer o verdadeiro templo de Deus, o ser humano, o homem e a mulher, especialmente o pobre, em cujo rosto, em cuja história, em cujas feridas está Jesus. Foi Ele que o disse… Nunca o esqueçamos!”
O Papa convidou cada um a se interrogar: “Diante desta III Guerra Mundial tão cruel, diante da fome de tantas crianças, de tantas pessoas: eu posso desperdiçar, desperdiçar dinheiro, desperdiçar a minha vida, desperdiçar o sentido da minha vida sem tomar coragem e ir avante?”
Harmonia e cuidado
No discurso aos membros da rede de farmacêuticos “Apoteca Natura“, o Papa disse que eles desempenham “uma forma criativa de fazer negócios e gerar emprego a partir de uma intuição integralmente ecológica, uma intuição que responde à necessidade prioritária hoje de reencontrar uma nova harmonia entre nós seres humanos e a criação”.

Harmonia é um conceito que está no coração do Papa e possui, segundo ele, “um elevado valor teológico e espiritual. Pode até ser considerado um nome de Deus, porque o próprio Espírito Santo é Harmonia“, sublinhou Francisco. Segundo o Pontífice, a criação como tal, isto é, feita por Deus que é harmonia, reflete o desígnio do Criador e, embora intimamente marcada pelo mal que a poluiu, aspira sempre ao bem e à harmonia. “Na esperança de Deus, esperança de salvação e comunhão, se refletisse na sua criação”, completa.
Francisco concluiu, dizendo “que cada um, em sua própria função, pode contribuir para difundir a cultura do cuidado”, e agradeceu aos membros da rede de farmacêuticos “Apoteca Natura” pelo que fazem em seu campo de trabalho, “tentando também dar uma contribuição concreta para o crescimento de uma economia diferente, uma economia centrada na pessoa e no bem comum”.
Brasileiro é nomeado secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida
O Papa Francisco nomeou secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida o brasileiro Gleison de Paula Souza, professor de Ensino Religioso na Escola de Ensino Médio “Antonio Vallone”, em Galatina, sul Itália. Ele substitui o brasileiro pe. Alexandre Awi Mello nomeado, em agosto passado, superior geral do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt.

Gleison de Paula Souza nasceu em 14 de maio de 1984, em Minas Gerais. Obteve o Bacharelado em Teologia na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma, em 2015, e o Mestrado em Ciências Filosóficas, em 2019, na Universidade de Salento, em Lecce. De 2005 a 2016, foi membro da Congregação da Pequena Obra da Divina Providência. É casado e pai de duas filhas.
“The birth”, um filme sobre o Santo André Kim Tae-gon
Antes da Audiência Geral desta quarta-feira (16) na Sala Paulo VI, o Papa Francisco encontrou cerca de 30 pessoas da Coreia do Sul, entre produtores e atores do filme “The birth”, sobre o Santo André Kim Tae-gon, o primeiro sacerdote e mártir católico coreano. O grupo, que ouviu um breve discurso feito espontaneamente pelo Pontífice, estava acompanhado do cardeal Lazzaro You Heung-sik, prefeito do Dicastério para o Clero; o reitor do santuário dos santos mártires que o Papa visitou em agosto de 2014; e também a criança, hoje uma menina, que naquela oportunidade ofereceu uma rosa de prata a Francisco.
Uma prévia da obra cinematográfica foi apresentada na quarta-feira (16), na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano. A exibição acontece após a coletiva de imprensa na semana passada e antes da estreia nas salas da Coreia do Sul no próximo dia 30 de novembro. O filme, do diretor Park Heung-sik, é estrelado pelo ator principal, Yoon Si-Yoon.
“Por que estamos desolados”
Na Audiência Geral desta semana, o Papa retomou as catequeses sobre o discernimento e falou sobre a desolação que “pode ser ocasião de crescimento. A desolação é também um convite à gratuidade, a não agir sempre e unicamente em vista de uma gratificação emocional. Estar desolados oferece-nos a possibilidade de crescer, de começar uma relação mais madura, mais bela, com o Senhor e com os entes queridos, uma relação que não se reduza a uma mera troca de dar e receber“.
Confira o vídeo:
“Portanto, diante das dificuldades nunca devemos desanimar, mas enfrentar a provação com decisão, com a ajuda da graça de Deus que nunca nos falta. E se ouvirmos dentro de nós uma voz insistente, que nos quer distrair da oração, aprendamos a desmascará-la como a voz do tentador; e não nos deixemos impressionar: façamos simplesmente o contrário do que ela nos diz”, concluiu o Papa.
Novas aberturas da Causa de beatificação e canonização
Foi divulgado pelo Dicastério para as Causas dos Santos a abertura de dois novos processos de beatificação, um é do Servo de Deus Dom Helder Câmar, brasileiro e o outro é Servo de Deus Cardeal Gilberto Agustoni, um suíço que em 1950 foi chamado a Roma para servir a Santa Sé. Ele realizou um trabalho em muitos e variados encargos de confiança em vários Dicastérios Romanos, ganhando a confiança de vários Pontífices, a começar por Pio XII.
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Papa se encontra com jogadores de futebol
O encontro do Pontífice com os atletas, foi na Sala Paulo VI, no Vaticano, antes do jogo no Estádio Olímpico, em Roma. “São pequenos gestos, mas são sementes, são sementes de paz, são capazes de mudar o mundo, porque são sementes de paz“, disse Francisco ao agradecer a participação de todos pelo apelo urgente pela paz.
O grupo é formado por cerca de 200 jogadores de futebol, familiares e amigos. Entre eles, o brasileiro Ronaldinho, que está em Roma para participar da Partida pela Paz no Estádio Olímpico, promovida pela Fundação Pontifícia Scholas Occurrentes logo em seguida ao encontro com o Pontífice no Vaticano.
“Agradeço a todos vocês que vêm de diferentes lugares, e lugares distantes, para jogar uma partida: uma partida, sim, mas uma partida pela paz!, isso é importante. Basta pensar que as maiores despesas do mundo hoje são da indústria de armas. Porque sempre se pensa em fazer guerras para destruir. Vocês pegaram o seu tempo para vir e fazer a gratuidade da paz.”
Falar sobre a paz é um assunto recorrente do Papa Francisco, em especial, pedindo paz e fim das guerras.
Permaneçamos sempre próximos de nossos irmãos e irmãs da martirizada Ucrânia. Próximos com a oração e com a solidariedade concreta. A paz é possível! Não nos resignemos à guerra.
— Papa Francisco (@Pontifex_pt) November 13, 2022
A terceira edição do jogo com várias estrelas do futebol mundial tem como slogan #WePlayForPeace, um apelo urgente pela paz, como pede o Papa Francisco, numa ocasião para também recordar e celebrar Diego Armando Maradona, que tantas vezes participou do evento. Uma participação simbólica caracterizada por “gestos de proximidade, gestos de amizade, gestos da mão estendida, sempre“, disse o Pontífice, ao acrescentar:

