A cada repentino olhar para o mundo, percebe-se uma idolatria dos tempos modernos direcionada ao deus dinheiro. O céu deixou de ser o paraíso para se tornar a conta bancária com alto rendimento, a economia mundial expulsou as maravilhas do coração do homem e colocou no seu lugar o dinheiro. A expectativa de vida que tinha o nome de felicidade passou a ser chamada de riqueza, possuir, poder.
Assegurar a felicidade em algo tão pequeno como a moeda é saber que a alegria tem prazo de validade até a primeira desvalorização que ela tiver na economia. A sociedade encontra uma miragem da felicidade por meio do que se que pode comprar, fazendo com que seja esquecido o oásis de felicidade que se esconde no que se deve ser. Diante da exaltação do dinheiro na sociedade, ser pobre é crime, é marginalismo, pois, ninguém compra a ‘pobreza’, mas ‘pode comprar a felicidade’.
A idolatria ao dinheiro, este bem dinâmico para economia e estático para a eternidade, torna o homem semelhante a ele: cego, surdo, mudo e paralítico. A comprovação deste fato é a vida pública das pessoas de maiores poderes no país e no mundo. A vida pública destes homens e mulheres reflete o que o dinheiro e o poder colocam como essência: tudo que se é, tudo que se tem, tudo que sabe e tudo que pode são apenas para si. Enquanto o mundo gira permeado de desordens, o dinheiro paralisa a vida em si mesmo fazendo com que a dor do mundo inteiro seja ignorada, tornando o grito de agonia do mundo silencioso.
O mundo está acomodado a viver de desejos, não de necessidades. O supérfluo que sacia o desejo próprio insaciável retira o que era necessidade para o outro, isto é roubo! Da mesma forma que a vida é feita de detalhes, a morte também é. Ter um olhar crítico sobre o detalhe daquilo que é supérfluo, que gera a morte, faz com que seja percebida a quantidade de ladrões e assassinos na sociedade. O calibre do egoísmo mata mais do que se pensa, principalmente quando a arma que o dispara é o dinheiro.
O objetivo final do dinheiro na vida do homem precisa ser elevado de “cultivar e guardar”, para “prover e proteger”. Da mesma forma que o homem e a mulher doam de si para que seja trazida ao mundo uma nova vida, é necessário que a partilha dos bens seja o ato da concepção da esperança daqueles que não precisam de seus desejos saciados, apenas as suas necessidades. Todos terem a mesma coisa não é a resposta. Tudo é devido conforme a necessidade de cada um. A ausência de dinheiro não torna ninguém medíocre, mas ao mesmo tempo, eleva a dignidade do mundo por não permitir que se tenha necessitados nele, a partir do momento que tudo é compartilhado.
Lucas Silva
Postulante da Comunidade de Aliança