Temos vivido num tempo onde ele torna-se cada vez mais escasso, onde sempre nos espantamos com dizeres: “Aí, se o dia tivesse 25, 26 horas”, ou “eu não tenho tempo”. Particularmente, tendemos a dizer essas coisas para as questões de Deus e para a nossa conversão. Esquecemos nesse processo que o tempo é uma criatura divina e que não podemos ser senhor dele, mas nos organizarmos para bem viver cada coisa, somente assim poderemos dar a Deus o que é de Deus e a Cezar o que é de Cezar. Além disso, por querermos ser senhores do tempo e utilizá-lo ao nosso prazer, esquecemos que é esse tempo que temos para cuidar, amar, ouvir, perdoar, estar perto e fazer muitas atitudes boas e evangélicas.
Mas, por queremos viver o tempo ao nosso prazer, preferimos nos fechar no nosso trabalho, nos nossos bens e comodidades, assim esquecendo da melhor parte que são os momentos com os outros, principalmente com o Outro, Deus. Por fim, para nós que somos cristãos, o tempo é o local por excelência que temos para nos encontrar, relacionar e amar a Deus. Muitas vezes por pensarmos mais em nós mesmos, nos sofrimentos que iremos viver, nas coisas que iremos deixar acabamos dando várias desculpas para não encontrarmos com Ele e nem para O buscar, imagine para se converter. Por isso, é fundamental para nós, cristãos, batizados, termos sempre em mente a vivência do hoje, para que a morte não nos pegue desprevenidos e assim não tenhamos o amanhã.
No tempo atual, o amanhã se tornou algo tão normal e banal, principalmente, por não termos uma decisão firme, por conta disso deixamos as coisas mais difíceis, mais exigentes, mesmo sendo coisas lícitas e belas, como a saúde, a família e a conversão para depois, para amanhã. Isto acontece principalmente por termos uma tendência a nos concentrar no trabalho, nos descansos, que é lícito, mas que podemos ofertar, no egoísmo, na comodidade e assim nos esquecemos de viver o hoje, deixando para o amanhã que nem sabemos se iremos ter. E quando se trata de Deus, mesmo que o amanhã se torne uma rotina, um amanhã quase eterno que deturpa e destrói o homem levando-o a um afastamento terrível de Deus.
O amanhã torna-se um vírus
O maior desastre deste amanhã se dá quando o Belo Ladrão vier num momento inoportuno e assim não ter mais como existir a mudança de atitudes e de conversão do coração. Por isso, que o amanhã num relacionamento com Deus é muito destrutivo, pois nos leva a adiarmos a nossa conversão e assim a nossa salvação, fazendo com que percamos pouco a pouco o amor a Ele. Por fim, este amanhã torna-se um vírus que, começando pela vontade, vai gradativamente destruindo o homem por inteiro levando-o a ser um homem de vontade fraca, com a inteligência voltada para as facilidades e com as outras áreas do homem preferindo o mais cômodo, o mais prazeroso. Tornando-se assim presa dele mesmo.
Já o hoje é a manifestação concreta de Deus, o momento onde podemos, por meio das nossas escolhas, viver a eternidade, pois ao vivermos o hoje com amor, saindo de nós mesmos e indo ao encontro do outro, gozaremos aquilo que viveremos na eternidade, estar totalmente voltado ao Outro. O hoje é também manifestação concreta de Deus, pois ao nos deparar com a realidade atual, podemos ter dois movimentos, um de fuga perante as responsabilidades e desafios, que vai deixando-nos de nos unir a Deus, e outro de aceitação e decisão, que além de nos tornar mais humanos, vai também nos unindo a Deus e assim nos fazendo experimentar Dele.
O hoje é expressão do amor a Deus
Como aconteceu com Santo Expedito que ao ouvir falar de Jesus buscou conhecê-lo mas foi deixando a conversão, da vida mundana que ele tinha, sempre para amanhã até que num determinado dia por meio de um sonho, onde teve um experiência com o mal, que o mandava sempre deixar para amanhã a conversão, ele começou a se decidir em cada momento da sua vida por Deus, chegando assim ao martírio e foi por meio dessa decisão no hoje que ele encontrou a plenitude da sua vida.
Além de Expedito, Santa Teresinha do Menino Jesus também tratou do hoje como expressividade concreta do amor humano a Deus, mostrando por meio de sua vida, mais adiante das cartas e poemas, demonstrando que só temos o hoje para amar a Deus e que é na concretude da vida, amando o irmão, ofertando a minha vida e vontade e por meio do acolhimento das provas dadas por Ele. Ela também nos mostra que o ontem já passou e que por isso não temos como voltar e refazer o que fizemos e que o amanhã eu não saberei se conseguirei amar, mas o hoje, é preciso ter certeza da decisão pelo amor.
Nossas escolhas nos definem
Como podemos ver o tempo é algo amoral, isto é, pode ser bom ou ruim, são as nossas escolhas que definem isto. Além disso, o tempo é o local privilegiado onde posso amar a Deus e os irmãos, decidindo cada vez mais pelo hoje e não pelo amanhã, pois ele pode não chegar. Por isto é fundamental sempre fazermos escolhas duradouras no hoje, esquecendo de nós mesmos e de que temos um amanhã.
E como vai as suas escolhas? Será que sempre prevalece o amanhã, nas suas escolhas? Ou você busca viver o grande e alegre hoje? Será que deixa Deus esperando ou se dá a Ele no agora, sabendo que o amanhã pode ser que nunca chegue?
Peçamos a Santo Expedito, Santa Teresinha, São Paulo e a Maria Santíssima que renove verdadeiramente o hoje em nossos corações.
Alan Costa