Naquele tempo, um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: “O que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. (Mt 26,14-15)
Quem de nós, miseráveis nós,
sustém a traição de um amigo,
a não ser Tu, ó Cristo Jesus,
que acolheu em atroz perigo?
Por trinta moedas negociado,
vendido como humano objeto;
feito escravo, Jesus rejeitado,
tratado como descarte abjeto.
Mas o Senhor, Servo Sofredor,
não recusou Judas Iscariotes,
um amigo que se fez inimigo,
que Te vende aos sacerdotes.
Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. (Mt 26,20-21)
Nasceu para isso, Amor meu,
para cumprir toda a Escritura:
as profecias que Te revelam
são provadas na Tua Ternura.
Infinito Amor que Se oferece,
Divina Graça que de Ti emana,
transforma toda dor em amor
e perdoa a fraqueza humana.
Espera até o último instante
a conversão do amigo traidor…
A liberdade que ele escolheu
mostra-nos que sem Ti é dor.
Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?” (Mt 26,22)
Pois não nos traíste, Jesus,
não Se enganou ao oferecer
as costas para Te baterem,
por Amor a nós quis morrer.
E sabias de nossas traições,
pois sondas nossos corações,
perdoando as transgressões,
as cusparadas e os bofetões.
Jesus não desistiu de mim,
mesmo quando não O amei.
E por isso Te louvo na Cruz,
ferido de amor Te anunciarei.
“O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”. (Mt 26,24-25)
