Dom José Alberto Moura
Estámuito subjacente na cultura de algumas regiões alguém chegar após ohorário marcado. Às vezes o atraso é grande! Não se vê o ridículo ou afalta de educação de fazer toda a comunidade esperar o “charme” dachegada atrasada de noivas, de pessoas cuja presença depende o iníciode uma cerimônia…
Poroutro lado, há quem chegue bem depois de um rito ter-se iniciado e quercolocar-se nos primeiros lugares, sem ter nenhuma titularidade de cargopara a cerimônia, com o intuito de ter posição de destaque e ser vistocomo mais importante do que os outros. Na época de propaganda política,isto é muito comum. Trata-se do ditado: “Quem chega por último quer sero primeiro”. Mas, ao contrário disso, Jesus afirma: “Se alguém quer sero primeiro, seja o último e o servidor de todos” (Mc 9, 35). Não setrata de esconder os próprios talentos ou anular a auto-estima e sim desaber do valor maior de contribuir com o bem da comunidade e a promoçãodo semelhante.
OMestre dá exemplo sobejo disso. Ele deveria ser a pessoa mais cercadade honraria e receber o serviço prestado por parte de todos. Aocontrário, Ele quis dar-nos o exemplo de como conviver com humanidade efraternidade. Aos olhos de Deus, vale mais quem mais contribui com obenefício do semelhante, mesmo a custas do sacrifício de si. O idealmaior do amor faz a pessoa que o entende adequadamente a não pouparesforços para oferecer o maior préstimo possível a quem precisa, apartir dos mais frágeis da sociedade.
Émuito considerado na sociedade quem aparenta grandeza ou importância noaspecto financeiro, cultural e de liderança aparente. Na realidade,quem marca a história pela grandeza ética, moral e de real serviço àcomunidade, até mesmo nesse ambiente, é quem se coloca na posturasimples e faz aparecer o valor do outro, que precisa de apoio e amor.Esse tipo de pessoa trata o outro como mais importante. Não importacolocar-se na classificação de último. Servir acima de tudo é o seulema. Exemplos como Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Dom Helder, DomLuciano e outros não faltam e são admirados.
Muitasinjustiças acontecem no contexto humano devido à luta para oaparentemente mais forte e importante aparecer. Mas a última palavra,mesmo na mentalidade consumista, vem a ser a de quem marca a caminhadada sociedade com a promoção do bem comum. A pessoa justa se coloca comoservidora e promove a paz (Cf. Tg 3, 18). Ela não teme passar porincompreensão, desvalorização e até perseguição. Mas tem a convicção desua missão de lutar pela cidadania de todos. Ela sofre, sem dúvida, mastem a certeza de vencer (Cf. Sab 2, 12.17-20). A fragilidade da criançaé lembrada por Jesus com a necessidade de todos a protegerem. Amotivação é a mais elevada. Ajudar quem é mais frágil é pôr-se ao ladodo próprio Mestre (Cf. Mc 9, 36-37) para servi-Lo. Quem não prestariaserviço a Jesus se ele pedisse diretamente? Aí está a atitude de quemsabe, nessa perspectiva, ser o último, ou seja, o mais serviçalpossível em relação ao semelhante.