Para o povo judeu que não tinha ainda a noção da santíssima trindade, havia um culto ou devoção à palavra (dabar, do hebraico) de Deus praticamente como se fosse uma pessoa. Neste vocábulo a palavra ganha sua inteligibilidade e transparência, pois sem essas propriedades, seriam opacas e não teriam clara definição.
No evangelho joanino, a Palavra vai do sentido contemplativo (dabar) e toma a forma de logos que além do sentido de “Palavra” como falar divino, termo tem também o sentido de acontecimento se referindo a uma ação, a um movimento, pois Deus fala agindo. Nesse sentido, temos a Palavra de Deus como uma realidade de fé, pois em Deus, palavra e ação são a mesma coisa. Podemos encontrar diversos termos “Palavra de Deus”, na sua ação e realidade concreta, segundo os Evangelistas Mt 15,6 e Lc 1,37-45; 3,2.
No Novo Testamento a Palavra criadora e salvadora ganha uma nova roupagem, porque a própria Palavra de Deus habita agora no meio de nós. Para as comunidades, essa “Palavra” tem nome, e em Jesus Cristo, a expressão máxima da Palavra revelada. Podemos constatar com fé nos textos de Hb 1, 2-4; 11, 3; Cl 1,16; Jo 1,3 que, Deus deu “nome” a todas as coisas criando-as através de Seu Filho Jesus Cristo, o centro de todo Mistério da Palavra de Deus.
O próprio Jesus Cristo é a Boa Nova, é a Dabar do Universo, não apenas intelectualmente para compreensão, mas como é de fato, bem real. Em Cristo está toda a plenitude da força do Espírito. Assim, por gratuidade, Deus quis enviar definitivamente aos homens uma nova revelação da dabar, que se apresenta na Pessoa e Palavra de Cristo, como Salvador e Libertador.
A Palavra de Deus começa a fazer parte da história humana, primeiramente através da dabar de Javé. Agora, após a espera messiânica anunciada pelos profetas, esta mesma Palavra em sua essência, manifesta-se plena e definitivamente na vida dos homens na forma verdadeiramente Humana e verdadeiramente Divina. Encontramos a radical auto-comunicação e manifestação da Palavra de Deus no próprio homem histórico Jesus de Nazaré (JAUBERT, 1985).
Na eternidade do Logos João, no início do prólogo de seu evangelho, vai buscar a origem da fé de sua comunidade. Tal origem vai além dos antepassados apontados pelos sinóticos, como Adão, Abraão, Moisés, etc. Essa origem abarca o começo do universo para nos remeter ao limiar da história até a mais profunda intimidade de Deus para nos unir ao que diz o Sl 139,22: “[…] e Ele quem me conduz pelo caminho eterno”. O Logos não pode ser entendido por meio de categorias temporais, pois sua preexistência esta no âmbito de Deus.
O Papa Bento XVI (2010) em sua Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini tomando por base o prólogo do Evangelho de João afirma
A expressão Palavra de Deus, além do sentido primeiro, possui diversos
outros sentidos, mas todos relacionados com o sentido primeiro. A Palavra
de Deus é nos dirigida na criação, na pregação dos profetas e dos apóstolos,
na Escritura e na Tradição da Igreja. Todas essas manifestações da Palavra de
Deus se encontram na dependência daquele que e a Palavra de Deus primeira:
Jesus Cristo, a Palavra eterna feita carne, exprimindo-se dessa forma numa vida
humana e em palavras humanas.
A Palavra de Deus age na criação inteira e, com particular intensidade,
na criação do ser humano que recebe do Criador o corpo, a razão, a liberdade
e a consciência. (n. 6)
Enfim, o Logos (verbo) de Deus na pessoa de Jesus apesar de preexistente antes da criação é o mesmo Logos encarnado. Ele é conhecedor da natureza humana em suas potencialidades, possibilidades e limitações e por isso mesmo em uma explosão de amor desceu à condição humana abaixando-se para soerguer nossa dignidade. O Natal é essa oportunidade de contemplar a intervenção divina na história humana e o início do nosso processo redentor que passará pela paixão e culminará na sua ressurreição.
- BENTO XVI. (Papa: 2005-2013). Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini. Brasília: Edições CNBB, 2010. (Col. Documentos Pontifícios 6).
- JAUBERT, Annie. Leitura do Evangelho Segundo João. 3 ed. Sao Paulo: Paulinas, 1985.
Vale salientar que a palavra RESSALTAR é um verbo intransitivo: Dar saltos de maneira contínua e constante: O salto é uma das modalidades do atletismo. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. No Brasil o atleta que muito se destacou nessa modalidade foi João do Pulo.