Formação

“Oh! Como é preciso rezar pelos agonizantes! Se soubessem!”

comshalom

 

O testemunho de uma santa enferma.

Gosto bastante de me deixar levar pelas leituras e assim, corresponder aos impulsos da imaginação ante aquilo que leio. Recentemente li Teresinha. Especificamente os seus últimos colóquios, as palavras ditas por ela em seus últimos meses de vida. Me impressionei.

Como disse anteriormente gosto de mergulhar nas histórias que leio. Por isso, neste dia dedicado às pessoas enfermas peço permissão para fazer uso da linguagem poética e narrar os momentos que antecederam o encontro definitivo de Teresa e seu “bom Deus”. Momentos de dor em sua maioria, mas que muito tem a nos ensinar acerca do sofrimento.

“Já era noite quando entrei na sala. Um lugar simples, modesto. Ao entrar, meus olhos logo encontraram a enferma. Estava pálida. Gotas de suor espessas escorriam pelo seu rosto. No entanto, fazia frio naquele dia. Me recordei do Getsemani. Seria ali sua agonia última?

Não sabia ao certo o que ela tinha. Pelas cartas e, ao olhá-la, percebi que era algum problema respiratório. A mínima inspiração lhe custava muito.

As freiras que a acompanhavam parecia desconsoladas, mas ao mesmo tempo serenas. Talvez haviam tomado para si um pouco da serenidade da enferma. Sim, ela estava serena. Seu rosto era dor, mas ela permanecia assim, serena.

Estava doente há alguns meses. Mas só conseguira visitá-la agora. Estive, literalmente, perdendo meu tempo com preocupações vãs. Uma de suas irmãs sempre me mandava notícias e confesso que ao lê-las ficava profundamente confuso. Vocês entenderão.

P.S. Ela não estava louca.

Maio – “Sabeis o que me dá forças? Caminho por um missionário. Penso que lá longe, em algum lugar, um deles está, talvez, esgotado por suas andanças apostólicas; e, para diminuir suas fadigas, ofereço as minhas ao bom Deus”.

01 de Maio – “Não é a morte que virá me buscar, é o bom Deus”.

07 de Maio – “Tusso! Tusso! Até pareço uma locomotiva que chega à estação. Também eu chego a uma estação: a do céu e eu o anuncio”.

04 de agosto – “Como é fácil desanimar quando se está muito doente!… Ah! Como sinto que desanimaria se não tivesse a fé; ou antes, se não amasse o bom Deus”.

17 de agosto – “Bom vejo que o bom Deus quer que eu sofra. Os remédios que me deveriam fazer bem e que alivoaram outros doentes, a mim só fazem mal”.

18 de agosto – “Sofro muito! Mas será que sofro bem? Eis aí a questão”.

Louca? Talvez. No começo pensava assim, hoje, queria eu ser acometido dessa loucura.

Pensava em algo distante quando percebo uma movimentação brusca em sua cama. A enferma agonizava. Não conseguia respirar. Me aproximei. Não podia fazer nada. Ninguém podia. Apenas escutava o que entre espasmos ela dizia. Percebi que escutar era o que me restava naquele momento, na verdade, era o que me faltou durante toda a vida.

– Se isto é a agonia, o que será a morte? Meu Deus, meu Deus, tende piedade de mim! Não aguento mais.. Não aguento mais.. E, contudo, é preciso que eu resista.. Estou… Estou reduzida.. Não, jamais pensei ser possível sofrer tanto! Jamais! Jamais! Amanhã, isso será ainda pior! Enfim, tanto melhor!.

Mas não houve amanhã. Ela só piorava, até que não resistiu. Morreu. Dramaticamente. Heroicamente. Ressoam em meus pensamentos as suas últimas palavras, o seu testamento:

– Oh! Eu o amo!.. Meu Deus… Eu vos amo.”

Assim morreu Santa Teresa do Menino Jesus. Foi assim que imaginei esse sublime momento. Ela envolta pelo sofrimento, mas enraizada num profundo amor a Deus. Movida por esse amor, constantemente oferecia seus sofrimentos pela salvação das almas. E era aí que residia o grande sentido da dor para esta pequena grande santa. Peçamos sua intercessão para não cedermos a dor, mas alimentados pelo amor do “bom Deus” prosseguirmos com esperança.

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós.

Guilherme Rocha


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