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Onde encontrar confissão online?

Quem não queria ter oportunidade de se encontrar com um sacerdote para fazer uma boa confissão e voltar para casa reconciliado com Deus?

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Depois de dois meses de isolamento social, quem não queria ter oportunidade de se encontrar com um sacerdote para fazer uma boa confissão e voltar para casa reconciliado com Deus? Sentir o alívio do perdão dos pecados e da festa que o sacramento nos faz sentir, por “um só pecador que se converte”! Depois disso, aguentaríamos tranquilos ainda mais dois meses de isolamento. (Talvez? Eu acho! Mas “tranquilos” também já é demais!)

E como a gente faz isso no isolamento social?! Se não podemos sair de casa e os padres também não. Será que não poderíamos fazer confissões online?  Como você já deve saber, não é possível nenhum sacramento, inclusive a confissão dos pecados se não houver a presença física do penitente e do confessor. Por quê? 

O Sacramento da Reconciliação possui uma dimensão espiritual, mas também jurídica. Por uma parte o penitente arrependido (é importante estar arrependido, pois a arrependimento é a matéria do sacramento) confessa seu próprio mal a Deus, que – através do sacerdote, agindo in persona Christi – perdoa os seus pecados e o reconcilia Deus e com a Igreja.  

Esse poder foi dado à Igreja através dos Apóstolos de Jesus: “Recebei o Espírito Santo aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e àqueles a quem retiverdes serão retidos” (Jo 20,27). Os bispos, sucessores dos apóstolos, recebem essa autoridade e a transmitem a mesma faculdade aos sacerdotes.

A dimensão jurídica da confissão

A dimensão espiritual do perdão parece ser bem clara. Não precisamos nos demorar nesse assunto. Mas tem uma dimensão jurídica que pode passar despercebida. O texto do evangelho que citamos, traz não só a autoridade de perdoar os pecados, mas também a de não perdoar: “a quem retiverdes serão retidos”. Como assim?

Caso o confessor não encontre o arrependimento* no penitente pode não conferir o sacramento. Talvez precise ajudar o penitente – através do diálogo e aconselhamento – a se arrepender e não querer mais cometer o pecado. Como pode existir perdão sem arrependimento? Como um juiz absolve um réu? No nosso caso, a culpa é reconhecida e é justamente o reconhecimento do mal e o arrependimento sincero que concede, pelos méritos de Cristo, que deu a vida pelos pecadores, o perdão. Prova disso é o “bom ladrão”, na verdade, seria mais justo chamá-lo de “ladrão arrependido” ao qual Jesus promete “ainda hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23, 43).

O sacerdote, portanto, deve exercer um papel também de juiz, o sacramento é realizado diante de um “tribunal da misericórdia”. O confessor, em nome da Igreja reconcilia o pecador com Deus e com a Igreja, pois o pecado de um membro do corpo ofende todo o Corpo Místico, que é a Igreja.

Pronto. Chegamos à nossa primeira conclusão sobre o porquê de não ser permitido uma “confissão virtual”. É necessário a presença física de ambas as partes, para que haja o “julgamento” (presença de arrependimento) e a sentença do perdão.  Por isso também, como em um tribunal, os pecados graves precisam ser confessados todos, a não ser que tenham sido esquecidos**.

E a confissão pelos meios de comunicação?

Uma resposta foi dada. Não podemos nos confessar por meios de comunicação, só presencialmente. Mas ainda fica a outra pergunta: o que podemos fazer? “O que posso fazer se não encontro um sacerdote?”, comentava o Papa Francisco alguns dias atrás:

“Mas, padre, onde posso encontrar um sacerdote, um confessor? Não se pode sair de casa! E eu quero fazer as pazes com o Senhor, quero que Ele me abrace, que o meu pai me abrace. O que posso fazer se não encontro um sacerdote?” Você faz o que diz o Catecismo (cf. 1451 e 1452)”.

“É muito claro: se você não encontra um sacerdote para se confessar, fale com Deus, ele é seu Pai. Diga-lhe a verdade: ‘Senhor, eu fiz isso e aquilo. Perdoa-me’. Peça-lhe perdão de todo o coração, com o Ato de Contrição e prometa-lhe: ‘Depois, eu vou me confessar, mas perdoa-me agora’. E logo você retornará à graça de Deus. Você mesmo pode se aproximar, como o Catecismo nos ensina, do perdão de Deus sem ter um sacerdote. Pensem nisso: este é o momento! E este é o momento certo, o momento oportuno. Um Ato de Contrição bem feito e a nossa alma se tornará branca como a neve”.

Simples e profundo. A solução para esse tempo é o que nós devemos buscar sempre, antes de qualquer confissão. 

A contrição perfeita

A contrição perfeita perdoa os pecados antes da confissão, como diz o Catecismo:

“Quando procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, a contrição é dita «perfeita» (contrição de caridade). Uma tal contrição perdoa as faltas veniais: obtém igualmente o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental” (Catecismo da Igreja Católica, 1552).

Para ela ser perfeita precisa de três elementos: 

  1. A dor do arrependimento sincero por ter ofendido a Deus; 
  2. A repulsa por aquele pecado e o desejo de mudança, de conversão. Pensar no que poderia ser feito para evitar esse pecado novamente e mudar algumas posturas; 
  3. A decisão de, assim que possível, buscar a confissão sacramental. Por exemplo, se houvesse um sacerdote à disposição deve ir buscá-lo imediatamente.

E sobre os pecados veniais? Eu também confesso? Essa não foi a pergunta de hoje, fica para a próxima.

Observações

*Sobre o arrependimento: Catecismo da Igreja Católica, 1451.

** Não se enquadra no esquecimento um relaxado exame de consciência, ou seja, não se preparar espiritualmente para a confissão e por isso confessar só o vem à mente imediatamente ou por vergonha esconder do confessor. O esquecimento pode ser por causa da ignorância, quando  não tinha compreensão da matéria grave do pecado, ou pelo tempo desde de a última confissão. O importante é que antes do sacramento se faça um sincero e transparente exame de consciência de modo que tudo venha à luz para ser confessado, especialmente o mais grave.


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