Formação

Os livros Sapienciais da bíblia

Livros Sapienciais

Introdução: O nome de Sapienciais ou didáticos é dado a 5livros do A.T. : Provérbios, Jó, Eclesiastes (Coélet), Eclesiástico(Sirac) e Sabedoria. A estes são acrescentados dois livros poéticos(Líricos) : Salmos e Cântico dos Cânticos.

Esses livros apresentam a sabedoria e a espiritualidade de Israel.Em Israel, sabedoria não é cultura conseguida com acúmulo deconhecimentos, mas o bom senso e o discernimento das situações,adquiridos através da meditação e reflexão sobre a vida.

Literatura Sapiencial: A literatura Sapiencial aparece de várias formas:

Provérbios – tipo mais simples, normalmente um par de versos(Prov.); Parábola – uma comparação; Longos poemas e hinos (Jó 27,1;29,1). Enigma ou adivinhas, utilizando perguntas (Prov. 23,29ss; Ecl.10,19; 22,14) Diálogos (Jó) Fábulas e alegorias (Prov. 5,15-23; Ecl.12,1-6).

O processo de formação desta literatura também é lento e gradual, aantiga tradição judaica a remete a Salomão é o rei sábio porexcelência, o mais sábio de todos (Provérbios, Coelet, Sabedoria, Cânt.Dos Cânticos) e a Davi (Salmos).

Para os Judeus, a verdadeira sabedoria humana tem uma fonte divina;Deus pode comunicar e comunica a sabedoria a quem lhe apraz. Eis porqueos escritores Sapienciais se comprazem em contemplar a divina sabedoria: sabem que a deles emanou Dela.

Jó:

O livro aborda o tema por que sofrem os bons?. O povo de antigode Israel via como castigo do pecado o sofrimento com isso aquelesconsiderados bons não sofriam, com o tempo foi se vendo que não era bemassim não necessariamente acontecia está realidade sobre o sofrimento.Esta concepção se impunha aos Judeus pelo fato de que ignoravam aexistência de uma póstuma consciente; julgavam que após a morte oindivíduo perdia a lucidez da mente e se encontraria adormecido nocheol, incapaz de receber alguma sansão. Por isto admitiam aretribuição do bem e do mal nesta vida mesmo.

É com este pano de fundo que se realiza o livro de Jó um homemreto, que perde bens e saúde, três amigos diz para ele confessar ospecados graves que ele cometeu por ver tamanho sofrimento, mas Jó sediz inocente e diz que está situação é inexplicável. Eliu tenta dar umaexplicação que o sofrimento dos bons é para que eles não se orgulhem.Deus então intervém calando Jó e seus amigos por que quem é capaz desondar os desígnios da Providencia de Deus.

Deus é sábio demais para que precise prestar contar dos seus planos.Então Jó reconhece a sua incapacidade de julgar a Deus e Deus devolve asaúde e os bens materiais.

Por conseguinte, reverencia e confiança constituem a atitude que oautor sagrado quer incutir diante do problema da dor. Pondo em cheque aexplicação antiga, ele não sabe propor nova sentença, que dependeria darevelação de vida póstuma consciente e da obra do Cristo Jesus.

Todavia o livro indica a solução pratica estritamente religiosa,que é valida até hoje. Sim; mesmo depois de Cristo o homem não podeindicar o porque de todos os seus sofrimentos; faça porem um ato deconfiança absoluta na infalível Providencia Divina. E não seráfrustado.

O Novo testamento voltará a tratar do assunto, mostrando que osofrimento é disposto por Deus não como mera punição do pecado, mascomo remédio do próprio mal; o patíbulo da Cruz sobre o Calvário foierguido como arvore da vida e da ressurreição gloriosa. O Homemportanto, não sofre unicamente para pagar um tributo à justiça mas parase purificar do pecado e voltar ao Pai com Cristo – que é sumafelicidade.

É preciso para compreender o sofrimento olhar para as realidadesfuturas, vida após a morte, assim poderá colher os frutos das obraspraticadas na terra. Em Jesus, o justo que sofre em expiação dospecados alheios e ressuscita dentre os mortos vem com um sentido novoao sofrimento. O livro de Jó se coloca em divisão entre uma mentalidadedo antigo testamento para o novo testamento.

Comentário: O autor é um judeu. O herói do livro é um xeque edomita e o cenário é Edom (por volta da era patriarcal).

Data do livro: Pós Exílio, fim do séc. V, provavelmente. ANarrativa em prosa é anterior à composição poética (Ez 14, 14-20),parece ser muito antiga e conhecida. A história de Jó deve tercirculado oralmente durante muitos anos antes de ser lançada porescrito, como a temos atualmente.

Eclesiastes (Coélet)

O nome grego Eclesiastes é a tradução do hebraico Qoheleth = ohomem que fala na qahal ou na assembléia, ou o orador, o pregador. Esteautor pertence ao circulo dos sábios.

Característica: O livro discorre de falar da vaidade ou da deficiênciados bens. É um monologo, onde o autor discute consigo mesmo a respeitoda possibilidade de encontrar a felicidade no gozo do prazer, notrabalho, no cultivo da sabedoria, nas riquezas, e verifica que em tudoexiste decepções para o homem; todos os bens se assemelham a vaidade;isto é, a sopro ou vento: escapam quando alguém os quer segurar nasmãos.

Quem lê o livro, pode, à primeira vista, ficar confuso, por algumasrealidades como: pessimismo em relação a tudo, parece não ter ideal,nem animo na vida, dar-se a impressão de materialismo por incentivar ogozo dos prazeres, todos viemos do pó e ao pó voltaremos.

Para ter uma compreensão real da realidade do livro é preciso verificar estes pontos:

• O autor de Ecl. não tinha uma consciência de uma vidapóstuma. Compartilhava a idéia de que, após a morte, o ser humano entraem estado de torpor e se torna incapaz de receber a retribuição de seusatos bons e maus; por conseguinte Deus exerce sua justiça aqui na terraem todos os homens. Ora o autor de Ecl. tem um certo desanimo por verque os ímpios são sadios, ricos e os fieis sofrem perseguições emiséria.

• O autor é um homem pratico que fala do que observa e experimenta.Fala que na verdade, ninguém vê a alma de um percorrer a sua trajetóriadepois da morte deste.

• Quando o Ecl. recomenda o gozo dos prazeres materiais ele não fazcomo os ateus: ao contrario, na falte de perspectiva de recompensa noalém, ele convida seus discípulos a gozar dos bens que Deus lhes dá nodecorrer desta vida. Tem algumas passagens que podemos verificar Ecl.2,24; 9,9. Se Deus dá alguém prazer, o Eclesiastes julga legitimousufrui-lo como sendo dom de Deus.

• As realidade sem nexo deste livro é um conflito do autor diantedas possibilidades de encontrar a felicidade. Com isso ele chega a umaconclusão que a passagem Ecl. 12,13s. Esta conclusão bem mostra que oautor não é um cetico, nem um ateu; depois de haver discutido oproblema da retribuição, ele o acha insolúvel; por isso, chama seudiscípulo para o realismo: sejamos fieis a Deus e entreguemos nossasobras ao julgamento do Senhor. Nesta proposição está timidamenteexpressa a esperança de que haverá retribuição póstuma. Qualquer ímpetode desespero ou revolta é superado por esse fecho do livro, querepresenta a ultima palavra do autor temente e submisso a Deus.

• As posturas de amargura significam a insatisfação da criaturahumana que espera uma resposta cabal para os seus anseios naturais.Todo homem foi feito para a vida, a justiça, a verdade, o amor… demodo que, quando não os encontra sente amargura; O Ecl., através desuas afirmações quase irreverentes, pedia a revelação da vida póstumaconsciente, na qual cada um encontrará a plena satisfação dasaspirações mais fundamentais que Deus lhe deu. Assim o Ecl. seguecaminho para o Evangelho; é um brado a demanda do Evangelho. A suamensagem de temer a Deus e observar os mandamentos é absolutamentevalida também para os Cristãos; no Novo testamento, porém, é completadapela certeza de que existe a justa retribuição no além, de modo quetodas as desordens escandalosas da vida presente serão apagadas,cedendo à plena ordem.

Provérbios

É o livro mais representativo da literatura Sapiencial bíblica.O titulo Provérbios traduz o hebraico Meschalim que significa“sentenças, máximas, normas”.

O conteúdo do Provérbios serve para orientar sabiamente a vida doleitor, seja no plano individual, seja no social. Afirma claramente otemor de Deus como principio da verdadeira sabedoria e que só em Deus ohomem deve colocar sua confiança. O livro consta de nove coleções. Acoleção mais antiga é atribuída ao rei Salomão que são as duasprimeiras coleções.

Salomão foi considerado o maior sábio de Israel, é chamado “Provérbiosde Salomão”. Um ponto importante é o elogio da mulher virtuosa. Osescritores do novo testamento parecem aludir mais de uma vez a passagemem que a Sabedoria é personificada. Cristo é dito Sabedoria e poder deDeus em I Cor 1,24.30; Cl 2,3; existia junto ao Pai desde toda aeternidade, por ele tudo foi feito; habitou entre os homens por própriainiciativa; a estes comunica a verdade e vida. A liturgia adapta aMaria Virgem os textos de Pr 8,22-36. Este procedimento é justificado,pois Maria foi sede da Sabedoria e a obra-prima da Sabedoria Divina; aestes títulos, ela participa do elogio da Sabedoria .

Sabedoria

O livro é chamado, nos antigos manuscritos, Sabedoria de Salomão donde de fez livro da Sabedoria.

Este louvor a Sabedoria decorre em três partes:

1. 1,16-5,24 – A Sabedoria e fonte de retidão e deimortalidade. Comparações entre o justo e o ímpio; mostra que aprepotência dos maus sobre os bons na vida presente cederá à inversãodas sortes. Os ímpios serão vitimas de horrível decepção ao passo queos justos reinarão com Deus na vida póstuma. O Sábio é aquele que desdea vida presente, sabe escalonar os valores de modo definitivo, não sedeixando iludir por bens transitórios opostos a lei de Deus

2. 6,1-9,19 – A origem e os predicados da sabedoria são propostos.É dom de Deus, que deve ser implorado e que é, de modo especial, útilaos reis.

3. 10,1 – 19,20 – Retoma a primeira parte do livro. O autorestabelece uma comparação entre os ímpios (Egipicios idolatras) e osjustos (Israelitas). Esta sabedoria guia coletividade do povo. Estaparte é uma re-leitura do Êxodo em estilo de Midraxe, isto é de modo arealçar a lição religiosa dos acontecimentos passados.

Do ponto de vista doutrinário, Sb é de grande importância não sópor apresentar tal imagem da Sabedoria, mas também por desvendar umpouco a sorte póstuma do homem. A concepção do Cheol (lugarsubterrâneo, onde estariam, inconscientes, bons e maus depois da morte)cede a noções mais próximas do Novo Testamento e mais exatas. Comefeito; segundo Sb, o homem, criado por Deus com especial benevolenciaconsta de corpo e alma. A alma não é preexistente ao corpo, existe umaharmonia entre corpo e alma. Deus fez o homem para a imortalidade, deacordo com a sua imagem, mas foi por inveja do diabo ou tentador que amorte entrou no mundo. Acontece, porém, que as almas dos justos, depoisde vida reta levada na terra, gozam de plena felicidade ou do fruto desuas labutas. Assim o problema do mal, tão tormentoso para Jó, Ecl, seresolve na teologia do AT; a prosperidade dos maus e os sofrimentos dosbons já não são a ultima palavra de Deus; mas é após a vida terrestreque se exerce plenamente a justiça de Deus, restabelecendo a reta ordemdos valores.

Eclesiástico(sirácida)

Em hebraico é chamado: Palavra ou Sabedoria do filho de Sirac;grego chama de Sabedoria de Jesus, filho de Sirac ou Sabedoria deSirac; os Cristãos de origem latina chamam de Eclesiasticus, pois olivro era apresentado aos catecúmenos preparando-se para o batismo, eraum manual de iniciação dos bons costumes e à historia do AntigoTestamento; era o livro da Ecclesia (Igreja); daí dizer-se“Eclesiástico”.

Revela o pensamento Israelita evoluído. Alguns temas: Bomcomportamento: temor de Deus, amizade, os anciãos, as mulheres, ariqueza, a pobreza, a doença, a medicina, os deveres de estado. Outrotema mais teológico que é o Saber: a gloria de Deus.

O ponto mais alto do livro como em provérbios e outros é asabedoria personificada, mas agora é uma pessoa mais unida a Deus edistinta, o que de certo modo antecipa a realidade de João. Chamaatenção também a realidade da identificação com a Torá (Lei).

Em Eclesiástico o autor assina o livro, chama-se segundo o LXX(Eclo 50,27(29) “Jesus, filho de Sirac, filho de Eleazar, deJerusalém”. Sirac deve ter sido um sábio pertencente ao grupo dossábios de Jerusalém. Ele mesmo apresenta uma peça notável sobre asabedoria em si mesmo Eclo 51,13-30. Siracides desde Jovem estudoumuito o antigo testamento, ouviu outros sábios, meditou em questõesfundamentais da vida humana, viajou em terras estrangeiras consultandoassim novas fontes de saber, fundou a “Casa ou Escola da Sabedoria” emJerusalém. Ele era consciente da sua função de mestre por isso eleassinou o livro que ele fez. 50,27, isto não era costume do antigotestamento.

É um livro muito parecido com o Provérbios mais de uma disposição mais arrumada.

Salmos

Introdução:

Salmo vem do grego ‘psalmo’ que significa melodia (cantar hinos com o acompanhamento de cardas.

Psalterion significa melodia tirada de um instrumento de corda.Saltério = é coleção de 150 salmos colecionados em um livro próprio naBíblia.

Os salmos foram cultivados pelo povo de Israel, individualmente ecoletivamente. Sua forma geral é de poesia lírica e cantada,normalmente acompanhada de instrumentos de corda (Cítara ou harpa),Assim foi que os salmos foram florescendo no coração do povo ao longoda história de Israel.

Os Salmos são orações destinadas ao uso comunitário liturgico ousimplesmente redigidas para servir à piedade particular. Supõe diversassituações de animo: Adoração, louvor, perseguição, saudades dosantuário, desejo de Deus, confissão dos pecados, alegria, tristeza,doença…

Eram escritos dependendo da situação que o povo estava vivendo. Acomposição do livro foi lenta e gradual, obra de diversos autores.

A Importância dos salmos na Igreja:

O saltério é a oração do próprio Jesus. Cristo não sóinterpretou, citou, rezou, mas sobretudo os viveu. Por isso também é anossa oração, é a oração de Israel e da Igreja (Mt 27,39 – Sl 22,8 ; Mt27,43 – Sl 22, 9 ; Jo 19,24 – Sl 22,19).

Os Salmos ocupam lugar de destaque na expressão orante católica (missas, liturgia das horas etc…).

Expressam sentimentos de confiança, de temor, de humildade, de esperança, de alegria, de júbilo …

A oração salmódica é um diálogo entre o homem vivo e o Deus vivo.

Os Salmos devem ser vividos e não só recitados, pela Igreja os salmos são dirigidos a Jesus.

A Numeração dos Salmos:

Nas Bíblias, os salmos possuem duas numerações diferentes. Umdos números corresponde a numeração dos salmos na Bíblia Hebraica e ooutro a numeração da tradução do "Setenta". A liturgia católica segueessa última numeração, mas é mais correto, biblicamente, citá-los pelonúmero original hebraico.

Texto Hebraico: Texto Grego:

1 – 8 1 – 8

9 – 10 9

11- 113 10 – 112

114 – 115 113

116 114 – 115

117-146 116 – 145

147 146 – 147

148-150 148 – 150

A diferença deve-se a algumas anomalias na transmissão dos salmos.Tem outras divergências no uso liturgico, anotações musicais, erros decopistas.

Os Salmos nas mais diversas circunstancias

Advento: 23, 71, 79, 84, 121, 129; Natal – Epifania: 2, 71, 88, 95, 97, 109, 131;

Quaresma: 1, 22, 24, 26, 41, 90, 94;

Paixão: 21, 39, 42, 54, 68, 115; Páscoa: 15, 29, 65, 92, 113A, 117, 125, 155;

Pentecostes: 32, 47, 67, 103, 147.;

Ação de Graças: 9, 29, 33, 49, 53, 65, 74, 91, 94, 99, 102, 106, 110, 115, 117, 135, 137;

Alegria: 4, 5, 15, 20, 29, 31, 35, 84, 118, 121, 125, 149.;

Ver: Louvor e Ação de Graças. Aliança: 24, 32, 43, 73, 88, 102, 118, 131, 147.;

Amor ( de Deus pelos homens): 8, 22, 24, 30, 32, 35, 84, 85, 99, 102, 104, 105, 114, 135, 142, 144, 145.;

Amor ( do homem para com Deus): 15, 17, 41, 62, 114-115, 118;

Ver: Cruz; Anuncio ( da Boa Nova): 18A, 32, 46, 47, 95, 97, 116, 144.;

Apóstolo (Festa dos): Ver: Anuncio; Assembléia: 21, 34;

Batismo: 8, 22, 28, 33, 41, 65.; Caminho: 1, 22, 24;

Ver: Peregrinação Colheita: 64, 66, 143; Combate Cristão: 16, 17, 26, 30, 34, 90, 119, 120, 143;

Confiança: 4, 12, 22, 24, 26, 30, 33, 36, 54, 61, 70, 90, 117, 124, 129, 145.;

Conhecimento de Deus: 18A, 62, 89, 118.; Conversão: 6, 31, 37, 50, 80, 84, 94, 101;

Criação: 8, 18A, 32, 64, 103, 135, 137, 138, 146, 148.;

Desejo de Deus: 15, 26, 41, 62, 72, 83, 118, 141, 142.; Doença: 6, 27, 29, 40, 87, 142.;

Escolha: 15, 79, 83, 118, 136, 140.; Esperança: Ver: Confiança.;

Espirito ( de Deus ): 50, 103, 142, 147.; Eucaristia: Ver: Ação de Graças; Fé: Ver: Confiança;

Fidelidade ( de Deus ): Ver: Amor; Fidelidade ( do homem ): Ver:Obediência: Guerra: 26, 43, 54, 59, 73, 78, 79, 82, 89, 119; Ver:Combate, Perseguição.;

Igreja: 32, 44, 45, 47, 67, 86, 99, 104, 121, 124, 147, 149.;

Julgamento ( de Deus ): 7, 9, 10, 16, 34, 49, 63, 74, 75, 81, 93, 95, 149.;

Justiça ( de Deus ): 47, 50, 64, 71, 84, 98, 110, 142, 144, 145.;

Justiça ( do homem ): 1, 14, 16, 23, 24, 25, 36, 100, 111, 127.;

Libertação: 3, 17, 19, 29, 55, 59, 67, 68, 76, 101, 106, 110, 113A, 117, 123, 135, 145, 146.;

Louvor: 32, 33, 46, 56, 65, 66, 95, 97, 112, 116, 148, 149, 150.;

Ver: Ação de Graças Mártires ( Festa dos ): 33, 115, 125, 144.;

Matrimonio: 20, 44; Morte: 4, 12, 15, 29, 41, 62, 87, 115, 141, 142.;

Nascimento: 8 Obediência: 18B, 39, 49, 100, 118, 122;

Oração: 5, 53, 69, 85, 101, 129, 140, 141.;

Palavra ( de Deus ): 11, 18, 28, 32, 55, 80, 94, 118, 129, 147.; Paz: 45, 84, 119, 121, 132.;

Pecado: 13, 35, 37, 57, 77, 105; Ver: Perdão; Perdão: 24, 31, 50, 64, 84, 102, 105, 129. Ver:

Pecado; : Peregrinação: 41, 83, 120, 121; Perfeição ( do homem ): Ver: Justiça ( do homem );

Perseguição: 3, 21, 34, 40, 42, 54, 55, 58, 63, 68, 70, 108, 139, 142.; Ver: Combate, Guerra.;

Pobres: 9, 10, 21, 33, 67, 68, 75, 85, 108, 112, 114, 137, 139, 145, 149. Povo de Deus: Ver:

Igreja; Provação: 21, 30, 38, 41, 56, 70, 72, 76, 87, 89, 90, 94, 101, 136, 137, 141; Ver:

Perseguição, Doença; Refeição: 22, 33, 77, 103, 144;

Reino ( de Deus ): 44, 92, 96, 97, 98, 109, 144, 149.; Renovação : 29, 50, 70, 84, 101, 102, 125.;

Riquezas: 36, 48, 61, 72.; Salvação: Ver: Libertação; Sofrimento: Ver: Doença, Perseguição,

Provação, Guerra, Pobres.; Trabalho: 103, 126, 127.; Unidade: 47, 86, 121, 132, 147.; Verdade:

Ver: Fidelidade; Vida: 15, 20, 21, 22, 33, 48, 89, 114, 141, 142.;

O Cântico dos Cânticos

1- Introdução:

O título deste pequeno livro é, na realidade, um superlativo,algo como: “o Cântico mais bonito”; o melhor cântico; “o canto porexcelência”

2- Autoria e Data:

É tradicionalmente atribuído a Salomão, mas ele não é o autor.

A linguagem do livro é muito posterior a Salomão, provavelmente foi escrito por volta da primeira metade do séc. IV a.C.

3- Comentário:

O tema é o amor de Salomão pela Sulamita(a mulher digna de Salomão,uma interpletação alegórica – o esposo Deus e a esposa a filha de Sionou seja o povo de Israel) que é guarda de vinhas e pastora.

O Autor do Cântico quis descrever as peripécias do amor que nascee, após muitas vicissitudes, se consuma nas núpcias, para ilustrar orelacionamento vigente entre Javé, o Deus da Aliança, e Israel, o povode dura cerviz rebelde. Em perspectiva Cristã, pode-se identificar oCristo com o Esposo do Ct e a Igreja com a Esposa. Mais particularmenteainda, os místicos cristãos consideram sob figura da Esposa a VirgemMaria, e, por ultimo, toda e qualquer alma fiel. Sem duvida, o amor deDeus se revela, de modo muito vivo, na Paixão do Senhor Jesus, quando
Cristo se entrega pelos pecadores, contrariando todas as regras do bom senso humano.

Cenas de veemente amor e as descrições minuciosas da figura da esposanão devem escandalizar o leitor, mas lembram-lhe o estilo dosorientais, sempre dado a termos concretos e exuberantes; tais passagensdevem levar a compreender ainda melhor o extraordinário amor de Deuspelo seu povo. Os grandes místicos descobrem no Cânticos dos Cânticosas fases da Vida Espiritual.

Os diversos poemas descrevem o curso deste amor: Começa com oprimeiro despontar até a união nupcial, passando por fases dehesitação. Não existe uma seqüência lógica, todavia existe uma evoluçãoprogressiva em sentido do amor. Não fala de Deus, apresenta cenas deforte paixão; é o que tem provocado estranheza através dos séculossuscitando outras interpretações.

Vejamos algumas:

O Cântico é um poema de amor ( uma coleção de poemas de amor), com ostemas típicos e os tópicos dos cantos de amor de todas as épocas(apresenta notadas semelhanças com canções de amor egípcias e sírias).

"No decurso dos séculos o Cântico foi interpretado de muitasmaneiras, mas nenhuma obteve a aceitação universal". Os dois enfoquesdominantes são os seguintes:

a) Interpretação Alegórica: A obra seria uma alegoria, Deus seria oAmado e o povo a amada (João fala de Jesus como noivo e dá a entenderque a Igreja é a noiva – talvez por influência do Cântico). Essalinguagem (nupcial) é muito usada por profetas (Oséias, Jeremias eEzequiel).

b) Interpretação literal : O Cântico é um louvor do amor humanocomo foi desejado e criado por Deus (Cantos de festa de casamento). Nolivro não se fala de Deus (diretamente): fala-se do homem e da mulhertal como são: "Não é bom que o homem esteja só".

"Atraindo a atenção para o elemento pessoal do casamento, o Cânticonão só proporcionou uma visão mais equilibrada com enriqueceu oconceito de casamento: o amor revela o valor único de uma pessoa eestabelece uma real igualdade entre o homem e a mulher; é significativoque a liberdade de escolha por parte da mulher é aqui pressuposta comocoisa evidente". No contexto também se percebe a concepção de uniãomonogâmica e indissolúvel.

"Portanto, uma vez reconhecido o amor como elemento constitutivo docasamento, lado a lado com a fundação de uma família, o indivíduodeixou de ser absorvido no grupo. É um passo decisivo no que seconcerne ao reconhecimento da dignidade pessoal de todo homem e de todamulher".

O livro é interessante também do ponto de vista da cultura judaica,pois reproduz costumes matrimoniais até hoje vigentes no povo judeu:assim, por exemplo, a celebração das núpcias na primavera e durantesete dias: tais dias são chamados “a semana do rei”, pois, enquantoduram, o esposo e a esposa fazem as vezes de rei e rainha; antes do diafinal, a esposa, tendo uma espada na mão direita dirige coros quecantam a beleza dos dois nubentes; finalmente, o esposo, acompanhadopor seus amigos, vai buscar a esposa à noite e a leva para o seudomicilio.

Em suma, o Cântico dos Cânticos é mais um documento que, do seumodo, atenta o mistério da aliança de Deus com os homens, que enchetoda a historia sagrada.


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