Formação

Os três pastorinhos de Fátima

As crianças portuguesas testemunharam as aparições do Anjo de Portugal e da Virgem Maria ocorridas em Fátima entre 1916 e 1917.

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Francisco Marto (Aljustrel, Fátima, 11 de junho de 1908 – 04 de abril de 1919) e Jacinta Marto (Aljustrel, Fátima, 11 de março de 1910 – Lisboa, 20 de fevereiro de 1920) foram dois dos três pastorzinhos que alegadamente viram Nossa Senhora, na Cova da Iria, de 13 de maio a 13 de outubro de 1917.

Conheça Jacinta e Francisco

Jacinta e Francisco eram crianças típicas do Portugal rural da época. Não frequentaram a escola, e trabalhavam como pastores em conjunto com a sua prima Lúcia. De acordo com as memórias de Lúcia, Francisco era um rapaz muito calmo, gostava de música e muito independente nas opiniões. Jacinta era mais afetiva e muito mimada, emocionalmente mais frágil.

Na sequência das aparições, o comportamento dos dois irmãos alterou-se. Francisco preferia rezar sozinho, como dizia “para consolar Jesus pelos pecados do mundo”. Jacinta ficou aterrorizada por uma visão do Inferno supostamente ocorrida na terceira aparição. Ficou obcecada pela ideia de salvar tantos pecadores quanto possível através da penitência e sacrifício como pedia a Virgem Maria.

As três crianças, mas particularmente Jacinta e Francisco, praticaram mortificações e penitências. É possível que prolongados jejuns os tenham enfraquecido a ponto de os irmãos terem sucumbido à epidemia do vírus influenza que varreu a Europa em 1918. Francisco morreu em casa em 1919. Jacinta, que sofria de pleurisia e não podia ser anestesiada devido à má condição do seu coração, foi assistida em vários hospitais, acabando por sucumbir em 20 de fevereiro de 1920, sozinha, num hospital.

Francisco e a irmã Jacinta foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 13 de maio de 2000. E canonizados no dia 13 de Maio de 2017.
 

Um pouco sobre Lúcia

Lúcia de Jesus dos Santos (Aljustrel, Fátima, 28 de março de 1907 – Coimbra, 13 de fevereiro de 2005), conhecida no Carmelo como Irmã Lúcia do Coração Imaculado, Ordem das Carmelitas Descalças, e reverenciada por alguns católicos portugueses simplesmente como a Irmã Lúcia, foi, juntamente com Jacinta e Francisco Marto, uma das três crianças que afirmaram ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, durante o ano de 1917.

Lúcia nasceu no lugar de Aljustrel, próximo de Fátima. Tinha dez anos quando disse ter visto, pela primeira vez, Nossa Senhora na Cova da Iria, juntamente com os primos Jacinta e Francisco Marto. Lúcia foi a única dos três que alegava ter ouvido as palavras da Virgem, e como tal era a portadora do suposto Segredo de Fátima.

Nos primeiros tempos, a hierarquia católica revelou-se cética sobre as afirmações dos três Pastorinhos e foi, a 13 de outubro de 1930, que o bispo de Leiria tornou público, oficialmente, que as aparições eram dignas de crédito segundo a Igreja Católica. A partir daí, o Santuário de Fátima ganhou certa expressão internacional, enquanto a Irmã Lúcia viveu cada vez mais isolada.

Em 17 de junho de 1921, o bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, proporcionou a sua entrada no colégio das irmãs doroteias em Vilar, Porto, alegadamente para a proteger dos peregrinos e curiosos que acorriam cada vez mais à Cova da Iria e pretendiam falar com ela. Professou como doroteia em 1928, em Tuy (Espanha), onde viveu alguns anos.

Em 1946 regressou a Portugal e, dois anos depois, entrou para o Carmelo de Santa Teresa em Coimbra, onde professou como carmelita a 31 de maio de 1949. Foi neste convento que escreveu dois volumes com as suas Memórias e os Apelos da Mensagem de Fátima. Em 1991, quando o Papa João Paulo II visitou Fátima, convidou a Irmã Lúcia a deslocar-se ali e esteve reunido com ela 12 minutos. Antes, já se tinha encontrado também em Fátima com o Papa Paulo VI.

Lúcia morreu no dia 13 de fevereiro de 2005 no Convento Carmelita de Santa Teresa em Coimbra, onde vivia afastada do mundo desde 1948. O corpo foi transladado de Coimbra para o Santuário de Fátima em 19 de fevereiro de 2006.


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