É Outubro. Outra vez. De novo. Sempre novo. De um ano atípico, com ares justiceiros e gritos de indignação. É tempo. Um tempo meio fechado, nublado, não pelas nuvens costumeiras que desfilam pelos céus da nossa região.
Outubro começou mais emocionante que de costume, chegou com o período dos candidatos e dos eleitos, do acolhimento e da rejeição, da preferência e da preterição. Instantes que escondem e revelam: escolhas, rostos, propostas. E também é Círio.
Vemos passear pelas ruas e pela alma o rosto da escolha acertada, uma eleição absoluta de um novo tão novo quanto poderia ser, que tornou-se antigo sem perder o frescor e a beleza dos primeiros dias, um fruto jovem, sem ser verde, ao contrário, plenamente amadurecido. Uma jovem com a Vida aconchegada nos braços que ano após ano permanece atual por ser uma verdadeira eleita.
Suas palavras nunca saem de moda, pois não são proferidas para o agrado. Suas palavras apresentam a Verdade, o que é fiel e fato, o que tem pura e reta intenção. Suas palavras e vida nos são referência, modelo, uma reta segura onde podemos caminhar com liberdade. Uma linha que norteia e sustenta, uma linha mestra, que é Amor, traçada pelo Amor para a Mestra do Amor.
A vida e o Fruto vindo de Maria, nos ensinam a amar. E o Amor pressupõe a verdade, a alegria, a segurança. Por ter uma Linha Mestra, Maria foi capaz de guardar a vida e defendê-la, foi capaz de proteger a inocência e a pureza. Em meio às incertezas, quando chegou o medo do futuro, ela acreditou.
Maria, eleita de Deus, por isso soberana entre os homens. Sem culpa, sem manchas, tão diferente de nós. Criada pela Perfeição para ser colaboradora da graça, nos convida a ser colaboradores da mesma graça, empenhados em fazer escolhas acertadas, responsáveis, sóbrias e empenhadas em cooperar, coadjuvar, somar: Abraçar o diferente, o que não pensa exatamente como a gente, mas que traz em si o mesmo desejo de trilhar a Linha Mestra de Amor. Maria é uma agregadora, uma Mãe de muitos filhos. Em seu abraço, acolheu João e nele toda a humanidade, de maneira individual, única, no universo que é cada coração, de todo homem, de cada homem.
Linha Mestra… Modelo de Amor. Que tudo ampara e socorre.
Se andamos por ela, amamos.
Se confiamos nela, ganhamos.
Se desejamos multiplicá-la, nos responsabilizamos.
Se a defendemos, nos unimos.
Se pedimos tolerância, paz, aceitação, damos exemplo.
Se protegemos seus valores, guardamos sua integridade.
Se guardamos sua integridade, preservamos sua pureza.
Se protegemos sua pureza, conservamos sua direção.
E nessa direção caminharemos. E em alguns ou muitos momentos, vamos divergir, dialogar, ponderar. Porém, conservada e protegida a Linha Mestra, nos uniremos em propósitos e ideais de justiça, bem comum, respeito e auxílio mútuo.
Uma Linha Mestra une propósitos, sustenta sonhos, muda o coração do homem e o coração do mundo. Não busca ou fomenta cisão.
Se desejamos vida plena, verdade, a realidade dos fatos, o confronto de nós mesmos na busca decidida pelo conhecimento interior que transborda em bem genuíno, nós estamos do mesmo lado.
Sim, existem lados! Não sabia? Em nossa Linha Mestra o lado de cá é esta vida e o de lá a eternidade. Aqui escolhemos, lá desfrutamos. O que te fará ganhar o eterno? Merecimento? Misericórdia! Podemos colaborar com ela “andando na linha”, aprendendo com a Mestra.
A maior satisfação de uma mãe é saber seu filho amado. Neste Círio, apenas ame. O amor se encarrega de tudo o mais, inclusive e principalmente das nossas mais sagradas escolhas.
Fabielle Gomes
