Formação

Paciência na dor

Qual seria a medida de um sofrimento para ganhar o céu?

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São João Crisóstomo escreve: quando o Senhor concede a alguém a graça de sofrer, faz-lhe um bem maior do que se lhe desse o poder de ressuscitar os mortos. Isto porque o homem que faz milagres se torna devedor a Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor ao homem.

Nada agrada mais a Deus do que sofrer com paciência e paz todas as cruzes que Ele envia. A sabedoria dos santos está justamente aí: sofrer constantemente por Jesus, para ficarem logo santos. Santa Teresa afirmava que “Deus não manda nenhum sofrimento sem pagá-lo imediatamente com algum favor.”

Mas, qual seria a medida de um sofrimento para ganhar o céu?

São João viu todos os santos vestidos de branco, segurando palmas nas mãos. Sabemos que as palmas é o símbolo do martírio, porém nem todos os santos foram martirizados. Por que então todos possuem palmas nas mãos? São Gregório explica que todos os santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência e ainda acrescenta: “Nós podemos ser mártires sem a espada, se guardarmos a paciência”.

A palavra chave maior que a dor é a mansidão. Bastante necessária para se viver com dignidade e paciência a vontade de Deus em nossa caminhada, que nem sempre está livre de sofrimentos.

“Nunca me irritei, sem ter de me arrepender depois”, dizia São Francisco Sales.

Muitas vezes somos surpreendidos pela raiva no contratempo. Somos humanos e não entendemos pra que aquele sofrimento. Bater de frente é em vão. Por isso que a oração constante nos prepara para todos os problemas que possam aparecer durante o dia, a fim de que caso aconteça não caiamos em falta, e assim “acolher sem reservas todas as disposições da Providência a nosso respeito e, consequentemente, abraçar em paz tudo que nos acontece favorável ou desfavoravelmente”, afirma Santo Afonso¹.

As doenças, as dores, injúrias, perseguições, a morte de parentes, perda dos bens, tudo que nos contraria e as tribulações da vida é preciso sofrer com paciência, “pois mais agrada a Deus as mortificações involuntárias enviadas por ele do que as voluntárias que são de nossas escolhas”.

Sendo assim, é no sofrimento e no abraçar com mansidão e alegria as coisas que não são do nosso agrado ou contrárias ao nosso amor próprio que se conhece quem ama de verdade Jesus Cristo.

“Quem não está pronto a sofrer tudo pela pessoa amada e a seguir sempre sua vontade, não merece o nome de verdadeiro amigo”. Tomás de Kempis (Imitação de Cristo)

¹A prática do amor a jesus Cristo –Santo Afonso de Ligório


Comentários

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  1. Muito lindo esse texto. Me ensina a ser cristã de verdade. Nesse mundo em que a felicidade se encontra em ter todas as suas vontades realizadas, o cristianismo, a vida dos santos e a vida de Nosso Senhor revelam que a verdadeira felicidade se encontram na comunhão com a vontade de Deus!