Na celebração da Festa da Epifania, 6 de janeiro, o Papa Francisco indagou os fiéis sobre como está o desejo de cada um por Deus. “É triste quando uma comunidade de crentes já não tem desejos, arrastando-se, cansada, na gestão das coisas, em vez de se deixar levar por Jesus, pela alegria explosiva e desinquietadora do Evangelho”, disse o Pontífice.
Meditando sobre a figura dos Reis Magos que peregrinaram ao encontro do Menino Jesus, Francisco afirmou que eles tinham o “coração inquieto”. “Mas esta saudável inquietação, que os levou a peregrinar, donde nasce? Nasce do desejo. Eis o seu segredo interior: saber desejar.”
De acordo com o Papa, a “viagem da vida” também necessita desse impulso interior que movia os Magos. “Será bom perguntar-nos: a que ponto estamos nós na viagem da fé? Não estaremos já há bastante tempo bloqueados, estacionados numa religião convencional, exterior, formal, que deixou de aquecer o coração e já não muda a vida?”
Entrar na escola de desejo dos Magos
Papa Francisco apontou a crise de fé e o olhar voltado para si mesmo como as principais causas para a falta de desejo e de alegria nos dias de hoje. E convidou todos a entrarem na “escola de desejo” dos Magos. De acordo com o Pontífice, os Reis apontam cinco atitudes a serem imitadas: partir, perguntar, desafiar, regressar e adorar.
Eles “ensinam-nos que é preciso voltar a partir sempre cada dia, tanto na vida como na fé, porque a fé não é uma armadura que imobiliza, mas uma viagem fascinante, um movimento contínuo e desinquietador, sempre à procura de Deus”.
“Deus dirige-Se a nós mais com perguntas do que com respostas”
De acordo com Francisco, também é preciso deixar-se interpelar pelo Senhor. “Deus dirige-Se a nós mais com perguntas do que com respostas”, afirmou. Outra atitude apontada pelo Papa a ser imitada é a coragem de desafiar. “Ensinam-nos que temos necessidade duma fé corajosa, que não tenha medo de desafiar as lógicas obscuras do poder, tornando-se semente de justiça e fraternidade”.
Nesse sentido, o Santo Padre afirmou ainda que é preciso saber regressar por outro caminho. “É a criatividade do Espírito, que faz sempre coisas novas. É também, neste momento, uma das tarefas do Sínodo que nós estamos a realizar: caminhar numa escuta conjunta, para que o Espírito nos sugira caminhos novos”, finalizou.
A adoração faz recuperar o desejo
Em conclusão, Francisco falou sobre a adoração dos Reis Magos. “Lembremo-nos disto: a viagem da fé só encontra ímpeto e cumprimento na presença de Deus. Só se recuperarmos o gosto da adoração é que se renova o desejo. O desejo leva-te à adoração e a adoração renova em ti o desejo. Porque o desejo de Deus cresce apenas permanecendo diante de Deus”, finalizou.