Igreja

Leão XIV inicia novo ciclo de catequeses e destaca a liturgia como fonte da vida cristã

O novo ciclo de catequeses deverá aprofundar, nas próximas semanas, diferentes aspectos da Constituição Sacrosanctum Concilium e do mistério da liturgia na vida da Igreja.

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Foto: Vatican Media

Na catequese desta quarta-feira, 20 de maio, o Papa Leão XIV iniciou um novo ciclo de reflexões dedicado aos documentos do Concílio Vaticano II. O texto aprofundado pelo Pontífice foi a Constituição Sacrosanctum Concilium, dedicada à sagrada liturgia, apresentada pelo Papa como realidade que toca “o próprio coração do mistério da Igreja”.

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Logo no início da audiência, Leão XIV explicou que os Padres conciliares não desejavam apenas promover uma reforma externa dos ritos litúrgicos, mas conduzir toda a Igreja a contemplar mais profundamente o mistério de Cristo vivo e atuante na liturgia.

“A liturgia toca o próprio coração deste mistério: ela é simultaneamente o espaço, o tempo e o contexto em que a Igreja recebe de Cristo a própria vida.”

Segundo o Santo Padre, é na liturgia que se realiza a obra da redenção e onde o povo de Deus é continuamente configurado a Cristo.

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A catequese destacou que o “Mistério” cristão não é uma realidade obscura ou abstrata, mas o próprio desígnio de salvação revelado plenamente em Jesus Cristo através de sua paixão, morte e ressurreição.

“O Mistério cristão é o evento pascal, ou seja, a paixão, a morte, a ressurreição e a glorificação de Cristo.”

Leão XIV recordou que toda vez que os fiéis participam da assembleia litúrgica reunida em nome de Cristo, mergulham sacramentalmente neste mistério pascal.

Cristo continua agindo na liturgia

Ao aprofundar o ensinamento da Sacrosanctum Concilium, o Papa explicou que o próprio Cristo permanece presente e atuante na vida litúrgica da Igreja através do Espírito Santo.

Segundo ele, Jesus exerce seu sacerdócio: na Palavra proclamada; nos sacramentos; nos ministros; na comunidade reunida; e de modo supremo na Eucaristia.

“Na sagrada liturgia, com o poder do seu Espírito, Ele continua a agir.”

Citando Santo Agostinho, Leão XIV recordou que, ao celebrar a Eucaristia, a Igreja recebe o Corpo de Cristo e se torna aquilo que recebe: o próprio Corpo do Senhor.

A liturgia forma a identidade da Igreja

O Pontífice destacou ainda que a liturgia não é apenas expressão da fé da Igreja, mas também aquilo que molda concretamente sua identidade.

Os ritos, os símbolos, os momentos de silêncio, as orações e os gestos litúrgicos formam espiritualmente o povo de Deus e manifestam a comunhão da Igreja.

“A ritualidade da Igreja expressa a sua fé e, ao mesmo tempo, modela a identidade eclesial.”

Leão XIV recordou a antiga máxima: Lex orandi, lex credendi — “a lei da oração é a lei da fé”.

Assim, aquilo que a Igreja celebra revela aquilo que ela crê.

Fonte e ápice da vida cristã

Durante a catequese, o Papa retomou uma das expressões mais importantes da Sacrosanctum Concilium, afirmando que a liturgia é: “a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força.”

Segundo ele, toda a missão da Igreja — evangelização, serviço aos pobres, formação e ação pastoral — converge para a liturgia e dela recebe força.

Ao mesmo tempo, a participação litúrgica não pode permanecer apenas externa ou ritual, mas deve transformar concretamente a vida dos cristãos.

“A liturgia celebrada traduz-se em vida e exige uma existência fiel.”

Inspirado na Carta aos Romanos, o Papa recordou que a vida cristã inteira deve tornar-se “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”.

Uma liturgia que abre a Igreja ao mundo

Na parte final da catequese, Leão XIV destacou a dimensão missionária e universal da liturgia. Segundo ele, a liturgia forma uma comunidade aberta e acolhedora, chamada a ser sinal de unidade para toda a humanidade.

O novo ciclo de catequeses deverá aprofundar, nas próximas semanas, diferentes aspectos da Constituição Sacrosanctum Concilium e do mistério da liturgia na vida da Igreja.


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