Igreja

Papa: O poder da oração ilumina as situações sombrias

Na audiência desta quarta-feira (26), o Pontífice refletiu sobre os sonhos de São José para falar sobre oração e confiança em Deus; deixou também uma palavra aos pais diante dos problemas com os filhos e ainda convidou a rezar pela paz na Ucrânia.

comshalom

“São José, homem que sonha” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (26), realizada na Sala Paulo VI. E assim, o Papa Francisco convidou as pessoas a enfrentar o medo, imitando a oração e a coragem de são José que reconheceu a voz de Deus e enfrentou as dificuldades sem sucumbir.

“O medo também faz parte da vida e precisa da nossa oração. Deus não nos promete que nunca teremos medo, mas que, com a sua ajuda, este não será o critério para as nossas decisões… José experimenta o medo, mas Deus guia-o através dele. O poder da oração ilumina as situações de escuridão”, disse  o Santo Padre.

Segundo o Papa, “devemos dizer que dentro de cada um de nós não existe apenas a voz de Deus: existem muitas outras vozes. Por exemplo, as vozes de nossos medos, experiências passadas, das esperanças; e há também a voz do maligno que quer nos enganar e confundir. Portanto, é importante ser capaz de reconhecer a voz de Deus no meio de outras vozes”. Francisco refletiu sobre os sonhos de São José narrados nos Evangelhos que ajudam a “compreender como nos colocarmos perante a revelação de Deus”.

O Anjo do Senhor alerta São José 

No primeiro sonho, o anjo ajuda José a resolver o drama que o aflige ao saber da gravidez de Maria. O anjo lhe diz para não ter medo de receber Maria como esposa. A resposta de José foi imediata, pois quando acordou fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado.

“Muitas vezes a vida coloca-nos diante de situações que não compreendemos e que parecem não ter solução. Rezar nesses momentos significa deixar que o Senhor nos indique o que é justo fazer. Na verdade, muitas vezes é a oração que nos dá a intuição da saída, como resolver aquela situação”, afirmou.

A fuga para o Egito

Em outro sonho é revelado a  José que a vida do menino Jesus está em perigo. Ele então, pegou o menino Jesus com a mãe e fogem para o Egito e ficou lá até a morte de Herodes.

O Papa explicou então que “o Senhor nunca permite que um problema surja sem nos conceder também a ajuda necessária para o enfrentar” e acrescentou de improviso que Deus “não nos lança sozinhos na fornalha. Não nos lança no meio das feras. Não. O Senhor quando nos mostra um problema ou revela um problema, dá-nos sempre a intuição, a ajuda, a sua presença, para sairmos dele, para o resolver”.

“Na vida fazemos experiência de perigos que ameaçam nossa existência ou a de quem amamos. Nessas situações, rezar significa escutar a voz que pode fazer nascer em nós a coragem de José para enfrentar as dificuldades sem sucumbir.”

O medo não pode atrapalhar na escuta de Deus

No Egito, José espera de Deus o sinal para poder voltar para casa. Este é o conteúdo do terceiro sonho. O anjo lhe revela que aqueles que queriam matar o menino morreram e ordena a José de partir com Maria e Jesus e retornar à sua pátria. Mas na viagem de volta, “quando soube que Arquelau reinava na Judéia, como sucessor de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá”. Depois de receber aviso em sonho, José partiu para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Esta é a quarta revelação.

“O medo também faz parte da vida e ele também precisa da nossa oração. Deus não nos promete que não teremos mais medo, mas que, com sua ajuda, o medo não será o critério de nossas decisões. José experimenta o medo, mas Deus também o guia através do medo. O poder da oração ilumina as situações sombrias.”

José rezava, trabalhava e amava

A seguir, o Papa recordou “as muitas pessoas que são esmagadas pelo peso da vida e não conseguem mais esperar e nem rezar. Que São José as ajude a abrir-se ao diálogo com Deus, para reencontrar luz, força e paz”.

Há muitos problemas que levam os pais a sofrerem diante dos filhos, por exemplo, filhos que possuem doenças, diferenças de ideias e ideologias… “A esses pais eu digo que não se espantem. Há muita dor, muita, mas pensem no Senhor, pensem em como José resolveu os problemas e peçam a José que os ajude. Nunca condenar um filho”, sugeriu o Papa.

O Papa concluiu, dizendo que “a oração nunca é um gesto abstrato ou intimista, como querem fazer estes movimentos espiritualistas mais gnósticos do que cristãos, não é isso. A oração está sempre indissoluvelmente ligada à caridade. Somente quando unimos o amor à oração, amor pelo filho e pelo próximo, conseguimos compreender as mensagens do Senhor.

São José “rezava, trabalhava e amava” e, por isso, “recebeu sempre o necessário para enfrentar as provações da vida”, por isso exortou a confiar a ele com esta oração:

São José, vós sois o homem que sonha,
ensinai-nos a recuperar a vida espiritual
como o lugar interior onde Deus se manifesta e nos salva.
Retirai de nós o pensamento de que rezar é inútil;
ajudai cada um de nós a corresponder ao que o Senhor nos indica.
Que o nosso raciocínio seja irradiado pela luz do Espírito,
o nosso coração encorajado pela Sua força
e os nossos receios salvos pela Sua misericórdia.
Amém.

Oração pela paz na Ucrânia

Depois, por ocasião do Dia de Oração pela Paz convocado para hoje, 26 de janeiro, o Papa convidou “a rezar pela paz na Ucrânia, e a fazê-lo muitas vezes durante este dia”.

“Peçamos ao Senhor com insistência que aquela terra possa ver florescer a fraternidade e superar feridas, medos e divisões.”

Recordando também o Dia internacional da memória das vítimas do Holocausto que se celebra todo dia 27 de janeiro, o Papa continuou a pedir que “as orações e súplicas, que hoje se elevam ao Céu, toquem as mentes e os corações dos responsáveis na terra, para que façam prevalecer o diálogo, e o bem de todos seja colocado acima dos interesses de parte. Por favor, nunca mais a guerra!” exortou o papa.

Para isso, Francisco pediu rezar pela paz “com o Pai Nosso: é a oração dos filhos que se dirigem ao mesmo Pai, é a oração que nos faz irmãos, é a oração dos irmãos que imploram reconciliação e concórdia”.


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