Dúvidas, quem de nós nunca foi atropelado por elas?
Nem sempre a dúvida é um sintoma de falta de confiança ou de suspeitas. Uma boa interrogação nos oferece estratégias para nos defender, atacar ou mesmo fugir diante de perigos e ameaças reais, é verdade. Mas também, nos oferece meios para um empenho mais certeiro no cumprimento de uma importante tarefa. Tudo vai depender de quais personagens estão envolvidos na relação e do grau de confiança entre eles.
Eu era uma jovem mulher e vivia na Galileia, na época, um ambiente bastante hostil e envolvido por uma atmosfera de grandes sofrimentos, medos e tensões, devido à forte opressão do Império Romano. Contudo, amava o meu povo tanto quanto sofria e amava o meu Deus Adonai. Não queria nada, absolutamente nada, desvinculado de nossas tradições e de nossa pertença a Deus.
Eu estava prometida em casamento a um homem muito justo e temente a Deus, meu querido José. Ele seria meu protetor e guardião e juntos amaríamos a Deus de modo incondicional. Contudo, Deus tinha algo a mais em seu perfeito e amoroso coração, que excedia tudo o que poderíamos imaginar.
Era um dia como outro qualquer, não havia percebido nada de diferente na minha rotina ordinária. Tanto que cuidava dos afazeres domésticos, como qualquer moça justa do meu povo. Ele, então, entrou onde eu estava e se colocou diante de mim. Fez uma saudação tão reluzente, que parecia um eco de algo que eu já trazia dentro de mim, mesmo não sabendo explicar como. Ele disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28).
Confesso que fiquei bastante perturbada, tanto que um turbilhão de pensamentos veio à minha cabeça e coração (Cf. Lc 1,29). Ele, porém, percebendo meu estado de ânimo, procurou me tranquilizar, dizendo: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1,30-33).
Tinha a sensação de que, quanto mais eu ouvia aquele personagem cheio de luz, mais confusa eu ficava. Fui direto ao assunto e perguntei: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?”(cf. Lc 1,34). Ele respondeu, sem pestanejar: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1,35).
O Criador, quando resolve agir, parece uma explosão de graças e intervenções. Ali, comecei a me dar conta de que, de fato, havia uma graça e uma eleição diferente na minha vida. Um ser humano qualquer, sem o apoio e sustento do Criador e Senhor, desmaiaria. Porém, não havia acabado a revelação, o Ser cheio de brilho e beleza continuou: “Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível” (Lc 1,36,37).
Como resistir à vontade de meu Criador e Senhor? Não fazia ideia do que ia dizer a José. Ele era um homem fiel e justo, mas era homem, como fazê-lo acreditar que eu não o havia traído? (Cf. Lc 1,38). Todavia, meu amor e confiança em Deus, mais uma vez, falou mais alto, eu então respondi ao Divino mensageiro: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” Em seguida, ele se retirou e me deixou com essa santa e divina missão (Cf. Lc 1,26-38).
Vou terminar por aqui a minha partilha, mas espere! Continuarei partilhando em outras matérias que virão. Meu intuito é ajudar você a acolher e amar, meu “Shalomzinho”, meu filho querido Jesus. Até mais!
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