Para falar um pouco da importância dessa obra queremos que vocês conheçam o testemunho de Raquel Vital, missionária da Comunidade Shalom, mineira de Belo Horizonte a quem Deus mandou literalmente para o deserto para falar-lhe ao coração.
Meu primeiro contato com a Comunidade Shalom aconteceu há mais de dez anos. Foi em uma celebração eucarística em minha terra natal ao visitar parentes num final de ano.
Eu não resolvi ser missionária. Foi algo que aos poucos fui descobrindo. Eu sempre pensava que Deus tinha algo especial para minha vida. Mas eu não sabia o que era. Nunca havia pensado e muito menos resolvido ser missionária.
Minha experiência com Jesus foi em 2007, embora sempre tivesse participado das pastorais da Juventude. Meu chamado aconteceu nesse ano. Só que minha ideia de serviço era algum trabalho de caridade.
Depois do meu encontro com a pessoa de Jesus minha vida ganhou outro sentido e num segundo contato com a comunidade eu resolvi buscar mais a fundo para entender o que estava se passando comigo. As coisas do mundo já não tinham mais sentido para mim.
Nessa busca resolvi participar de um retiro de Carnaval e nesse encontro fui muito tocada. Durante uma das pregações que falava sobre o amor de Deus, eu ouvi que Ele tinha um plano para minha vida e naquele momento eu senti que tinha encontrado o que buscava. Pedi uma resposta a Deus e no momento da efusão do Espírito, quando as pessoas oravam por mim, Ele me dizia: Eu te escolhi, Eu te escolhi. Depois desse momento não tive mais dúvida e comecei a trilhar o caminho vocacional dentro da comunidade Shalom.
Depois de entender melhor minha vocação escrevi uma carta pedindo para sair em trabalho de missão. Minha solicitação foi aceita e fui enviada como missionária para a Tunísia. Lá fiquei por cinco anos e só voltei no ano passado.
Foi uma experiência muito rica e que me marcou muito. Convivi com jovens dessa localidade e também da África. Não sou mais a mesma pessoa por eles. Por viver com eles e pela obra de autoconhecimento que eu fiz. Ter ido de uma missão para outra eu só ganhei, porque eu pude me conhecer ver quem eu era e ver quem eu sou.
Uma coisa que me sustentava e que me aumentava meu desejo de sair em missão foi ter visto nos lugares que eu passei que a messe é grande e que os operários são poucos. Mesmo com toda a tecnologia que temos no mundo você não consegue acreditar que ainda há muitas pessoas que nunca tinham ouvido falar de Jesus ou muito menos experimentado-o.
Para mim esse partir em missão é partir também para um encontro com si mesmo.
Para os que têm o desejo de trilhar esse caminho ou que estejam buscando algo que dê sentido para suas vidas eu digo para não terem medo de se abandonarem, porque as experiências de amor que viverão superarão qualquer medo.
Hoje depois de minha experiência na Tunísia entendi que ser missionária é um caminho de descida, porque você vai descendo em sua verdade cada vez mais. Estando nele você vai descobrindo que quem quer ser o primeiro tem que ser o último. O caminho de serviço não é fácil, porque nossa humanidade ferida grita muito.
Ao mesmo tempo em que é um caminho de cruz é um caminho de ressurreição de alegria, porque é uma satisfação plena você gastar o seu dia em serviço ao outro. Não tem preço. Hoje o que me faz ser feliz e o que dá sentido para minha vida não são coisas, não é fazer coisas, mas sim ser algo para o outro.
O trabalho de missão é um caminho de salvação, mas que só é possível ir adiante com Deus. Não importa que não vejamos os frutos, porque eles não são nossos. O que importa é vermos que mesmo na miséria, na sua dureza de coração Deus toca as pessoas. Não há satisfação maior do que essa. São nesses momentos que nossa existência ganha sentido. É algo que nada no mundo pode superar.
Hoje o tempo já não me importa mais. Ele já não me pertence. Estou sempre com um coração desejoso de partir. Não me acomodo mais. Ao ver uma necessidade de missão, para ir até pessoas que não conhecem a Deus eu falo ao Senhor eis-me aqui, seja feita a sua vontade e que meu coração está aberto.
Queria deixar uma palavra para meus irmãos de Comunidade. Nossas seguranças são muito aparentes. Às vezes as colocamos em coisas, em trabalho, em família. Temos dúvidas e nos questionamos como é que eu vou deixar essa pessoa?
Eu lhes digo que há coisas que só a distância pode fazer pela obra de Deus. Às vezes, como foi o meu caso, Ele precisou me mandar literalmente para o deserto para me falar ao coração.
Há pessoas que eu encontrei e que entendi que eu estava ali por aquela pessoa. Que não tenhamos receio em partir, porque as experiências de amor que vivemos superam qualquer medo. Que o nosso coração esteja disposto a ir onde Deus quiser. Não para que façamos algo, mas para que Ele possa realizar a obra através da nossa vida.






Bendito seja Deus! “Se Tu queres, eu quero!”