Formação

Páscoa – Jesus é o Senhor!

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Dom Pedro José Conti

Asolenidade da Páscoa é a maior festa dos cristãos. Nestes diaslembramos a paixão, a morte na cruz e a ressurreição de Jesus. Fatosrelatados nos Evangelhos e sempre lembrados pelos discípulos eseguidores dele em qualquer época ou cultura se encontrem. Também osmais distraídos ou superatarefados param um pouco na Sexta-feira daPaixão. Todos os que, de uma forma ou de outra, ouviram falar de Jesuspercebem o respeito que devemos à sua morte, e a absoluta novidade querepresenta a fé na sua ressurreição.

Contudopoderíamos pensar que se passaram tantos anos, com tantas novidades poraí, por que nos lembrarmos disso ainda? É que se os cristãos parassemde zelar pela memória do Senhor, logo deixariam de ser os tais. Comefeito, como nos lembrou a Conferência de Aparecida: Jesus não convidouos discípulos a seguir uma doutrina, a se vincular a algo detranscendente, ou a obedecer a uma lei. Ele os chamou a segui-lo maisde perto, a seguir a ele mesmo como pessoa. É verdade que os anospassaram, mas os verdadeiros seguidores de Jesus devem continuar abuscá-lo, para reconhecê-lo, entendê-lo e segui-lo, hoje e sempre, naliberdade da fé e do amor.

APáscoa que celebramos, portanto, não é a comemoração de histórias dopassado, mais ou menos bem contadas, ou dramatizadas. Ao contrário, é apossibilidade que nos é oferecida de participar do grande evento quechamamos de redenção, dos seus frutos e das suas conseqüências.

Dizendocom outras palavras. Jesus está vivo, ressuscitado, e continua a noschamar a segui-lo. Ser cristão, para muitos, pode ser uma simplesformalidade ou um acessório de sua existência humana, mais ligado àscircunstâncias, como ter nascido num país e numa família cristã ecatólica, por exemplo, sem alguma conseqüência prática ou moral. Paraque as coisas não fiquem  na superfície, e para nos tornarmos cristãosmais sérios e amorosos, cada um de nós precisa refazer o caminho e aexperiência dos primeiros discípulos e dos cristãos de todos os tempos.

Afé cristã se resume em três afirmações: Jesus morreu, Jesusressuscitou, Jesus é o Senhor! De novo precisamos entender o sentidodaquela morte na cruz, o abismo de mal, violência e injustiça no qual oCristo mergulhou. Nós também continuamos a gritar: “Crucifica-o!”, nóstambém lavamos as nossas mãos, cuspimos no rosto dele e zombamos do seufracasso. Devemos entender, dirigidas a nós, as palavras de Pedro nodia de Pentecostes: “Vós matastes Jesus de Nazaré!”.

Damesma forma precisamos fazer a experiência do maravilhamento dasmulheres e dos apóstolos quando chegaram ao sepulcro e o encontraramvazio. Passamos pela incerteza da busca até que o Ressuscitado noschame pelo nome como fez com  Madalena, e nós possamos tambémreconhecê-lo, ajoelhando-nos aos seus pés.

Nãotem outro caminho para chegar à confissão da fé: Jesus é o Senhor!Nenhuma das etapas pode ser omitida. Ninguém chega a seguir o Mestre deverdade passando por atalhos. Foi o que Jesus explicou aos discípulosde Emaus, mostrando-lhes a necessidade que o Cristo sofresse paraentrar na sua glória.

Osdias da Páscoa são para todos nós a oportunidade para avaliar sepodemos ou não dizer que Jesus é o nosso Senhor; se o estamos seguindocom alegria e confiança, buscando sempre a sinceridade nas nossaspalavras e ações. Se deixamos, ou não, que o seu exemplo de amor nosconduza pelos caminhos da generosidade, do serviço, do perdão e da paz.É possível experimentar tudo isso ainda hoje, na comunidade, naliturgia, na fraternidade, no sorriso e no testemunho de vida dos quepodem dizer novamente como os apóstolos: “Vimos o Senhor!”. É a alegriada Páscoa. Não tem alegria maior.


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