A verdadeira Paz é possível e dela temos duas certezas: vem de Deus e passa por nós. Somos discípulos e ministros da paz. Jesus é a nossa Paz.
Viver em paz é uma necessidade real das pessoas. De todas as pessoas. Há os que a suplicam constantemente a Deus. Outros a querem alcançar e construir com as próprias mãos. Será a paz uma tarefa mais divina ou mais humana? Paz: fácil de ser desejada, difícil de ser descrita. É possível, de fato, alcançá-la? Se pararmos para pensar as perguntas se multiplicam. A paz é um estado de alma ou é um acorde entre partes? É fruto do bem-estar exterior unido à estabilidade interior? É uma meta a ser alcançada ou um dom a ser recebido? É algo que nos precede ou é realização do trabalho humano?
Quem pode nos ajudar a ter um parâmetro justo para responder a estas perguntas é o Papa emérito Bento XVI que, com sua incontestável sabedoria, nos falou no Dia Mundial da Paz, celebrado a cada 1 de janeiro. Coincidentemente, para não dizer providencialmente e simbolicamente, o Vaticano escolheu como capa da mensagem de paz para 2013 uma belíssima foto com o nome S-H-A-L-O-M formado por cinco painéis com as letras. Era a Comunidade Shalom que tinha sido fotografada na Praça de São Pedro, em Roma, ao celebrar os 30 anos de vida, em julho de 2012. Vejamos, então, o que Bento XVI nos ensina sobre a paz, enquanto aguardamos a carta que nos chegará do Papa Francisco.
Não precisamos ligar a TV para sabermos que o mundo que nos cerca carece de paz. Também a cidade em que habitamos e ambientes que frequentamos. O Papa Bento XVI nos descreve o mundo dessa forma: “Vivemos num mundo globalizado, marcado por conflitos sangrentos, por ameaças de guerra, por problemas graves de tensão social, o que requer um contínuo empenho de todos pelo bem comum, em busca do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo”. Vemos o fanatismo distorcer a verdadeira natureza da religião, que é chamada a favorecer a comunhão e a reconciliação entre os homens. Quem não se sente – ou já se sentiu – muitas vezes enganado e manipulado pelas mais variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, pelos fundamentalismos ideológicos que regem governos, inclusive o nosso, no Brasil, pela corrupção e pela mentira? Essas pragas parecem atingir a todos, e quantas vezes nos sentimos impotentes como se fôssemos minoria, nadando contra a maré? Talvez seja por isso que o Papa Francisco repete dia após dia, homilia após homilia, que é urgente e vital manter acesa e espalhar a chama da esperança. E que é preciso levá-la às periferias da existência, onde menos se encontra vida, esperança, amor e paz, enfim, Deus. Não porque Ele não esteja presente, mas, porque foi negado ou passou a ser um grande desconhecido.
Porém, sociedade é um conceito abstrato: lugares, cidades, países e comunidades não são entidades com vida própria. São os indivíduos que lhes dão vida e voz. São pessoas que formam sociedades. Portanto, são pessoas que formam todas as realidades da sociedade e são elas que fazem as guerras que carecem de paz. E é o coração de cada um, de pessoa a pessoa, que precisa passar por uma metamorfose para poder ter e dar a paz. Que metamorfose é essa?
Elena Arreguy Sala é missionária da Comunidade de Aliança Shalom no Rio de Janeiro/RJ
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