O refrão do salmo hoje dá um ponto de partida fundamental para o caminho de conversão quaresmal: “O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas”. O que seria de nós se o Senhor nos tratasse “como exigem nossas faltas”?
A súplica em forma de oração do livro de Daniel parece expressar justamente a forma de relação com Deus do homem que crê em um Deus misericordioso: “temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas”. (Dn 9,5)
Não se esconder de Deus, ao contrário, mostrar a nossa verdade para que Ele nos salve. O medo desaparece e permanece a confiança em um Deus ao qual posso confessar meu pecado, não há porque me esconder.
Ah se nossas orações e confissões fossem assim, tão sinceras e rasgadas diante de Deus! “A nós, hoje, resta-nos ter vergonha no rosto”. Essa é a experiência da misericórdia que precisamos pedir a Deus para que sejamos também nós misericordiosos como o Pai o é. Não pode dar quem primeiro não recebeu. Jesus não está nos pedido algo simplesmente, antes está querendo que nós recebamos! É tempo de experimentar da misericórdia.
