A dramática história do “rico opulento” nos faz pensar na vida após a morte. Pensar na vida eterna é fundamental para uma espiritualidade sadia, sobretudo quando estamos “ricos demais”, cheios de nós mesmos, centralizados excessivamente, surdos e tão míopes que não conseguimos ver o irmão do nosso lado. Da cegueira à surdez, da surdez à incredulidade, mesmo que “alguém ressuscite dos mortos”.
Os profetas nos alertam, mas podemos, mesmo caminhando com o Senhor, adoecermos na incredulidade que no fundo não é outra coisa que “maldito homem que confia no homem”. O Senhor não está falando da confiança que devemos ter nas relações entre nós, com amigos ou familiares. O “homem” é mais precisamente nós mesmos. Confiar excessivamente em si mesmo é caminho arriscado, mesmo que o coração o diga pois “em tudo é enganador o coração”.
Tudo o que é bom e que Deus nos deu: nossos bens materiais, as amizades, a família e tantas outras coisas que ele nos deu com a força do nosso trabalho, devem ser apreciadas, mas se em nada disso pode estar a nossa confiança. Afinal de contas tudo isso passa! Essa descoberta não demorará em ser feita. Peço a Deus que não a descubramos quando for tarde demais, como a história desse “rico”.
É tempo de conversão para voltar a escutar a voz dos profetas. Escutar e nos converter enquanto ainda há tempo. A páscoa se aproxima, vem a nós o Senhor Ressuscitado, mas será que acreditamos nele?
