Dom Geraldo M. Agnelo
Agosto, na Igreja do Brasil, tornou-se o mês das vocações. Desde a origem, a Igreja foi concebida por Cristo para ser Ele mesmo a continuar a missão de anunciar a boa nova do Evangelho e realizar o que ele fez: testemunhou o seu amor até a morte de cruz.
A palavra Igreja significa convocação do povo de Deus. Convocação de cada um e de todos que a formam para ouvir a sua Palavra, constituir-se comunidade, crescer juntos, na caridade, no amor a Deus e aos semelhantes, com a força e animação do Espírito Santo. Significa ser responsável não somente pela própria salvação, mas também do mundo.
A Igreja é convocação, nome apropriado porque convoca a todos e os reúne como diz o Senhor no livro do Levítico, quando estabeleceu Aarão como sumo sacerdote: “convoca toda a congregação diante da porta do tabernáculo do testemunho”. No Deuteronômio Deus diz a Moisés: “Convoca para junto de mim o povo para que me escute e aprenda a temer-me”.
O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, logo ao início, nos lembra: “Na plenitude dos tempos, Deus Pai enviou seu Filho como redentor e salvador dos homens caídos no pecado, convocando-os para sua Igreja e tornando-os filhos adotivos por obra do Espírito Santo e herdeiros da sua eterna bem-aventurança”. A Igreja não é um lugar material e nem apenas uma reunião de pessoas que têm crença em comum, mas povo convocado para a escuta de Deus, do seu chamamento, para destinação a se tornarem filhos de Deus e testemunhas do seu amor perante o mundo.
Nossas reuniões no dia do Senhor, em especial, são convocações para o louvor daquele que nos chamou a celebrar o sacrifício de seu Filho na cruz e nos recordar sempre que somos enviados a anunciar a nossos semelhantes as maravilhas de nosso Deus. São João da Cruz escreveu: “A partir do momento em que nos deu o seu Filho, que é a sua única e definitiva Palavra, Deus nos disse tudo de uma só vez, nessa sua Palavra e não tem mais nada a dizer”.
A Tradição Apostólica, na Igreja, é a transmissão da mensagem de Cristo, realizada desde as origens do cristianismo, mediante a pregação, o testemunho, as instituições, o culto, os escritos inspirados. Os Apóstolos transmitiram a seus sucessores, os bispos, e por meio deles, a todas as gerações até o final dos tempos o que receberam de Cristo e aprenderam do Espírito Santo.
A Tradição e a Sagrada Escritura estão em estreita ligação e comunhão entre si. Ambas, com efeito, tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo e brotam da mesma fonte divina: constituem um só depósito da fé, de onde a Igreja haure a própria certeza sobre todas as coisas reveladas.
No dia de Pentecostes, Jesus Cristo glorificado derramou em profusão o Espírito e o manifestou como Pessoa divina, de modo que a Trindade Santa foi plenamente revelada. A missão de Cristo e do Espírito torna-se a missão da Igreja, enviada para anunciar e difundir o mistério da comunhão trinitária, instaurar entre todos os povos o Reino de Deus, inaugurado por Jesus Cristo. A Igreja constitui aqui na terra o germe e o início desse Reino salvífico. Ela é mistério porque na sua realidade visível está presente e operante uma realidade espiritual, divina, que se percebe somente com os olhos da fé.
Assim a Igreja, povo de Deus, participa das três funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei, porque os batizados consagrados pelo Espírito Santo para oferecer sacrifícios espirituais, aprofundam e testemunham a sua fé e, com o serviço, imitando a Jesus Cristo que, rei do universo, se fez servo de todos, sobretudo dos pobres e sofredores.
Os Diáconos, Sacerdotes e Bispos são consagrados pela força do Espírito Santo no Sacramento da Ordem a serem outros Cristos, isto é, ungidos pelo Espírito para anunciarem o Evangelho, a todos os homens e mulheres, e proclamarem a Graça da Salvação por todo mundo. Este é o mandato do Senhor “Ide, fazei meus discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estarei convosco até o fim do mundo. (Mateus 28,19-20).”
Somos imensamente gratos a Deus porque continua a chamar jovens para se consagrarem ao seu serviço na Igreja, edificando o seu Reino. Neste sábado, dia 05.08, ordenamos sacerdotes quatro jovens. Isto é motivo de alegria . Continuaremos a implorar a Deus com nossas orações, afim de que o Senhor chame muitos operários para sua messe, pois a messe é grande e poucos são os operários.