
Em 2004, conheci a Comunidade Shalom, mas não tive grandes aproximações, em vista dos meus compromissos na paróquia. Mal sabia que ali meu coração já tinha identificado aquele famoso “germe” da Vocação, aquilo para o qual desde sempre eu fui criado para ser.
Em 2005, em conversa com o vice-reitor do Seminário Arquidiocesano, senti-me chamado a iniciar um caminho pra o sacerdócio e, então, ingressei no seminário, onde fiquei apenas 1 ano e meio, saindo em agosto de 2006. Nesse tempo, algo inquietava muito meu coração: sentia a necessidade de fazer mais orações espontâneas, que partissem do que eu estava sentindo e do que eu queria dizer a Deus. Tinha muita dificuldade de me relacionar com Deus, pois O via como alguém muito distante de mim, lá em cima, no Céu. Minha vida de oração nessa época se resumia à recitação, muitas vezes inconsciente, da Liturgia das Horas.
Na ocasião da saída do seminário, passei um bom tempo sem entrar numa Igreja, e vivi as ilusões do mundo. O que me impedia de voltar era o engano de achar que eu precisava ser perfeito para estar na Igreja. Foi quando em 2009, um colega de trabalho, vendo a minha situação degradante, indicou-me pedir oração na Comunidade. Era muito difícil para mim, provava de um estado de morte, pois não tinha sentido e motivação para mais nada na vida. Depois de muita insistência, resolvi ir. Um irmão da Comunidade de Vida foi quem me recebeu e rezou por mim. Foi a primeira vez que provei da sensação que mais ansiava: Deus próximo a mim. E mais: ouvi Ele falar comigo, se comunicando, me falando do novo que Ele queria para mim. Foi algo fantástico, pois, apesar de ter sempre frequentado a Igreja, não conhecia Deus, pelo menos não do jeito que Ele queria que eu me relacionasse com Ele.
Não me lembro exatamente como, mas chegou às minhas mãos os Escritos da Comunidade, e comecei a ler. À medida em que eu lia as palavras do Moysés, ia tendo a estranha sensação de que ele estava falando de mim. Mas minha experiência forte, que despertou aquele “germe” adormecido, foi quando o Moysés fala das almas esposas chamadas a esta vocação: os piores, os vasos de argila, os mais pecadores. Nossa! Aquilo tocou profundamente o meu coração. Era como se meus olhos tivessem se aberto depois de muito tempo. Vi um novo horizonte ali, e a partir daquele momento não tive outro desejo que não fosse o de me unir mais e mais a Deus por aquele caminho recém-descoberto, o da Comunidade. E o Senhor foi fazendo tudo muito intensamente e bem rápido. Era como se Ele quisesse, e eu também, recuperar o “tempo perdido”. Em 2010, eu já estava no Vocacional e, no final de 2011, pedi ingresso na Comunidade. Já não conseguia me ver mais separado do Carisma. Hoje, como Aliança, vivo um tempo de muita felicidade, que não significa ser isento de dores e cruzes, graças a Deus.
De fato, quando Deus suscita um carisma novo no meio dos homens, Ele está manifestando, na Sua infinita providência, o Seu socorro para o homem com os problemas e mazelas atuais. Socorro MESMO, pois foi exatamente isso que o Shalom significou para mim naquela época de morte. Posso dizer que eu encontrei a vida, e vida em abundância. Que o Senhor me dê a graça de nunca mais me separar Dele, pois hoje, por meio da Vocação, me sinto verdadeiramente parte de Deus, e me perder Dele seria me perder de mim mesmo e voltar para a morte.
Muito obrigado, Moysés, muito obrigado, SHALOM. Muito obrigado, Senhor!
Hélio Tolêdo