Fui uma criança que cresceu nos anos 90 e meados de 2000. Lembro-me de uma das melhores noites de natal da vida quando ganhei um Super Nintendo, e mais!, ainda veio com uma fita do Bomberman e outra com T-O-D-O-S os jogos do Super Mário!!! Não existia presente melhor, sem dúvidas. Minha mãe logo passou a amar o joguinho e o objetivo passou a ser finalizar o Super Mario World (sem trapaças, claro).
Só tinha um pequeno problema: eu detestava perder! Não sabia lidar com o fracasso e/ou ter que reiniciar a fase ou o jogo. Então, quando chegava numa fase muito difícil passava o controle pra que minha mãe passasse pra mim, principalmente na fase do chefão e, depois que ela passava, o controle voltava pra mim.
O fato é que cada detalhe da nossa vida deixa uma marca. Cresci, virei adulta, mas há momentos em que o controle não me pertence. Diante de um aparente caos, ou de um chefão muito difícil com o qual sei que com minhas frágeis habilidades não saberei vencer, confio o controle totalmente e exclusivamente a Deus, só Ele sabe os comandos certos pra fazer um especial e vencer o que precisa ser vencido.
Por vezes o jogo trava, a fita precisa ser retirada, levar um sopro de vida e o jogo reiniciar. Mas dessa vez o player terá mais experiência e fases que antes eram consideradas difíceis serão fichinha. E não se apavore quando o life chegar ao fim, o Dono do jogo disponibiliza um “to be continued” eterno.
Confesso que ainda não sei lidar bem com o perder e o reiniciar. Confesso que é cansativo e aparentemente desmotivador, mas há graças particulares em cada recomeço:
1 – Ao recomeçar você vai perceber que suas habilidades melhoraram.
2 – Você vai descobrir amigos que vão te ajudar a voar mais alto e que, se preciso for, até se sacrificam por você.
3 – Você vai descobrir fases que pareciam escondidas, onde você vai passar apenas para restaurar as forças, ganhar mais lifes, para enfrentar as fases mais difíceis e até doar vida pros seus amigos que precisam.
4 – Você vai encontrar zonas especiais em que suas habilidades serão potencializadas.
5 – Você vai vivenciar momentos em que, com uma graça sobrenatural, vai ultrapassar o inimigo com uma luz extraordinária.
6 – E depois de passar por tudo isso, com total certeza, você vai se sentir muito mais feliz ao perceber que chegou ao fim do jogo.
No fim, percebi que neste caso, prefiro perder, perder o controle pra que Ele comande. A gente acaba percebendo que a melhor decisão é deixar o controle todo com Ele, mesmo sem entender bem a condução. Neste jogo da vida o fim é um life infinito ao lado do Dono do game, sem game over.
Mayara Raulino
Muito bom, bem criativo.
Ótimo texto! Amei <3 Super atrativa a chamada e a analogia é uma perfeita oportunidade para este dia.