Formação

Pobreza e Paz

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Dom Luiz Demétrio Valentini

Parao Dia Mundial da Paz, Bento 16 propõe à reflexão de todos a vinculaçãoentre a pobreza e a paz. Começa constatando a dinâmica, onde a pobrezase encontra entre os fatores que desencadeiam os conflitos, que por suavez acabam agravando ainda mais as situações de pobreza.

Diantedesta constatação, Bento 16 lança o desafio, para ser assumidosolidariamente, neste tempo de globalização em que nos encontramos: “combater a pobreza – construir a paz”.

Oano de 2009 começa cheio de apreensões, face à crise econômica, nascidano centro do sistema, trazendo em conseqüência uma dinâmica inerente depropagação. As interrogações se referem não só à extensão dacontaminação da crise, mas também à profundidade que ela terá,levantando sérias questões sobre o agravamento das situações de pobrezano mundo.

Emmeio aos desafios que a situação de crise generalizada do sistemaeconômico mundial está levantando, é muito oportuno o apelo do Papapara uma convicta atitude de solidariedade para com as populações queserão mais atingidas pelas conseqüências da crise, tanto nos paísescentrais como nos países periféricos do sistema econômico mundial.

Odesencadear da crise já mostrou uma desproporção evidente na destinaçãodos recursos. Quando se trata de socorrer instituições financeiras, ascifras são astronômicas,  e parece não existirem limites para salvar osbancos. Mas quando se faz as contas de quanto se precisaria para acabarcom a fome no mundo, o montante nem seria tanto, mas paira sempre no ara constrangedora impressão de que não vale a pena gastar dinheiro parasalvar os pobres.

Oapelo do Papa, vinculando a pobreza com a paz,  independente do que elediz ou deixa de dizer, traz consigo o ineludível  desafio de colocar aquestão básica da finalidade verdadeira da economia: ela está a serviçoda vida, ou não?  E se está, o critério de averiguação do seu sucessonão pode ser o lucro, mas o atendimento das necessidades vitais de todaa população mundial, independentemente das regiões geográficas em queesta população se encontre.

Aatual crise econômica mundial oferece a oportunidade para repensar asfinalidades essenciais e as condições básicas para um verdadeiroprojeto de desenvolvimento sustentável, em nível mundial, compatívelcom os recursos que o planeta nos oferece, e que precisam ser usadoscom critério e com responsabilidade.

Paraevitar caminhos equivocados de combate à pobreza, o Papa aponta algunsâmbitos que mais necessitam de atenção. O primeiro deles é ligado àdemografia, em que entra em jogo o tamanho da população mundial. Eleobserva que os países que mostram dinamismo demográfico são os queapresentam hoje melhores índices de crescimento econômico, e com istofica desmentida a suposição de que as taxas de natalidade são empecilhopara o crescimento econômico. Mas é de observar que, neste contexto, aomesmo tempo o Papa cita a surpreendente cifra da duplicação dapopulação mundial a partir da segunda grande guerra até hoje, numaevidente alusão à responsabilidade com que deve ser olhado hoje ocrescimento demográfico, que transcende a dimensão da ética individualpara assumir dimensão de espécie humana.

OPapa faz também referência às pandemias, citando a malária, atuberculose e  a aids, para cujo combate ele advoga, corajosamente, aquebra dos patenteamentos, em vista da urgência de sua utilização emdefesa da vida das populações pobres.  Ele questiona com força osgastos que ainda hoje são destinados a programas armamentistas semsentido e sem justificativas. Lembra que as primeiras vítimas da fomesão as crianças, e observa que a crise alimentar atual está elevando ascifras dos desnutridos no mundo.

Uma mensagem, portanto, carregada de razões, e dirigida à consciência de todos.


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