“Os Simpsons” é a série de animação mais longa e uma das mais premiada de todos os tempos da TV estadunidense. O criador é o roteirista Matt Groening e, desde a estreia, em 1987, já se vão quase 30 anos de episódios cujo objetivo é fazer uma leitura sarcástica a respeito do estilo de vida da família norte-americana.
Claro que, em se tratando de uma linguagem irônica, as situações enfrentadas pelos personagens são, em na maioria, claramente caricaturadas, porém, infelizmente, sem passar muito longe da desordenada realidade do cotidiano de muitas famílias no mundo de hoje.
Por se tratar de uma animação, a princípio podemos achar que é algo inofensivo, todavia, se você se der ao trabalho de assistir uns cinco ou seis episódios de qualquer temporada, de cara, logo perceberá que, moralmente falando, todos os valores apresentados são negociáveis e os comportamentos vão se adequando ao que for mais favorável para cada um, assim, a figura do Absoluto passa longe de Springfield. A religião é um dos temas bastante mencionados na série (embora o criador seja agnóstico), entretanto, aparece nos episódios geralmente para ser motivo de chacota, sendo que os Flanders, que seriam os personagens mais devotados à fé, são retratados como fanáticos e meio apalermados.
Da mesma forma, é notório que um dos lemas da série é que os “bonzinhos” sempre se dão mal, assim, não é raro surgirem episódios nos quais a bem-intencionada Lisa Simpson tenta ajudar alguém e acaba levando a pior. É interessante constatar que uma pesquisa apontou Lisa como a personagem menos querida pelo público americano, que prefere o bonachão Homer ou o mal-educado Bart.
Nessa perspectiva, em um contexto meio distorcido do que é belo e bom, em que os valores da religião, pureza e virgindade são tidos como antiquados ou ridículos, temas como a castidade e o celibato são vivências totalmente alheias ao ordinário ali retratado e estranhas ao contexto de quem é mais popular e, assim, o que não é visto se perde no ostracismo.
Sabemos que a vivência da castidade é uma virtude que deve ser praticada em todos os estados de vida, sendo mesmo um pressuposto para a boa vivência seja do matrimônio, do sacerdócio ou do celibato pelo Reino dos Céus, mas, falando especificamente do celibato, este é um estado no qual a castidade deve ser vigiada e cultivada ainda com mais afinco, pois é ela quem garante a guarda do coração, que necessita manter-se indiviso para que a oferta seja duradoura e autêntica.
O celibato é o estado de vida no qual, uma vez tendo encontrado a Deus – o Belo e Bom por excelência – e acolhendo o seu chamado, o sujeito consagra sua vida e toda as potências desta em um amor exclusivo a Ele, a fim de melhor servir ao Seu Reino, e é lógico que tal escolha não cabe em um mundo no qual o que vale mais é levar vantagem a qualquer custo.
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Ademais, se pararmos para pensar um pouco, “Os Simpsons” pode ser considerada como a série precursora de todos os outros seriados cujo conteúdo dúbio vem sendo dissimulado por gotas de humor ácido ou tiradas hilárias, mas que, no fundo, acabaram influenciando negativamente o imaginário e a vida de muita gente.
Entretanto, você pode até indagar: mas essas são séries de TV e streamings! O que têm a ver com a castidade e o celibato? De fato, nada! Afinal, a maioria dos roteiros passam longe de incentivar qualquer forma de vivência da normalidade, quanto mais em se tratando do incentivo a uma escolha oblativa. Isso, sem contar que a opção pela castidade e o celibato não induzem a estilos de vida “economicamente rentáveis” para o mercado econômico, haja vista que a castidade deve ordenar a vida por inteiro, ajudando a evitar vícios como o consumismo, o hedonismo ou a ostentação.
O celibato, por sua vez, pressupõe uma vida não mais para si, mas para o outro, na qual não cabem os excessos incentivados pelos meios de comunicação que regularmente impulsionam a cultura do supérfluo e aquecem o mercado financeiro através da propagação dos valores e produtos expostos na mass media.
Por fim, deixo mais um questionamento: séries como Os Simpsons poderiam ter a mesma audiência e movimentar os mesmos milhões de dólares sem enveredar pelo viés do relativismo?
Respondo: certamente sim, pois, lá no fundo, apesar de toda exposição dos sentidos a uma cultura relativista que a humanidade enfrenta, o coração humano é naturalmente muito mais atraído ao que é belo, verdadeiro e bom. Porém, infelizmente, os interesses ideológicos de alguns patrocinadores vendem a ideia de que o caos é mais lucrativo e aproveitam-se do triste fato de que uma parte da sociedade, tendo perdido o referencial do Absoluto, acaba por se deixar atrair pelo que é exatamente oposto à beleza, à bondade e à verdade próprias de Deus, oposto esse, diga-se de passagem, muito bem retratado nos pobres habitantes de Springfield, os quais, lamentavelmente, não podem conhecer as alegrias advindas de uma vida inteiramente ordenada para Deus e para o outro, as quais a castidade possibilita viver e o celibato potencializa em sua totalidade.
Concluindo, ao compreendermos as razões ideológicas e econômicas que impõem o conteúdo tendencioso apresentado na maioria dos meios de comunicação, fica fácil entender porque os Simpsons e muitas outras séries que vieram após Homer & Cia não te falam sobre o celibato, castidade e outras vivências e virtudes que remetem à santidade e ao céu e até mesmo as ridicularizam. Entretanto, mesmo sendo bombardeados por praticamente todos os meios de comunicação, sempre será nossa a opção de escolher pelo que é verdadeiramente bom e não pelo que o mercado ou a mídia dizem ser bom, mas que, por vezes, não passa de um sutil veneno que vai, aos poucos, contaminando mente, espírito, corpo e coração.

Você já assistiu os Simpsons ou só tá falando do que ouviu? Porque a parte que fala sobre a beleza do celibato ficou ótima,mas a análise do desenho é péssima. Certamente analisa numa postura externa sem conhecer o programa a fundo.
Os Simpsons traz valores muito sólidos sobre a família e sobre as virtudes. Chegando a ser mencionado pelo Observatório do Vaticano como desenho para as famílias.