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Porque alguns jovens se drogam?

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Hoje em dia, fala-se muito de drogas. É moda. Nas escolas fazem campanhas educativas sobre a droga; os meios de comunicação, aqui e acolá, veiculam algum tipo de campanha ligado a elas; a cada dia a tv mostra novas apreensões de drogas e novas prisões de traficantes.

Isso tudo é muito bom. Mas é só meio caminho andado. A razão pela qual o jovem se droga está muito além e muito mais profundo do que este importantíssimo controle externo: está no próprio ser do jovem.

Poderíamos usar inúmeras palavras para descrever o que leva o jovem a se drogar: falta de sentido de vida, vazio, insegurança, raiva, desprezo de si, abandono dos pais, solidão, ter tido sempre tudo o que quis ao alcance da mão, influência de amigos, busca de emoções cada vez mais fortes, tédio… É tudo isto e não é nada disso. A questão é muito mais complexa do que se imagina e envolve dezenas de fatores internos e externos ao jovem.

Há porém, três fatores externos que norteiam a mentalidade do homem de hoje e que, sem dúvida, são decisivos para a abertura às drogas:

A busca desenfreada do prazer

É regra geral, aceita por praticamente todas as pessoas hoje, que se deve buscar o prazer em intensidade e diversidade cada vez maiores. O prazer de viver, o prazer de comer, o prazer do sexo, o prazer de divertir-se, o prazer de conviver com quem nos apraz e por aí vai. Esta busca de prazer não se satisfaz com o que já experimentou, mas impele o jovem a buscar emoções e sensações cada vez mais intensas, "perigosas" , fascinantes. Como esta é uma regra comumente aceita e até incentivada pela sociedade e pelos meios de comunicação, o jovem não vê "nada demais" nesta mentalidade e a segue sem nenhum peso na consciência. Associar esta mentalidade à oportunidade sempre presente de oferta fácil de drogas de todos os tipos "é um pulo". Pulo este que muitos jovens, infelizmente, dão, tornando-se, como veremos, escravos de doses cada vez mais fortes dos mais diversos tipos de drogas.

A incapacidade de suportar o sofrimento

Vivemos na época que venceu a dor. Não se admite mais que alguém tolere o sofrimento físico, espiritual ou psicológico por qualquer razão que seja.

Há sempre um remédio por perto para aliviar a dor, a angústia, a depressão, o medo, a ansiedade. Mais e mais famílias recorrem aos tribunais solicitando a permissão da eutanásia "para abreviar o sofrimento" do familiar doente. Um número cada vez maior de pessoas recorre ao aborto quando o filho é indesejado "para prevenir futuros sofrimentos". O índice de divórcios aumenta vertiginosamente a fim de "diminuir o sofrimento" das crianças e do casal.

Nossa sociedade tende a considerar lícito todo recurso para diminuir qualquer tipo de sofrimento, não importa a sua origem nem seu valor ético. O que importa é não sofrer, é diminuir ou acabar com o sofrimento, cujo alívio justifica a ingestão desde o ansiolítico até o veneno, uma vez que, para muitos, o suicídio é também um alívio lícito do sofrimento.

A mentalidade de satisfação de todos os desejos

O homem consumista de hoje tem ao alcance de sua mão a solução para praticamente todos os problemas. A técnica e a ciência fornecem a satisfação lícita da necessidade de saúde, mas também o desejo supérfluo de um visual mais adequado; a oferta de milhares de artigos comestíveis, de moda, de conveniência facilitam a vida mas, por outro lado, tornam o homem escravizado, comodista, consumista e egoísta. Os pais, por sua vez, crêem que os filhos são felizes na medida em que lhes fornecem não somente aquilo de que necessitam, mas também – e às vezes principalmente – tudo aquilo que eles sonham e desejam em suas fantasias.

É fácil ver como estas três características da mentalidade de hoje, sem citar o gosto crescente pelo erotismo, pelo "visual" da violência, pelo mórbido e sádico, criam um ambiente altamente favorável ao consumo crescente das drogas, que prometem o fim do sofrimento, o prazer ilimitado, a fantasia de satisfação de todos os desejos, especialmente o de ultrapassar os próprios limites.

Quando a gente fala de drogas, a primeira coisa que vem à cabeça das pessoas é a maconha ou a cocaína. Pouca gente se lembra dos "medicamentos", quando se fala em dependência de drogas. No entanto, a grande maioria dos jovens que se drogam recorre, exatamente, aos remédios, alguns até caseiros, muitas vezes fornecidos, inocentemente, pelos próprios pais. Este tipo de dependência é o que se chama de "dependência química" no sentido da palavra. Os medicamentos parecem ser apenas remédios e, baseados no pensamento de que "o que trata não mata", muitos jovens se deixam iludir pelo efeito passageiro destes que se tornaram os mais populares tipos de droga entre os jovens brasileiros.

Todos esses medicamentos foram criados pela ciência para que o médico pudesse utilizá-los em benefício de seu paciente. Logo, a ele é benéfica, se utilizada corretamente. Infelizmente, quando são utilizadas sem orientação, muitas vezes podem ser um caminho seguro para a morte. Será que valem a pena estes momentos em que a "química" o leva a sair da "real?"

A Maconha

No encanto das drogas, vemos jovens que se entregam à maconha por curiosidade, modismo ou imitação, acreditando na mentira de que a maconha não deixa dependência, sem saber que, por trás desse "fascínio" existem conseqüências danosas.

Na linguagem dos que estão por dentro deste tipo de assunto, alguém perguntaria: "Pôxa, cara, será que vale a pena ter ‘lombras’ para depois cair na maior depressão?" Sem contar que, ao se elevar a dose, têm-se perturbação da memória e do pensamento, ansiedade, sensação de estar sendo observado, mal-estar, taquicardia, boca seca e tremores nas mãos, prejuízo da coordenação motora e diminuição da força muscular, prejuízo da memória e do aprendizado, desinteresse para as tarefas comuns, como estudo, trabalho, namoro…

Incrível, não é? O que parece ser "o maior dos baratos" se torna um inferno vivo na cabeça, no corpo e na vida.

A Cocaína

Usada para ter euforia e bem-estar, idéias de grandiosidade, erotização, excitação, a cocaína começa por ser uma obsessão, pois não se consegue sentir certos sintomas sem ela.
A cocaína faz dependentes e, por isso, doentes. Ela traz desânimo e depressão. Quanto mais alto ela o leva, maior seu tombo. O mal-humor, a dor de cabeça e o nervosismo são constantes. Para tentar aumentar o "pique" de suas sensações, começa-se a usar a cocaína em pequenos intervalos e/ou em maior quantidade. Neste passo, começa-se a arruinar a própria vida.

Quando os amigos avisam que você está se tornando dependente, você não acredita. Acha que é perseguido. Passa a desconfiar de todos. Fica agressivo à toa. Aos poucos, perde a energia, o sono, o apetite. Vai saindo da realidade e cada vez fica mais difícil voltar a ela. Começa a ver, sentir ou ouvir coisas estranhas, tem alucinações, entra em pânico. Às vezes sente bichinhos andando debaixo de sua pele e, querendo tirá-los, arranha-se todo.

Que triste! A euforia e o bem-estar do início tornam-se angústia e dor, desprazer e desânimo, e a grandiosidade se transforma na degradação de si mesmo. A morte é, agora, uma ânsia que pode acabar com o pesadelo.

Leia também:
Dependência química: o que fazer para sair dessa?

*Os Projetos Volta Israel e Juventude, ambos da Comunidade Católica Shalom, encabeçam a  Campanha Vida Quero Mais. A eles já se uniram diversas instituições de ensino. Neste ano queremos contar com a sua parceria no combate a este flagelo que preocupa nossa sociedade.


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