Institucional

Prece, pressa e sabor.

Prece e pressa não combinam. Essa receita não tem gosto refinado de céu. Não alimenta a amizade como uma boa conversa no balançado da rede de um domingo à tarde, recitando confidências e desabafos pausados por gargalhas e lágrimas.

Certamente não satisfaz o paladar da alma uma prece corrida, interessada em soluções instantâneas. Fast food não a alimenta. Ela prefere os banquetes, como aquele do pão e vinho sobre a mesa, escondendo o amor e carne de um Deus amigo.  Que, calmante, se deixa saborear.

Por falar nEle, esse amigo não costuma olhar relógios ao nos escutar. Ele é Senhor do tempo, mas prefere quando deixamos passar o Cronos, e nos esbaldamos em sua doce companhia. Preparando conosco um prato cheio de intensidade e sinceridade. O eterno é partilhado como uma café bem quentinho, tomado pelos dois, que mais parecem um. E seu sabor se renova em encontros e desencontros diários.

Apressados, corremos quando nos faltam palavras. Fugimos do silêncio. Ingrediente fundamental dEle, pois esconde o fermento de seu cuidado. Amigos também sabem degustar um bom silêncio, um se deliciando da presença do outro. Não é?

Uma boa refeição precisa de tempo. Bem mastigada. Sentida em seus aromas, temperos e cozimento. Nada de pressa. O apressado come mal. E corre o risco de se acostumar com migalhas.

Escolho, então, não ver o tempo passar no amigo que é alimento. E dEle lentamente me satisfazer.

Sem pressa, a prece ganha sabor.

Felipe Ramos.


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