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Moysés no Domingo de Páscoa: Cristo Ressuscitou, aleluia!

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Moysés Azevedo, fundador da Comunidade católica Shalom, pregou sobre a Ressurreição do Senhor neste Domingo de Páscoa (05), durante o Retiro de Semana Santa em Fortaleza. Eis o texto na íntegra:

moysés

Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! No dia de hoje esta saudação pode sair como um grito de louvor, de alegria, de jubilo, porque este é do dia que o Senhor fez para nós. Por isso, nós juntos podemos repetir: Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! Mais forte ainda, para a cidade inteira e o Brasil inteiro poder ouvir: Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! É verdade, meus irmãos, nós estamos aqui, nesse Domingo da Ressurreição do Senhor, neste hoje. Jesus Ressuscitado está no meio de nós! E nós queremos silenciar para ouvir a Sua voz.

É Ele mesmo que deseja manifestar-se no nosso coração. É o próprio Cristo Ressuscitado, porque não são obras nem palavras humanas que podem golpear o nosso coração com a Sua graça, mas Ele mesmo, com a força da Sua Ressurreição, Ele mesmo presente e vivo no meio de nós, Ele mesmo pela força da Sua palavra, Ele mesmo pelo sopro do Seu Espirito, pelo Seu olhar que nos alcança, que penetra nos nossos olhos, Ele mesmo que aquece o nosso coração como aqueceu os corações dos discípulos de Emaús, Ele mesmo Vivo e Ressuscitado, Ele deseja se manifestar não só no meio de nós, mas no meio da igreja. Ele deseja se manifestar não só no meio de nós, não só no meio da igreja, mas no coração da humanidade que geme, chora e espera a manifestação dos filhos de Deus. Espera que esta experiência forte com Jesus Ressuscitado alcance os corações, transforme as vidas, mude a história como já mudou com a força da Sua Ressurreição, mas mude o nosso hoje, o nosso hoje! Cristo Ressuscitado venceu a morte hoje! Cristo Ressuscitado venceu o pecado hoje!  Cristo Ressuscitado deseja ressuscitar em mim, em você, nos nossos corações hoje. Cristo Ressuscitado ressuscitou na carne, e na nossa carne, na nossa vida Ele deseja manifestar essa caridade estupenda de Deus. Sim, foi uma caridade estupenda de Deus que ressuscitou Cristo dos mortos, e esta caridade, este amor, este fogo Divino deseja alcançar os nossos corações hoje, neste dia em que o Senhor nos fez, neste hoje.

E nós que estamos aqui e todos aqueles que nos acompanham pela Rede Vida de televisão podem também fazer a sua experiência com o Cristo Ressuscitado hoje. Quem deseja fazer a sua experiência com Cristo Ressuscitado hoje diga eu! Mas nós temos que ter um coração muito sedento, muito desejoso, um coração aberto, uma atenção e um desejo ardente no coração. Quem deseja fazer a sua experiência com Cristo Ressuscitado hoje diga eu! Então ponha a sua mão no coração e diga comigo: Senhor Jesus, eu creio que tu estás aqui no meio de nós. Eu creio que tu estás aqui vivo no meio de nós. Senhor Jesus, manifesta-Te na minha vida, no meu coração, na minha história, no meu hoje para que eu possa ser instrumento da força da Tua ressurreição no coração da humanidade. E erga os seus braços e diga: vem Espírito Santo! Você pode dizer mais forte: vem Espírito Santo!

Meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, hoje, neste dia que o Senhor fez para nós, da parte do Senhor há um brado, há um grito forte, há um anúncio para ser feito para todos os pecadores. Quem é pecador aqui diga eu! Eu também. Pois neste dia há um anúncio a ser feito para todos os pecadores, para todos os condenados pelo peso do seu pecado. Este anúncio está no evangelho. O evangelho diz: “Deus amou tanto o mundo, deus amou tanto a mim e a você que enviou o Seu Filho, não para condenar o mundo, não para condenar a mim nem a você, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”.

O pecado que comia os nossos calcanhares, que amargava no nosso coração e que nos conduzia à morte, no dia de hoje tem uma palavra final á respeito dele. A condenação que estava sobre o nosso pescoço e a culpa que estava sobre a nossa mente e o nosso coração, hoje existe uma palavra final sobre ela, porque Deus nos amou tanto que enviou o Seu Filho, e o Seu Filho nos amou tanto, tanto, que nos amou até o extremo. Cristo nos amou até o extremo, e como foi que Cristo nos amou até o extremo? Qual foi o extremo? Qual foi? Esta cruz. Esta cruz foi o extremo com o qual Deus nos amou. Ele nos amou tanto, nos amou tanto que deu a sua vida por nós, que morreu por amor a nós. Mas o amor Dele foi tão forte, tão forte, tão forte, era o amor Divino, o amor Divino que tomava sobre si as nossas culpas, a nossa ingratidão, o peso da nossa condenação. Mas esse amor Divino foi tão forte, tão forte, tão forte que a morte não pode retê-lo, que o nosso pecado não pode aprisiona-lo, que a nossa condenação não pode esmaga-lo. Este amor foi tão forte que venceu a morte, venceu o pecado, rolou a pedra do sepulcro, e Ele no Seu amor Divino Ressuscitou, está Vivo! Ele está no meio de nós!

Cristo está no meio de nós, e está no meio de nós como um Vencedor! Não um vencedor de qualquer coisa, mas o Vencedor do meu pecado, do seu pecado, Vencedor da minha morte, da sua morte, da morte de toda a humanidade, da condenação das nossas angustias, das angustias do mundo, da fragilidade e da debilidade do mundo. O amor Divino que habitava no coração do Filho Encarnado foi mais forte do que o mal. A Sua misericórdia encarnada foi mais forte do que o mal, e Ele venceu o Mal, e Ele está vivo.

Meus irmãos, minhas irmãs, Ele está no meio de nós. Ele está no meio de nós. Jesus, Jesus Cristo está aqui no meio de nós, Vivo e Ressuscitado, e mais ainda! Ele está aqui disponível para mim e para você, como Ele apareceu para os discípulos no Cenáculo, como Ele apareceu para Maria Madalena quando ela foi ao sepulcro. Ele está disponível, Ele diz o seu nome. Qual é o seu nome? Jesus Ressuscitado hoje pronuncia o teu nome, mas Ele pronuncia mesmo, não é recurso de pregação não! Ele pronuncia o teu nome, e ao pronunciar o teu nome Ele te dá a vida, comunica a Sua vida Divina. Ele te arranca do pecado que te amarra, te arranca daquilo que te prende. Jesus Ressuscitado venceu o inferno! Jesus Ressuscitado venceu o demônio! Jesus Ressuscitado venceu o mal em todos os tempos, e aqui hoje, Ele está Vivo, diz o teu nome e te arranca das prisões. É Ele Ressuscitado que faz esta obra, não é a força da minha pregação. É Ele. É Ele aqui que pronuncia o teu nome, e ao pronunciar o teu nome Ele comunica a vida Divina para ti, ele quer olhar nos teus olhos, quer segurar na tua mão e quer te trazer para a vida plena, a vida que só Ele pode nos dar.

Por isso nós podemos dizer juntos: Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! Podemos dizer mais forte: Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! Podemos até gritar: Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! E vamos dar uma salva de palmas para Jesus Ressuscitado!

Aquelas mulheres, quando foram no tumulo, elas chegaram lá e a pedra tinha rolado. Estava vazio. Lá, elas ficaram atônitas. Um anjo olhou para elas e disse: “Porque procurais o Vivente entre os mortos? Ele não está aqui, mas Ressuscitou!”, e elas saindo do sepulcro, Maria Madalena particularmente teve o seu encontro com Jesus Ressuscitado. Ela fez a experiência com Jesus. Ela fez a experiência, olhou nos olhos de Jesus Ressuscitado. Ela ouviu a voz de Jesus Ressuscitado dizendo: “Maria!”. Não era uma fantasia, não era um fantasma, Ele estava no Seu corpo Glorioso! As Suas Chagas Gloriosas estavam lá! E ao Jesus dizer Maria, ela O reconheceu. Ele disse: “Ide, vai ao encontro dos meus irmãos e diga para eles que Eu ressuscitei, Eu os espero na Galileia, que vão eles para a Galileia, que lá nos encontraremos”. E Maria Madalena veio correndo, foi ao encontro dos apóstolos. Quando ela se encontrou com eles, o que ela disse? “Eu vi o Senhor! Eu vi o Senhor! Eu vi o Senhor!”. Hoje, nós podemos também com ela dizer: “Eu vi o Senhor!”, mas como Moysés? Onde poderemos dizer que vimos o Senhor?

O Papa Francisco, falando exatamente deste tema, ele nos indica aonde podemos, juntos com Madalena, ecoar para nós mesmos e para o mundo de hoje onde, exatamente onde nós podemos dizer: “Eu vi o Senhor!”. Diz o Papa, falando da Galileia existencial[1], que quando Jesus pediu para Maria Madalena convidar os apóstolos para voltarem para a Galileia, porque lá Ele os esperava, ele diz: “A Galileia mais existencial, o encontro com o Ressuscitado é a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo. Voltar à Galileia significa guardar no coração a memória viva desta chamada. Quando Jesus passou pela minha estrada, olhou-me com misericórdia, pediu-me para o seguir.  Recuperar a lembrança daquele momento em que os olhos Dele cruzaram com os meus, quando me fez sentir que me amava. É preciso voltar para lá, para ver Jesus Ressuscitado e tornar-se testemunha da Sua ressurreição. Não é um voltar para trás, uma nostalgia do passado. É voltar para o primeiro amor e receber o fogo que Jesus acendeu no mundo e leva-lo a todos, até os confins da terra”.

Voltar à Galileia, fazer a experiência com Jesus Ressuscitado é voltar para a nossa experiência fundamental com Jesus. Cada um de nós que está aqui teve a sua experiência pessoal e fundamental com Jesus. Voltar a esse primeiro amor foi exatamente ali, como Jesus Ressuscitado, como Paulo, vocês se lembram de Paulo? São Paulo quando estava no caminho de Damasco, Jesus Ressuscitado entrou e aquela presença forte, mais forte do que a luz do sol, diz Paulo, mais forte do que a luz do sol brilhou diante de Paulo, e Paulo caiu, e Jesus Ressuscitado com a sua voz disse: “Saulo, porque me persegues?”, e Saulo disse: “Quem és tu Senhor?”, e Jesus disse: “Eu sou Jesus!”. Quantas vezes Paulo, nos momentos mais duros da sua vida, quantas vezes Paulo esteve preso, esteve diante das autoridades judaicas e romanas, Paulo voltou para este encontro pessoal dele. Paulo refez a sua história e disse: “Foi lá, naquele momento da minha vida que eu vi o Senhor, que Jesus Ressuscitado entrou na minha vida, na minha história e a mudou. Olhou para mim e disse o meu nome, manifestou a Sua escolha e a Sua eleição por mim”. E por isso Paulo voltava sempre lá, e lá ele renovava o seu amor, porque foi ali que Cristo Ressuscitado entrou na história dele. Quando Cristo Ressuscitado entrou na sua história? Você se lembra? Como foi que Cristo Ressuscitado entrou? O que Ele disse? O que você experimentou? Deixe o amor primeiro aquecer o seu coração!

É preciso voltar sempre para essa experiência fundante da nossa história com Jesus, sabe por quê? Porque senão ficamos enferrujados, secos, começamos a fazer as coisas de maneira mecânica, perdemos o ardor e o fervor, entramos só no caminho do dever. Sim, é um dever seguir Jesus, mas mais do que isso! é um encontro de amor, um amor que arde no coração, Ele entrou na minha vida! Ele está Vivo, não é uma ideia. Ele não é um pensamento, uma doutrina, Ele é uma realidade tão forte, tão forte que entrou na minha história, mudou a minha história, me deu alegria, que me deu consolo na dor, força na tribulação, que fez o brilho dos meus olhos voltarem e chegar a uma plenitude que só Ele pode dar. Ele é real e eu sou sua testemunha! E pode bater palma sim, porque esta é a verdade. Nós somos testemunhas de uma verdade. Nós não somos testemunhas de uma ideia. Nós somos testemunhas de uma pessoa viva, mas não só viva para esta vida, mas viva eternamente, que passa no decorrer dos séculos e da história, que entra na historia de milhares de homens e mulheres nesses 2.000 anos de história. Vivo e Ressuscitado que forjou santos, perdoou pecadores, que enxugou as lagrimas dos olhos de tantos, que consolou, fortificou, que deu paz, perdoo os pecados. Um Rei misterioso, misericordioso, presente e vivo que vai ao encontro do Seu povo, que nos une a Ele e ao Seu corpo no batismo, que nos faz um só com Ele e nos faz, como diz São Paulo, conhecer o poder da Sua ressurreição, conhecer a profundidade, a grandeza, a largueza, a infinitude do poder da ressurreição de Cristo. Paulo era aficionado por esse tema: conhecer o poder da ressurreição de Cristo. Se você for ler as Cartas de São Paulo, vez ou outra ele volta a este tema: conhecer o poder da ressurreição de Cristo.

Se formos olhar para o fato da ressurreição de Cristo em si, o que foi este fato? O que foi no fundo este ato a partir até da ótica da Trindade? A ressurreição de Cristo é o ato da infinita ternura do Pai. O Pai, depois do imane sofrimento do Filho na Paixão, o Pai, depois de ouvir Jesus na Paixão, olhar para Ele e dizer: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”, e depois, erguendo os olhos e dizer: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. O Pai, em um olhar de ternura infinita para o Filho, acolhe o brado do Filho, e com um grito de amor e de comoção, debruça-se sobre o corpo inerte e morto do Filho, e beija o Filho, e vocês sabem o que é o beijo nas Sagradas Escrituras. Ele comunica o Espírito Santo, derrama o Espírito Santo no corpo inerte do Filho, e o Espírito Santo ressuscita o Filho dos mortos, vence a morte, vence o pecado, vence o mal no mundo no corpo ressuscitado de Cristo. A Ressurreição de Cristo é o abraço do Pai em resposta ao grito do Filho e ao grito de todos os homens que no Filho dizem: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. É o amor de ternura, o amor infinito do Pai que levanta Jesus Cristo dos mortos. Ele, Jesus Cristo, que não se apegou da Sua igualdade para com Deus, mas por amor ao Pai e por amor aos homens se fez homem e não só se fez homem, mas se fez maldito e morreu numa cruz, tomando sobre si os nossos pecados.

Diz São Paulo na Carta aos Filipenses: “Por isso, Deus o exaltou, o ressuscitou dos mortos e lhe deu um nome acima de todos os nomes e constituiu Jesus Cristo é o Senhor, e por isso no céu, na terra, nos infernos, o demônio, a morte, o mundo, o pecado, todo o universo dobre os joelhos e proclame: Jesus Cristo é o Senhor! Jesus Cristo é o Senhor! Jesus Cristo é o Senhor!”.

Meus irmãos, hoje é o dia de experimentarmos o poder da Ressurreição de Cristo, e de experimentarmos o Senhorio de Cristo, essa força do amor e da ternura do Pai que no Espirito vivifica o corpo de Cristo. Também, este mesmo poder, este mesmo amor, esta mesma foça da ressurreição deseja vivificar os nossos corpos mortais, diz Paulo. A mesma força que ressuscitou Jesus dos mortos também ressuscitará, também revivificará os nossos corpos e as nossas almas mortais. A minha vida, a minha história, essa mesma força da ressurreição, este mesmo beijo do Pai, esse mesmo Pai em Cristo Jesus, porque nós somos um só com Jesus Cristo, deseja beijar a tua face. Beijando a tua face Ele deseja comunicar essa força da ressurreição para que com Cristo, por Cristo e em Cristo você vença o pecado, vença o mal, vença o mundo, com a força da caridade estupenda de Deus.

Sim, o amor de Deus é estupendo, é maravilhoso, é infinito, e Ele, este amor Divino, neste dia que se chama hoje, e conhecer o poder da ressurreição de Cristo é deixarmos sermos beijados pelo Pai e experimentarmos nas entranhas mais profundas do nosso ser a força da ressurreição de Cristo, nas feridas mais profundas da minha alma, na dureza mais profunda do meu coração, nas trevas mais profundas da minha existência. Hoje a força da ressureição de Cristo deseja aí se manifestar.

Quem tem feridas na alma, no coração, no corpo? Quem tem feridas na alma, na história, no coração, quem tem lutas que trava e trava e trava sempre de novo, quem traz essas dores na sua carne, porque, meus irmãos, Jesus Cristo ressuscitou na carne! Jesus Cristo não ressuscitou simplesmente como um espirito ambulante, um fantasma. Ele ressuscitou na carne, e por isso na nossa carne, na nossa história, na nossa humanidade, na realidade concreta do nosso ser, por mais imunda que ela seja, por mais frágil que ela seja, por mais cansados que estejamos, por mais frios que estejamos, insensíveis e incrédulos, o Pai hoje deseja nos beijar, comunicar o Seu Espírito e por Cristo, com Cristo e em Cristo nós podemos hoje ressuscitar para uma vida nova. Por isso eu pergunto: quem tem feridas para que o Pai beije e hoje nós sejamos ressuscitados com Cristo? Creiamos. Se abrirmos o coração e deixarmos ser abraçados e alcançados, nós veremos a glória de Deus.

Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia!

Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia!

São Simeão, o novo teólogo, um Padre do Deserto. Ele dizia: “A ressurreição de todos realiza-se pelo Espírito Santo, e não entendo só a ressurreição dos corpos no fim dos tempos, mas também a regeneração espiritual e a ressurreição das almas mortas que se efetua todos os dias espiritualmente”. Meus irmãos, todos os dias a ressurreição de Cristo se efetua. Todos os dias a ressurreição de Cristo acontece. Todos os dias um coração duro pode ser alcançado pela força da ressurreição. Todos os dias uma alma morta, uma alma presa nos infernos pode ser libertada pela força da misericórdia divina, que brota da ressurreição de Cristo. É da ressurreição de Cristo que toda a vida da igreja recebe força.

Quando um sacerdote diz: “Eu te perdoo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, vai em paz e não tornes mais a pecar”, é da força da ressurreição de Cristo que brota esta palavra que é eficaz e que transforma você e faz de você uma nova criatura. É da força da ressurreição de Cristo quando um sacerdote coloca as suas mãos sobre o pão e o vinho, invoca o Espírito Santo e diz: “Isto é meu corpo, tomai e comei. Isto é meu sangue, tomai e bebei”, e nós nos aproximamos e recebemos esta Eucaristia.

Diz São Serafim de Sarov: “Quem recebe a Eucaristia, recebe fogo, porque recebe o fogo da ressurreição de Cristo”. É da ressurreição de Cristo! É da ressurreição de Cristo quando uma palavra de Deus é proclamada e os nossos corações ardem, e no nosso coração nasce o desejo: “Senhor, muda a minha vida, transforma a minha história, converte o meu coração”. É da ressurreição de Cristo que brota esse desejo nas nossas almas. É da ressurreição de Cristo que nasce cada obra de misericórdia da igreja. É pela força da ressurreição de Cristo que os pobres são consolados, os enfermos são visitados, que as mães abraçam os seus filhos. É da força da ressurreição de Cristo que o amor vive no mundo e este amor é mais forte do que a morte, mais forte do que o mal, porque a misericórdia divina é quem tem a ultima palavra. A ressurreição de Cristo! É da ressurreição de Cristo!

No Ocidente temos uma consciência muito grande do maravilhoso mistério que brota na cruz, e até temos os santos no Ocidente que manifestam isso, como, por exemplo, São Francisco de Assis. São Francisco de Assis foi alguém que se identificou tanto com Cristo Crucificado que foi ao Monte Alverne e lá recebeu as chagas de Cristo. Ele foi transfigurado em Cristo Crucificado, e durante todo o resto da sua história Francisco trouxe as marcas da Paixão de Cristo no seu corpo, manifestando assim o amor da cruz de Cristo pelos homens.

Se no Ocidente nós temos essa experiência, no Oriente cristão temos uma experiência complementar: São Serafim de Sarov. Um santo russo, um homem que viveu como um peregrino, um homem orante, cheio do Espírito Santo, e que trouxe no seu corpo as marcas da ressurreição de Cristo. Seus discípulos diziam que havia momentos que quando São Serafim de Sarov estava com eles, no mais rigoroso inverno russo, a sua face, o seu corpo era tão luminoso, tão luminoso que eles diziam: “Fazemos a experiência de Emaús”. Um forte clarão, uma chama viva brotava desse homem, e ele andando no meio do inverno russo era como uma chama viva, e aonde seus discípulos ao redor dele experimentavam um calor que brotava da força da ressurreição de Cristo.

Meus queridos irmãos, também nós, no mundo de hoje, num mundo tão ferido, tão marcado, sofrido, nós precisamos de tal forma estar unidos a Jesus Cristo que a força da Sua ressurreição penetre no nosso coração, que a força da Sua ressurreição como um fogo ardente aqueça os nossos corações, faça brilhar os nossos olhos, faça da nossa palavra um fogo ardente para que todos que se aproximem de nós possam experimentar o fogo ardente da caridade de Cristo.

Meus irmãos, as pessoas ao se aproximarem de nós não podem receber palavras de fofoca, palavras de denegrimento. Não podem receber olhar de julgamento nem de condenação. Não podem receber frieza e indiferença do nosso semblante. Não podemos transbordar o pecado. Mesmo fraco, débeis, sim, somos, mas Cristo habita em mim, e Ele vive em mim, e eu me alimento do fogo da Sua ressurreição em cada Eucaristia e eu posso experimentar o Seu perdão e a Sua misericórdia. E eu posso pela força da Sua palavra me alimentar para dar o fogo de Cristo Ressuscitado na minha casa, na minha família, nos meus amigos, na minha comunidade, no lugar onde moro, no meu edifício, apartamento, condomínio, na rua onde passo, com as pessoas que cruzo. Que uma faísca da ressurreição de Cristo possa sempre brotar dos meus lábios, dos meus olhos e dos meus atos, para que as pessoas experimentem essa presença viva de Jesus Ressuscitado no mundo, porque Cristo cabeça está aqui, mas Ele também está aqui pelos membros do Seu corpo. Quem é membro do corpo de Cristo Ressuscitado diga eu! O fogo da ressurreição de Cristo deseja passar por você.

Olhem para mim. Por favor, olhem para mim. Que os seus olhos manifestem a ternura de Cristo, que as suas palavras, em nome de Jesus que aqui está, que as nossas palavras manifestem o consolo de Cristo. Que o seu coração, o seu coração mesmo ferido, nesse seu coração ferido una à ferida, à Chaga Gloriosa de Cristo para que Ela possa acolher os feridos deste mundo. Jesus deseja se manifestar com a força da ressurreição através de ti. E hoje Ele diz: “Ide”, e quando Ele diz: “Ide”, não diz ide somente para falarmos, mas para transmitirmos com a palavra e a vida a força da ressurreição de Cristo. Ide, diz o Senhor, e que nós generosamente podemos dizer, e repitam após mim aqueles que querem: eis me aqui Senhor! Envia-me a mim! Como está a sua disposição de espalhar o fogo da ressurreição de Cristo no coração do mundo?

Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! Mais forte: Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia!

A ressurreição de Cristo, esta é a nossa esperança. A Páscoa que hoje celebramos, a ressurreição de Cristo, a Páscoa é o dia natalício da esperança. Hoje nasceu a esperança. Sim, porque tendo Cristo vencido a morte, vencido o pecado, o mundo, nós temos esperança. Eu tenho esperança. Você tem esperança. Nós temos esperança. A esperança cristã não é um simples desejo que as coisas melhores afinal de contas, porque piorar além do que está, está difícil, não! A esperança cristã é uma realidade! Jesus venceu a morte, o pecado, Jesus venceu o mundo! E Ele olha para nós e diz: “Coragem!”. Coragem! Coragem! Jesus venceu o mundo! Jesus venceu o pecado! Coragem! Jesus venceu o mal! Cristo é a nossa esperança! E a esperança não engana! A esperança cristã não engana.

O que é a esperança cristã? Esperar é acreditar firmemente. A esperança é uma virtude teologal. Como a fé e a caridade, nós temos a esperança. Sem esperança nós não podemos ser salvos. Se não tivermos a virtude da esperança nós não podemos, não damos a abertura do coração para Jesus meter a Sua mão e nos tirar de onde quer que estejamos, da situação qualquer que estejamos. E por isso, como precisamos amar e sempre amar, e quando não amamos perdoamos e precisamos amar de novo, e como precisamos crer, e quando fraquejamos crer de novo, nós precisamos esperar e esperar sempre, e esperar de novo, e sempre esperar. Essa é a esperança cristã. A esperança é acreditar firmemente, mas firmemente e não como um pensamento qualquer que desta vez vai ser diferente, desta vez vai ser diferente! “Mas Moysés, eu já fiz isso outras vezes”, não importa se você fez 100 vezes, mas na 101 vai ser diferente, porque essa é a esperança cristã! Essa é a esperança cristã!

Quando Deus olha para os Seus filhos esperado Nele, não esperando de braços abertos e barriga para cima, um nada, não! Nele! E recomeçando sempre de novo e esperando, esta esperança comove o coração de Deus. Deus se comove quando vê os seus filhos dizendo: “Em Ti eu pus a minha esperança. Sim eu sou fraco, pecador, sim eu caí de novo, está difícil recomeçar. Sim, está dura a batalha, a circunstância, mas Senhor, a minha esperança está em Ti, e eu espero e recomeço a cada dia em Ti”. O Pai olha para os filhos que esperam Nele, e esperam sempre de novo, e com a virtude da esperança recomeçam sempre de novo, se comove, vem ao nosso encontro e nos beija na nossa morte e manifesta a força da ressurreição de Cristo. Sim esperar, esperar sempre de novo, recomeçar sempre e pôr a sua esperança em Deus sempre, abre espaço para a manifestação gloriosa de Cristo, porque Cristo é a nossa esperança.

Jesus, que foi visitar os que jazem nas trevas do inferno, que rompeu as portas de bronze, que despedaçou as barras de ferro, Ele pode libertar qualquer estado de prisão espiritual, de prisão moral. Nós devemos sim e precisamos esperar que não haja cadeia, ferrolho, ligadura por forte velha e antiga na nossa vida que seja que não seja despedaçada pela força da ressurreição de Cristo. Esse ferrolho da tua vida aí, essa área da tua vida, esse ferrolho já pode estar enferrujado e você diz: “Não tem quem tire”. Você pode dizer que essa situação da sua vida está encruada e não tem quem mude, que esta situação da sua família está num beco sem saída. Jesus desceu à mansão dos mortos, desceu aos infernos, quebrou os ferrolhos e os grilhões, e por isso a nossa esperança é a ressurreição de Cristo! Cristo é a nossa esperança! Então os ferrolhos podem cair, as cadeias podem cair, a minha e a sua vida pode mudar, e por isso posso esperar sempre Nele, porque Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! Cristo é a nossa esperança!

O Papa Francisco diz: “Não fujamos da ressurreição de Jesus, nunca nos demos por mortos” [2]. Tem alguém aqui que já se deu por morto? Tem alguém aqui que se acha na casa dos sem jeito? Que diz que acabou, que tem de se conformar, é o resto da vida, é isso mesmo? Pois é para você esta palavra: “Não fujamos da ressurreição de Jesus, nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que nada possa mais do que a sua vida que nos impele sempre para seguir adiante!”. Seguir adiante! Seguir adiante! Seguir adiante! Seguir adiante! O que ficou velho ficou para trás, em Cristo nós somos novas criaturas! As coisas passadas ficaram para trás! Adiante! Adiante! Adiante! Cristo ressuscitou, Ele é a nossa esperança! Olhar para frente!

O cristão é aquele que olha para trás somente para agradecer a Deus, porque Ele é misericordioso e interviu na sua vida. tem um coração firmado no presente, onde ele acolhe a graça de Deus e tem o seu olhar para o futuro, para a escatologia, para o que há de vir, porque Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! Olhem para frente! Olhem para frente! O que ficou para trás, ficou para trás, morreu! Morreu com Cristo na cruz! Morreu com Cristo na cruz! Se sinceramente nos arrependemos dos nossos pecados, se sinceramente esperamos Nele, olhar para frente, porque Ele é a nossa esperança.

E assim, com esse olhar para frente, Cristo nos constitui, Cristo Ressuscitado, e quem são os membros do corpo de Cristo Ressuscitado diga eu! Cristo ressuscitado continua a operar no mundo através da igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, membros do seu corpo Ressuscitado, Ele continua a agir no mundo, e Ele transforma pela força da ressurreição, Ele nos transforma em uma igreja, em uma comunidade em saída. O que foi que Jesus Cristo ressuscitado fez no túmulo? Ele saiu. Também a igreja, também nós que somos membros do corpo de Cristo Ressuscitado, nós não podemos viver sobre nós mesmos! Porque viver sobre nós mesmos é viver na morte. Viver voltados para nós mesmos é viver para a morte. Se ressuscitamos com Cristo não podemos mais viver para nós mesmos. Nós somos membros do corpo de Cristo. Nós temos que sair dos nossos sepulcros, que sair das nossas comodidades.

Lembrem se de que vivemos em comunidade e não em comodidade. Nós vivemos em comunidade para sair, não para viver aconchegados, “ai como é bom o meu grupo, a minha comunidade, ai como é bom, sou consolado”, não! Isso é clube. Isso é triste. Nós não vivemos para nós mesmos. Nós vivemos para sair, igreja em saída, porque o corpo ressuscitado em Cristo, de Cristo está numa dinâmica de amor. Ele ressuscitou para se dar, para vencer e venceu a morte e o pecado, e para nos transformar em testemunhas da Sua ressurreição no coração do mundo.

Escutem bem! As mulheres, assim que encontraram Jesus Ressuscitado, o anjo disse para elas: “Ide depressa dizer aos discípulos: Ele ressuscitou dos mortos”. Ide depressa! Há uma urgência para comunicarmos a ressurreição de Cristo. Olhe para mim, por favor: há uma urgência para comunicarmos a ressurreição de Cristo. Há uma urgência por dois motivos. Primeiro porque é urgente você sair da sua vidinha. É urgente você sair de si mesmo, sair da sua lamuria, sair dessa cegueira, dessa bitola que faz com que você fique continuamente voltado sobre os seus mesmos problemas, basta! Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! É urgente sair, pela sua salvação. E é urgente sair para comunicar a ressurreição de Cristo para o mundo, para a humanidade. Sair do muro da indiferença!

Como é que nós discípulos de Jesus Cristo, como é que nós que vimos o Senhor, que experimentamos a Sua misericórdia, como é que nós que fomos alcançados, que fomos consolados, perdoados, como é que nós que fomos alcançados por Deus podemos ficar inertes, podemos ficar voltados para nós mesmos e olhamos o mundo ferido, sofrido, marcado, gemendo, necessitado, desconhecendo Cristo,  um mundo que não conhece o consolo de Cristo?

Meus irmãos, nós conhecemos o consolo de Cristo, sabemos o que é a misericórdia de Deus. Nós tivemos a chance de nos arrependermos dos nossos pecados e de buscar sempre o Sacramento da Reconciliação e ouvir: “vai em paz, os teus pecados foram perdoados”. E nós sabermos que esse amor é um amor tão grande que nos transforma, que cura as nossas feridas, nós temos a experiência da ressurreição de Cristo! Como é que nós consolados não podemos chorar com os que choram, não podemos sofrer com os que sofrem? Como podemos ficar indiferentes ao sofrimento do mundo, ao sofrimento desta cidade? Como podemos ficar indiferente ao sofrimento desse país, dessa humanidade? Como podemos ficar indiferentes ao sofrimento de quem não conhece a Cristo? Como podemos ficar indiferentes ao sofrimento dos pobres? Não! Cristo Ressuscitou e nós fomos alcançados por Ele, e fomos consolados por Ele, e nós não podemos fazer outra coisa senão unir a nossa vida a vida Dele, e por Cristo, com Cristo e em Cristo nos ofertarmos Nele, em favor desta humanidade e irmos ao encontro dos que sofrem, dos que choram, como um dia nós sofremos e nós choramos.

Quem chorou aqui e foi consolado por Cristo através dos membros da igreja, através dos membros do corpo de Cristo nesse mundo? Quem chorou e foi consolado por cristo diga eu? Eu! Nós que fomos consolados, é a nossa vez de consolar. É a nossa vez de chorar com os que choram, como choraram conosco. É a nossa vez de sofrer com os que sofrem, como sofreram conosco, para que com eles nós possamos e eles possam ressuscitar. O mundo está gemendo e sofrendo como em dores de parto. O mundo está gemendo e sofrendo como em dores de parto, e nós precisamos ser aqueles que vamos ao encontro e que favorecemos em tudo para que surjam essas novas criaturas, estes homens e mulheres novos (as), como um dia nós ressurgimos em Cristo.

Uma igreja em saída. Uma igreja com portas abertas, que evangeliza. Uma igreja que serve, que tem urgência de amar, que tem urgência de dar de graça o que de graça recebeu, porque Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia!

E nesse dia da ressurreição de Cristo, neste dia que o Senhor fez para nós, é neste dia que Ele diz: “Ide, consolados pelo Meu Espírito. Ide, como membros do Meu corpo Ressuscitado. Ide ao encontro dos homens e das mulheres, dos jovens, das famílias e dos pobres e levem a vida que brota da minha ressurreição. Sim, levem a vida que brota da ressurreição. Anunciem Jesus Cristo”.

O kerigma que nós anunciamos não é uma ideia moral, não é um pensamento. Quando nós anunciamos Cristo pela palavra e pela vida, Cristo se manifesta. Nós anunciamos horizontalmente pela boca. O Espírito Santo cai verticalmente no coração da pessoa e a pessoa tem uma experiência com Deus naquele momento ou no momento que Deus aprouver. Nós temos que anunciar Cristo. Pela palavra anunciando Jesus Cristo sem temor, oportuna e inoportunamente, e anunciando Cristo pela sua caridade, pelo serviço, nos doando aos que sofrem, consolando aos que sofrem, indo ao encontro dos que gemem e sofrem. Precisamos anunciar Cristo nesse mundo gelado, nesse mundo que é indiferente, mas que Deus ama! Deus ama as pessoas que estão nesse mundo.

Nós não temos que ter um olhar de condenação para as pessoas, porque não foi o olhar de condenação que nos converteu. Foi o olhar da misericórdia que nos converteu. Foi o olhar misericordioso de Cristo que nos converteu, e Cristo Ressuscitado não tem um olhar de condenação. Ele tem um olhar de caridade ardente, de misericórdia infinita. Ele tem um olhar que diz para mim e para você, e que nós devemos ir ao encontro das pessoas e dizer o que Ele disse. Em Cristo nós podemos vencer o mundo.

Meus irmãos, comuniquemos, sejamos alegres instrumentos da misericórdia de Deus para o mundo. Saíamos de nós mesmos. Não fiquemos indiferentes. O Papa fala sobre isso. Ele diz: “Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem!” [3].

Meus irmãos, se nós estamos bem é porque Deus nos fez, Deus nos salvou, nos redimiu e Deus nos consolou. Quem foi consolado por Deus não pode estar indiferente aos que não estão bem, não pode estar indiferente aos que padecem, não pode estar indiferente aos que sofrem. Os que estão verdadeiramente bem, porque nós podemos estar anestesiados e não bem, e quem está anestesiado pode estar próximo à morte e não sabe que está morrendo. Santa Teresa d´Ávila nos lembra sempre isso. Num corpo morto podemos espertar vários alfinetes e esse corpo não vai dizer um ai, mas um corpo vivo, se você simplesmente encostar o dedo, ele já sente.

Que nós sejamos um corpo vivo, um corpo verdadeiramente que se inquieta com o sofrimento da humanidade, que não está anestesiado ao sofrimento dos outros, mas inflamados pela caridade de Cristo dar de graça o que de graça recebeu. Por isso o Papa diz: “Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência, é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo” [4].

Meus irmãos, Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia! Para sermos esta igreja em saída nós precisamos do auxilio do Espírito Santo, o beijo do Pai que faz com que Jesus ressuscite dos mortos e manifeste a Sua vitória sobre o mundo, sobre a morte e sobre o pecado. Quem quer ser beijado pelo Pai hoje? Quem quer fazer a experiência com a ressurreição de Cristo? De pé vamos juntos suplicar o Espírito Santo, vamos juntos suplicar o poder do alto, a unção do Espírito Santo, porque Cristo Ressuscitou, aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou, aleluia!

Erga os seus braços para o alto. Pai querido, nesta tarde nós, como membros do corpo de Cristo, encontramos áreas da nossa vida que ainda jazem no pecado e na morte, na indiferença e na comodidade, no egoísmo e no desamor. Pai querido, nós Te pedimos: debruça-te sobre nós, e por Cristo, com Cristo e em Cristo comunica-nos o Teu Espírito Santo para que as áreas mais em trevas do nosso coração possam ressuscitar com Cristo. E ressuscitando com Cristo nós possamos ser homens e mulheres de esperança, cheios da força da ressurreição de Cristo, para com Maria, a Rainha do Céu, a cheia de alegria pela força da Tua ressurreição, nós possamos comunicar no coração do mundo com urgência, com pressa, a vitória da ressurreição do teu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Para isso, nós suplicamos o Espírito Santo cantando:

 

Oh, Espírito Santo, fonte de todo amor

Vem me dar teu vigor e a tua paz

Oh, Espírito Santo, Deus de todo poder

Vem, inunda meu ser e me refaz

 

Não quero mais viver assim

Não me deixa trilhar na minha dor

Nos planos que são meus

Vem, e me faz sair de mim e me leva a voar em teu amor

E alçar o livre voo dos filhos de Deus

 

É possível contemplar o novo em mim

E guiado por tua voz recomeçar

É possível contemplar o novo em mim

E guiado por tua voz recomeçar

 

Padre Antônio Furtado:

 

Erga os seus braços, continue em oração. Jesus disse a Lázaro, que já estava podre, “Lázaro, vem para fora”. Peça que Ele lhe arranque do sepulcro, que ele diga também o seu nome, “saia para fora”. Senhor arranca-me da morte, tira-me do tumulo. Tira-me Senhor, da pedra fria da indiferença, da putrefação dos meus pecados, arrasta-me, arranca-me, ordena com a Tua autoridade que eu saia, e eu Te digo Jesus, eu quero viver, que quero a vida, quero a ressurreição. Leva-me senhor, tira-me, conduz-me para uma vida nova Senhor, não mais guiada por mim mesmo, mas guiada pelo Teu Espírito Santo de vida. Oh Espírito Santo que ressuscitastes Jesus do sepulcro, vem sobre nós, sobre toda a comunidade Shalom, ressuscita-nos e tira-nos de todo sepulcro, de toda morte, sopra sobre os ossos secos. Vem dos lábios e do coração de Jesus e sopra sobre os ossos, dai-nos uma carne nova, dai-nos um fôlego novo, uma vida nova. Vem Espírito Santo, vem.

O Senhor coloca no meu coração que muitos de nós, mesmo durante a pregação, fomos tentados a achar que não iremos ter essa vida nova. O demônio colocou no nosso pensamento a desesperança e é preciso que nós renunciemos à desesperança. Outros são tentados a ficar onde estão, “está bom, eu estou aqui, se o Senhor quiser, Ele mude a minha vida”, mas não estão dispostos a sair. A ordem é saia! Saia! Saia de onde você está, queira sair, mesmo enfermo, mesmo escravo, mas queira sair. E é forte essa palavra que muitos de nós somos tentados pela indiferença, “ah, é mais um dia”, não! É o dia, esse é o dia que o Senhor fez para nós. Diga isso: “Senhor, esse é o dia que Tu fez para mim e eu desejo, Senhor, me dê a graça Senhor, me dê a graça agora Senhor”.

 

Moysés:

 

E no silêncio do coração, ouçamos essa antífona da Vigília Pascal de uma antiga liturgia: “Que todo o mundo veja e reconheça que pela força da ressurreição de Cristo o arruinado se reconstrói, o envelhecido se renova, e tudo volta a sua integridade. Porque hoje Jesus rompeu o inferno ao ressurgir da morte Vencedor. Ó Deus, quão estupenda caridade vemos no Vosso gesto fulgurar: não hesitais em dar o próprio Filho para a culpa dos servos resgatar”.

Obrigado Senhor, porque pela força da Tua ressurreição nós somos de fato novas criaturas.

Que Tua Mãe, a Rainha do Céu, nos ajude, Ela como discípula do Ressuscitado, a acolhermos e vivermos na força da Tua ressurreição. Por isso nós juntos cantamos:

 

Regina caeli laetare, Alleluia,

Quia quem meruisti portare, Alleluia,

Resurrexit sicut dixit, Alleluia.

Ora pro nobis Deum. Alleluia.

 

 

 

 

[1] Homilia do Papa Francisco na Vigília Pascal, em 19 de abril de 2014.

[2] Papa Francisco, Exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013) n. 3.276.

[3] Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2015.

[4] Evangelii Gaudium, n° 42.

 

Transcrição: Irlanda Aguiar

Semana Santa – 2015

“Deus é rico em misericórdia” (Ef 2,4)

Domingo da Ressurreição, 05/04/2015


Comentários

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  1. Esta pregação ,que assisti por meio da Rede Vida muito me ajudou na Páscoa de 2015. por meio dela, realmente conheci o poder da ressurreição!!!