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A primazia da graça na evangelização Shalom

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Nós nascemos para evangelizar, foi para isto que Deus no gerou (cf. CC05, 146), é verdade, mas não podemos falar de evangelização, sem antes falar de experiência de Deus, de amizade com Deus, de oração, ou seja, de primazia da graça. Por melhor que seja a intenção, a evangelização não passa de um esforço improdutivo quando feita sem a ação da graça de Deus, pois é o Espírito Santo que com os seus carismas (I Cor, 12) age através de nós e fecunda a nossa evangelização.

“Aquele que insiste em fazer algo para Deus, mas sem Deus (como origem, centro, fonte e motivação essencial) ou colocando-o em posição secundária, trabalha em vão”. Sem Deus, nós primeiramente definhamos como o ramo que é cortado e seca, e assim torna-se o anúncio; passo a anunciar não mais o Cristo Vivo e Ressuscitado que é capaz de dar vida ao que estava morto, que é capaz de nos tirar de qualquer situação que nos encontramos, que nos comunica a sua paz, que nos faz novas criaturas, mas um Cristo meramente histórico que não pode mais fazer nada na minha vida, um Cristo que não é mais a “eterna novidade”.

É também a primazia da graça o que torna a mensagem coerente. Anuncio Aquele que não só pode transformar todas as realidades, mas que transformou a minha vida e que, a cada dia, continua a realizar a sua Obra Nova . O “homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4, 24) só poderá prevalecer se estivemos enxertados na videira, no Cristo. É a primazia da graça de Deus que garante a fecundidade da nossa evangelização, com coragem no anúncio e com testemunho na vida, é esta graça que torna-a eficaz, capaz de formar novas testemunhas de Cristo. Afinal os homens de hoje, não esperam somente as palavras, diz a exortação apostólica Evangelli Nuntiandi que a “Boa Nova há de ser proclamada, antes de mais, pelo testemunho”.IMG_1660-2-2

É na experiência diária com o nosso amado que recebemos o seu Espírito, somos pacificados e enviados ao mundo, aos homens de hoje que procuram como Tomé, tocar no lado aberto de Cristo e lá experimentar da paz. “Entendemos que a autêntica evangelização, nasce da contemplação, ganha fecundidade na oferta de vida que gera unidade e se expressa com parresia, ousadia e criatividade”.

Da mesma forma, movidos pelo Espírito Santo, não podemos dispensar os meios lícitos que a ciência e a tecnologia nos oferecem para evangelizar, ao contrário, precisamos contribuir com a graça de Deus, encontrando os “areópagos modernos”, a internet e os outros meios de comunicação, a música, as artes em geral, fazendo deles verdadeiros púlpitos para anunciar a Boa Nova.

Confiantes somente em Deus, com parresia e criatividade, sabendo que sem ele nada podemos fazer (cf. Jo 15,5), lancemo-nos no grande desafio da evangelização para que todos os homens encontrem o sentido da suas vidas e encontrando sejam também anunciadores da paz.

[1] Moysés Azevedo, Documento da Assembléia Geral 2008, p. 165

[2] Cf. Escritos da Comunidade Católica Shalom, Obra Nova

[3] Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 21

[4] Escritos da Comunidade Católica Shalom, Carta a Comunidade 2005, 154

 


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