Formação

Primeira poesia de Santa Teresinha foi feita para freira que lhe desagradava em tudo

Texto fala de Cruz e do sangue de Jesus cuja essência é o leite virginal de Maria.

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“O Orvalho divino, ou o leite virginal de Maria” foi a primeira poesia de Santa Teresa do Menino Jesus, escrita em 2 de fevereiro de 1893. Já nesta primeira obra aprecem, embora que ainda de forma incipiente, os grandes temas comuns na poesia da santa da Sagrada Face, como flores, sobretudo a rosa, o orvalho, o sangue de Cristo, o amor de Deus, a Eucaristia, os anjos entre outros. Os que pouco sabem é que a poesia nasceu de um ato de caridade. 

A composição poética de Teresinha foi um pedido de Irmã Teresa de Santo Agostinho, aquela religiosa de quem Santa Teresinha escrevera em seus manuscritos tinha “o dom de lhe desagradar em todas as coisas”. O relato completo sobre esta superação à antipatia gratuita Teresinha escreve no número 292 dos Manuscritos ( Paulus: 2016). “Suas maneiras, suas palavras, seu caráter, me pareciam muito desagradáveis, no entanto, é uma santa religiosa que deve ser muito agradável ao Bom Deus”, escreveu a santa doutora. 

A poesia “Orvalho Virginal de Maria” é resultado  do empenho de Teresinha quando decidiu diante de Deus, que “a caridade não deveria consistir em sentimentos, mas em obras”. A partir disso ela se pôs a “fazer por esta irmã o que teria feito pela pessoa mais amada. Teresinha ainda relata que ao ver a irmã dava-lhe o melhor sorriso e procurava servir-lhe com presteza. Desta decisão madura de amar nasceu a primeira poesia de Teresinha, um texto que fala de Cruz e Eucaristia, do sangue de Cristo cuja essência é o leite virginal de Maria.

Leia a poesia o Leite Virginal de Maria, de Santa Teresinha do Menino Jesus 

Meu doce Jesus, no regaço de tua Mãe,
Tu me apareces todo radioso de Amor.
O Amor: eis o inefável mistério
Que te exilou da morada celeste…
Ah! Deixa que me esconda sob o véu
Que te oculta a todo olhar mortal,
E junto a ti, Estrela Matutina,
Encontrarei um prelúdio do Céu
 

 

Desde o despertar de uma nova aurora,
Quando do Sol se vê os primeiros raios,
A terna flor que começa a desabrochar
Espera do alto um bálsamo precioso.
É o salutar orvalho da manhã,
Repleto de um doce frescor,
Que produzindo uma seiva abundante,
Do fresco botão, faz entreabrir a flor.
 

 

És tu, Jesus, a flor apenas aberta;
Contemplo-te em teu primeiro despertar.
És tu, a Rosa deslumbrante,
O fresco botão rubro e gracioso,
Os braços tão puros de tua Mãe querida
Formam-te um berço, trono real.
Teu doce Sol é o seio de Maria,
E teu orvalho é o Leite Virginal!…
 

 

Meu Amado, meu divino pequeno irmão,
Nos teus olhos, vejo todo o futuro.
Por mim, bem depressa, deixarás tua Mãe,
Pois o Amor já te impele a sofrer.
Mas, sobre a Cruz, oh, Flor desabrochada!
Eu reconheço teu perfume matinal;
Eu reconheço o orvalho de Maria.
Teu sangue divino é o Leite Virginal!…
 

 

Este Orvalho se esconde no Santuário.
O Anjo dos Céus o contempla admirado,
Oferecendo a Deus sua sublime prece.
Como São João ele diz: “Ei-lo aqui”!
Sim. Ei-lo aqui, este Verbo feito Hóstia,
Pontífice eterno, Cordeiro sacerdotal.
O Filho de Deus é o Filho de Maria,
O Pão dos Anjos é o Leite Virginal.
 

 

O Serafim se nutre da glória,
No Paraíso, seu gozo é perfeito.
Eu, frágil criança, no cibório só vejo
A cor e a aparência do Leite.
Mas, é o Leite que convém à infância,
E de Jesus, o Amor é sem igual.
Oh, terno Amor! Insondável poder!
Minha Hóstia branca é o Leite Virginal!
 
 

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